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Radioterapia pelo SUS só em 2016

Provedor do Santa Izabel, Marcelo Perelló diz que Estado alega crise como motivo

11 agosto 2015 - 08h59

Tido como um importante avanço no combate ao câncer em Cabo Frio e no interior do estado, o primeiro centro de Radioterapia da região, inaugurado há dois meses e meio, está funcionado apenas para pacientes de planos de saúde ou que estão pagando pelo tratamento.
Em entrevista ao programa ‘Folha ao Vivo’ (Rádio Cabo Frio AM 1.530 Khz) de ontem, o provedor do Hospital Santa Izabel, o médico Marcelo Perelló, disse que apesar de o representante da Secretaria Estadual de Saúde na cerimônia de inauguração, o superintendente de Atenção Especializada, Nelson Cardoso, ter dito que se empenharia pela assinatura de um convênio entre o Governo do Estado e a clínica Onkosol, responsável pelo empreendimento; na prática, as conversas não avançaram. Na realidade, segundo Marcelo Perelló, as tratativas estão descartadas para este ano, devendo ser retomadas apenas em 2016.
– Esses centros da alta complexidade são custeados pelo Estado, que disse que não tem recursos. Esperamos retomar o diálogo no ano que vem, porque para esse, eles já disseram que nem pensar. Estávamos com a expectativa de começar esse ano a tratar cirurgia de cabeça e pescoço, mas depende da radioterapia. Não adianta começar sem ela. O sonho ficou adiado para 2016. É frustrante porque não foi fácil nem barato – lamenta o médico, que estima o custo total do Centro de Radioterapia em R$ 6 milhões, recursos inteiramente privados.
Aliás, de acordo com Perelló, é justamente a harmonização entre receitas e despesas o maior desafio para o Hospital Santa Izabel, administrado pela irmandade do mesmo nome. Mesmo com as apregoadas dificuldades financeiras do município, parceiro da instituição, ele afirma que a relação já teve ‘momentos piores’ no que diz respeito ao cumprimento dos compromissos por parte da Prefeitura. Segundo ele, no atual momento, mesmo planos de saúde tem atrasado os repasses.
– É extremamente complicado administrar isso. Um dos princípios da administração é a programação de custos, o recebimento, tanto em valores como em previsão de data. Com a crise, o que ocorre é a dificuldade no recebimento, porque o dinheiro fica mais escasso e a gente fica com meses ‘maiores’. Tenho uma programação de receber a cada 30 dias, se eu recebo com 40 dias, eu não vou pagar uma despesa de 30 e sim de 40. Esse dinheiro não é compatível com um mês de 30 dias. Essa é uma grande dificuldade. Tem que tentar controlar custos e despesas. Saber o que é despesa e investimento – explica o provedor.
E passa justamente pelo equilíbrio financeiro a sustentação de uma vocação secular para a filantropia e ajuda aos mais necessitados. De acordo com Perelló, atualmente 60% dos pacientes atendidos no HSI são do SUS, enquanto o restante é particular ou chega por meio dos planos de saúde. Para justificar a equação, Perelló comentou que são os recursos obtidos no tratamento dos pacientes particulares que custeia o atendimento gratuito que, garante o médico, tem a mesma qualidade e dedicação do serviço pago.
– O custo do paciente SUS é muito alto. O valor que recebemos não dá para custear isso, porque tudo é muito caro. Quando eu invisto para atrair o paciente particular, é para conseguir receitas para o tratamento do paciente SUS – avalia.
Fundado em 1912, o hospital vive, apesar da crise, um momento de expansão. Além do Centro de Radioterapia, Perelló comemora a construção de uma ala de novos consultórios para o que pretende transformar em um grande complexo de medicina. A propósito, o próprio Centro foi erguido sobre bases que permitirão construir até meados de 2016, novos quartos, uma maternidade, além de ampliar o centro cirúrgico.