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DERROCADA

Região dos Lagos perde quase 6 mil postos de trabalho no primeiro semestre

Resultado é o pior desde que 2007, mas dados de junho apontam possível recuperação

29 julho 2020 - 20h23Por Rodrigo Branco

A Região dos Lagos perdeu 5.961 postos de trabalho nos seis primeiros meses deste ano, o pior resultado desde o começo da série histórica, em 2007, quando o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), da Secretaria Nacional de Trabalho, passou a totalizar os dados de contratações e demissões dos sete municípios. Entre janeiro e junho, as empresas admitiram 11.475 pessoas e demitiram 17.436. O número de vagas com carteira assinada que foram perdidas na primeira metade do ano, afetado em boa parte pela pandemia do novo coronavírus, é dez vezes maior que no mesmo período de 2019, quando a região viu serem ceifados 596 postos formais de trabalho.

Maior município da região, Cabo Frio viu desaparecer 2.430 vagas no primeiro semestre. De acordo com o Caged, os empregadores cabofrienses contrataram 4.478 trabalhadores e dispensaram 6.908. Prejudicado pela derrocada do setor de serviços, que inclui Turismo e gastronomia, Búzios perdeu 1.774 empregos com carteira assinada, ao registrar 1.553 contratações e 3.327 demissões de janeiro a junho. Os outros cinco municípios também fecharam a primeira metade de 2020 no vermelho: São Pedro da Aldeia perdeu 735 postos de trabalho; Araruama (365); Arraial do Cabo (332); Saquarema (260) e Iguaba Grande (65).

A crise no setor de serviços, por conta do fechamento das cidades, incidiu diretamente no mercado de trabalho. O segmento foi o que mais perdeu vagas formais na primeira metade do ano (3.414) e também o que teve mais demissões (8.587), contra 5.173 contratações. Os destaques negativos foram Cabo Frio (1.423 vagas a menos), Búzios (1.423) e Arraial do Cabo (306), três municípios que dependem fortemente da atividade turística. O fechamento do comércio não essencial em parte do primeiro semestre fez o setor demitir 7.171 trabalhadores e contratar somente 4.467. A quantidade de postos de trabalho fechados foi de 2.704.

O presidente da Associação dos Hotéis de Cabo Frio, Carlos Cunha, disse que o prejuízo com o fechamento do Turismo por quatro meses foi ‘imensurável’ e aposta em uma recuperação lenta para reabsorver a mão de obra demitida durante a pandemia. O setor teve permissão de voltar a operar no último dia 15 no município, mas com restrições.

– Foram quatro meses de portas fechadas, faturamento zero e, pior, com alta de inadimplência. Temos hotéis que não conseguiram receber o faturamento do Carnaval.  Então está sendo bem complicado. Estamos com uma recuperação bem lenta. Estamos trabalhando bem no fim de semana, durante a semana não. A gente está com limite de 40% de ocupação que, por mais que a gente consiga atingir, o que não aconteceu ainda, não paga as contas. Tanto que a gente ainda não conseguiu recontratar todas as pessoas que a gente demitiu. Com 40% de ocupação não tem como recontratar, não teria como pagar, nem teria o que eles (funcionários) fazerem no hotel. Acredito que a partir de setembro, se a pandemia estiver mais bem controlada, vão flexibilizar um pouco mais – avalia o hoteleiro.

Os dados do Caged referentes a junho realmente apontam para uma recuperação no mercado de trabalho, mas ele não vem do segmento de serviços nem do comércio. O setor de indústria proporcionou a criação de 466 vagas de trabalho (570 admissões e 104 demissões). Ao todo, no mês passado, a região criou 135 postos de trabalho, sendo 1.470 admissões e 1.335 demissões. Cabo Frio impulsionou a alta, com 331 vagas criadas (824 contratações e 493 dispensas). 

O economista Alexandre Delvaux vê o reaquecimento do mercado de trabalho, mas fez algumas ressalvas sobre a qualidade das vagas criadas.

– Essa redução do número de postos é uma situação que atingiu quase toda a economia do setor privado, exceto o setor exportador, o agronegócio e supermercados, diferentemente do setor comercial. A recuperação anunciada é um alívio, apesar de refletir certa precarização das relações de trabalho e o aumento da informalidade. No caso da indústria, setores de produção de bens não duráveis estão reagindo bem em resposta ao impulso da demanda. O fato é que a reabsorção da mão de obra sem ocupação será diferente, de acordo com a demanda do setor – comentou o especialista, que prosseguiu.

– No caso da Região dos Lagos, a retomada depende da recuperação do turismo, do preço do barril de petróleo, do desempenho econômico que pode indicar o surgimento de novas vagas. As políticas públicas também podem acelerar a recuperação – analisou.

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