Assine Já
terça, 07 de dezembro de 2021
Região dos Lagos
25ºmax
19ºmin
TEMPO REAL Confirmados: 53752 Óbitos: 2196
Confirmados Óbitos
Araruama 12500 448
Armação dos Búzios 6589 73
Arraial do Cabo 1755 93
Cabo Frio 15618 902
Iguaba Grande 5581 147
São Pedro da Aldeia 7054 290
Saquarema 4655 243
Últimas notícias sobre a COVID-19
Geral

Reforma de praças de Cabo Frio é alvo de auditoria

Prefeitura apura pagamentos de contrato de manutenção dos espaços, que estão abandonados

07 junho 2019 - 09h08
Reforma de praças de Cabo Frio é alvo de auditoria

RODRIGO BRANCO e ALEXANDRE FILHO

 

A mesma praça, o mesmo banco e por aí vai. Os versos são da vinheta de um antigo programa humorístico da TV, mas para a Prefeitura de Cabo Frio, o assunto não tem graça. Sem dinheiro para reformar os espaços de lazer da cidade, a atual gestão municipal investiga internamente um contrato de R$ 1.051.992,96 para reforma e manutenção das praças da cidade. O documento foi assinado em 25 de abril do ano passado, pouco antes da saída do ex-prefeito Marquinho Mendes do cargo por decisão da Justiça. A escolha da empresa responsável foi feita por licitação, na modalidade tomada de preços, nº 008/2018.

De acordo com o Portal da Transparência, o valor total do contrato foi empenhado (separado e já comprometido para o pagamento) no dia anterior à assinatura. Desde então foram pagos R$ 645.964,20 (61% do valor do contrato) em 11 parcelas de diferentes valores. O parcelamento está previsto no contrato, mediante a comprovação do andamento das obras e de medições feitas por técnicos. O acordo foi assinado pelo período de 12 meses.

O problema é que, conforme a reportagem apurou ao percorrer várias praças do município, a precariedade nas condições de conservação em diversas áreas de lazer coloca em dúvida a eficácia do serviço ou que ele tenha sido, de fato, iniciado. Grades enferrujadas e com risco de cair; brinquedos infantis quebrados; piso desnivelado; entre outros problemas, colocam em risco adultos e crianças que frequentam os espaços.  

No momento, a Controladoria Geral do Município faz uma auditoria para apurar os responsáveis por autorizar e fazer os pagamentos e as condições em que o contrato foi celebrado. A reportagem entrou em contato com a Controladoria Geral, que não quis se manifestar até que a apuração dos fatos seja concluída. O assunto é tratado com cautela. Caso sejam constatadas irregularidades, será feita uma tomada de contas e a documentação será enviada para o Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ) e o Ministério Público.

Condições de algumas praças melhores do que as de outras   – A reportagem da Folha esteve em praças de diversos bairros como Centro, Jardim Caiçara, São Cristóvão e Passagem e pôde verificar que os espaços estão em condições diferentes de conservação.

A Praça de São Cristóvão, por exemplo, é uma das mais frequentadas pela população por conta das quadras esportivas e áreas de lazer. O local encontra-se com muitos problemas estruturais, a começar pela área de recreação infantil, que tem vários brinquedos destruídos e enferrujados. Em alguns equipamentos, pregos expostos representam risco de acidente à população. As grades das quadras encontram-se parcialmente danificadas e o mato alto dá aspecto de abandono à área. Frequentadores reclamam de falta de segurança. 

– Pelo o que eu vejo tem que melhorar praticamente tudo, a praça está abandonada. É só ver essa área onde as crianças deveriam brincar, não tem um brinquedo em pé direito. Além disso, o banheiro daqui também está horrível, uma porcaria, é impossível utilizar. É preciso que se faça algo logo sobre tudo isso – diz o segurança Rodrigo de Oliveira Almeida, 28.

Nas duas praças do Jardim Caiçara, a situação é semelhante. Na área de lazer que fica entre as ruas Áustria e Inglaterra, próximo ao posto de saúde, os brinquedos do parquinho estão inutilizáveis. No espaço público da rua Abigail dos Santos, o quiosque está fechado e abandonado, e o mato alto também toma conta do local. O comerciante Jorge Gonçalves, 67, engrossa o coro dos descontentes com o abandono.

– Essa praça [Abigail] está largada. O pessoal até usa, mas é complicado. Por exemplo, sem as grades, a bola cai no meio da rua e fica perigoso para as crianças. Sábado passado quase um garoto foi atropelado. E sem contar esse mato que está enorme. A última fizeram o serviço de poda foi no início do ano – queixa-se.

Em alguns locais, a situação está melhor. Coincidência ou não, a Praça Tiradentes, onde fica o prédio da prefeitura é uma das mais bem cuidadas da cidade, limpa e arborizada, apenas com algumas pedras portuguesas soltas. A menos de um quilômetro dali, na Praça Gentil Gomes de Faria, no começo da Avenida do Contorno, um muro e uma grade caídos na quadra de areia são perigos para os pedestres. Os equipamentos de ginástica dos idosos estão enferrujados e as mesas que servem de tabuleiro encontram-se sem o tampo de granito. Em menor escala, as praças São Benedito e da Bandeira apresentam problemas pontuais. Na última, por exemplo, a base da tabela de basquete está enferrujada.

No coração da cidade, a Praça Porto Rocha foi reformada pela última vez há sete anos e já encontra marcas do desgaste pelo tempo e também pelo vandalismo. Bancos estão sem o acabamento lateral de granito e algumas canaletas para o escoamento de água sem a grade, o que representa risco para os pés que passam apressados pelo local. O banheiro do coreto é outro motivo de reclamação.  

– Tirando o óbvio da infraestrutura que todo mundo vê, são duas coisas principais que precisam mudar: acessibilidade e a questão dos banheiros, que não tem a mínima condição de uso – comenta o engenheiro ambiental João Bruno, 26.