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Repórter é impedido de fazer vídeo sobre demora na UPA do Parque Burle

Alcineu Ribeiro diz que se sentiu humilhado por ação de segurança e que vai em busca de seus direitos 

01 junho 2019 - 10h22
Repórter é impedido de fazer vídeo sobre demora na UPA do Parque Burle

O repórter Alcineu Ribeiro, 47 anos, sacou o celular para fazer uma filmagem dentro da UPA do Parque Burle e reclamar da demora no atendimento na manhã de ontem na unidade hospitalar. Ele só não contava com a truculência do segurança, que tentou tirar o celular da sua mão e, avisando-o de que não poderia filmar naquele local, o colocou para fora. Após uma tentativa frustrada de prestar queixa na delegacia, Alcineu afirma que se sente humilhado e que vai em busca de seus direitos. Depois de muito tempo sofrendo com os sintomas de uma gripe, mesmo após já ter tomado a vacina contra influenza, o repórter decidiu ir ao posto de saúde, chegando ao local às 8h. Cerca de 1h30 depois e, após passar pelo setor de registro e classificação de risco, Alcineu resolveu filmar a situação em forma de protesto.

– Foi então que eu resolvi pegar o meu celular e fazer um vídeo alertando as autoridades de Cabo Frio com relação a essa demora no atendimento, porque as pessoas estão ali já estão doentes, sofrendo, e ainda precisam passar por essa demora. É muito ruim. Foi quando me veio um segurança e de forma truculenta e desrespeitosa me agarrou pelo braço, me jogou pela porta e me levou para fora da UPA – explicou.

Passada a situação, o repórter se dirigiu até a 126ª DP (Cabo Frio), onde tentou prestar queixa pelo constrangimento, mas, segundo ele, o policial de plantão se recusou a registrar a ocorrência.

– Sei que tenho esse direito, pois passei por um constrangimento. Isso é crime de constrangimento, mas o policial que estava de plantão na delegacia se recusou, alegando que eu estava no interior de uma unidade de saúde e não teria o direito de estar filmando – disse, completando: – Vou acionar a Cor- regedoria da Polícia Civil para registrar essa ocorrência. Vou atrás dos meus direitos e já acionei meu advogado para isso – finalizou.

Em contato com a reportagem da Folha, o delegado titular da 126ª DP, Sérgio Caldas, afirmou que, na verdade, o policial de plantão sugeriu que fosse feito o registro atra- vés de petição, e aprovei- tou para convidar Alcineu para realizar o registro na delegacia.

– O policial de plantão me relatou que sugeriu a ele que fizesse através de petição, o que é de praxe, pois assim ele coloca tudo o que aconteceu, já que o registro de ocorrência é mais resumido. Quando é um caso confuso como é esse, o policial prefere que seja feito por petição, mas o cidadão não é obrigado a fazer a petição. É uma opção. Em relação ao Alcineu, ele pode vir me procurar, fazer o registro e, como tem um vídeo, isso melhora muito a situação. Nesse caso, eu acho que o vigilante da UPA agiu de forma exagerada, não poderia agir dessa forma – explicou.

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Cabo Frio, responsável pela administração da UPA do Parque Burle, onde o fato aconteceu, afirmou através de sua assessoria de imprensa que não iria se pronunciar sobre o caso. Alcineu afirma que após o ocorrido o sentimento é de humilhação.

– Me sinto completamente humilhado. E essa é pergunta que eu deixo para o prefeito Ariano Moreno: é para isso que nós pagamos os nossos impostos? Para sermos tratados desse jeito em uma unidade de saúde, onde deveríamos ser tratados com carinho e respeito? – questionou.