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entrevista

'Que fique bem claro que não sou candidato de Alair'

Em exclusiva, Paulo Cesar fala sobre suas propostas, além de relação com Alair Corrêa

16 setembro 2016 - 06h57
'Que fique bem claro que não sou candidato de Alair'

Em 2004, ficou no quase. O médico Paulo César da Guia foi separado da Prefeitura de Cabo Frio por cinco mil votos – um número não tão grande se levarmos em conta o número de eleitores da cidade. Ele foi derrotado por Marquinho Mendes e acabou fincando o pé no Congresso Nacional, de onde saiu em 2014. Agora, ele volta para concorrer novamente ao cargo do qual esteve perto e, à moda dos outros candidatos, faz questão de negar qualquer vínculo com o prefeito Alair Corrêa (PP), por mais que o mesmo tenha declarado que o tucano é seu candidato. Esta é a quarta entrevista da série com os prefeitáveis de Cabo Frio.

Folha – Por que você quer ser prefeito de Cabo Frio?

Paulo Cesar – Quero ser prefeito pois me considero preparado para ser prefeito de Cabo Frio após a minha experiência como vereador, a minha experiência de dois mandatos de deputado federal, quero ser prefeito porque tenho muito a oferecer à cidade.

Folha – Na eleição passada você deixou de se candidatar para compor com Alair. Inclusive fazendo indicações a algumas secretarias. Como propor mudança após uma aliança tão forte com o governo de Alair?

Paulo Cesar – Eu realmente tirei minha candidatura, pois queria acabar de cumprir o meu mandato como deputado. Compus com Alair e indiquei algumas secretarias, mas que não foram me dadas essas secretarias. Não foi cumprido comigo a secretaria que eu teria no governo, que seria só a de Indústria e Comércio. Os restantes dos cargos seriam coordenadores, subsecretários. Secretaria em si foi só Indústria e Comércio, o que não foi cumprido em sua totalidade.

Folha – Então, o fato de não ter sido cumprido torna você um adversário?

Paulo Cesar – Não só por não ter cumprido, mas pelo fato de eu não ter recebido o apoio que eu dei em 2012. Não recebi esse apoio em 2014, para deputado federal.

Folha – Existe uma mágoa por Alair não te ter ajudado a vencer a eleição?

Paulo Cesar – Não existe mágoa, não. Acho que, na política, as pessoas ou cumprem ou não. Se ele achou por bem não cumprir o compromisso e ter o meu apoio e do meu grupo, não tenho como falar por ele. Não tenho mágoa, não sou de fazer política pelo retrovisor. Olho para trás apenas para não cometer os mesmos erros que os outros.

Folha – Para ficar claro, na questão da secretaria, que você diz que não foi entregue na totalidade o acordo. Por quê? A indicação não foi aceita?

Paulo Cesar – Ele deu a Secretaria de Indústria e Comércio, mas esvaziou totalmente a secretaria, não deixou que tivéssemos autonomia sobre ela. Indicamos uma pessoa superbacana, preparada, um comerciante de sucesso na cidade, que é o José Martins, para que tocasse, inclusive o aeroporto. Mas aos poucos a secretaria foi sendo esvaziada e, além de não termos autonomia, o próprio secretário também foi sendo esvaziado. Passou a ter um cargo de formalidade, até a extinção da secretaria, que foi acoplada com outras.

Folha – Na posse do atual prefeito você disse que “o povo de Cabo Frio precisava de Alair Corrêa, como grande administrador que sempre foi”. Hoje, você reitera o que disse?

Paulo Cesar – Reitero, devido às condições que o ex-prefeito Marquinho Mendes deixou Cabo Frio naquele momento, com a cidade parecida como estava hoje. Salários atrasados, greve, cidade suja, tudo isso no governo de Marquinho. Enxergamos em Alair Corrêa, que já tinha três mandatos de prefeito, uma pessoa preparada. Naquele momento de 2012, eu reitero isso. Mas não só eu, como 60 mil pessoas que votaram nele, também se sentiram decepcionadas. O que temos de fazer agora é não botar a culpa no eleitor, por ter votado, mas resgatar a dignidade e a confiança no voto dos eleitores.

Folha – Você continuaria dizendo que Alair é um grande administrador?

Paulo Cesar – Não, eu vejo agora que ficou provado que ele só foi bom administrador, assim como o ex-prefeito, quando Cabo Frio tinha muito dinheiro, vindo dos royalties. Administrar com fortuna é fácil, mas o atual prefeito e o ex-prefeito mostraram que sem recursos eles não são bons administradores.

Folha – Dia 8 de julho, Alair anunciou apoio à sua candidatura. Pouco depois você anunciou à Folha que não tinha nada a declarar sobre esse apoio. Agora, você tem algo a declarar?

Paulo Cesar – Tenho a declarar, sim. Porque a partir do momento que ele disse, na época, que não seria candidato, o que aconteceu foi que o governador Dornelles me chamou no Rio de Janeiro e disse que o Alair não é candidato e que têm a nominata de vereadores deles, e que gostaria que eles caminhassem comigo. Apoio a gente não nega. É uma legenda importante, com uma nominata de vereadores importante. E ele enxergou, naquele momento, que gostaria que o PP caminhasse com o Doutor Paulo César, e não com o PDT, com o ex-prefeito, com outros candidatos. Então, eu aceitei prontamente e o PP foi caminhar comigo.

Folha – Você é o candidato de Alair? Pois muitos dizem que Paulo Cesar é o candidato de Alair, e vê-se inclusive pessoas da equipe dele, da comunicação, cobrindo seus eventos. Então fica essa imagem.

Paulo Cesar – Claro, é uma dúvida, sim, mas que fique bem claro. Eu não sou candidato de Alair. Nem do ex-prefeito. Sou candidato do PSDB, do 45, e não vou recusar apoio de quem quer que seja. Mas eu não sou candidato de Alair, não tenho pessoas de Alair, secretários de Alair, não tenho secretaria de comunicação junto comigo.

Folha – Você aceitaria Alair no palanque?

Paulo Cesar – Não, em hipótese alguma. Porque Alair chegou a uma condição em que ele está totalmente rejeitado.

Folha – Ele tira votos?

Paulo Cesar – Sim, ele tira votos. Tanto que se, ele tivesse votos, ele não abriria mão de ser candidato para prefeito de Cabo Frio, depois de 50 anos na política. Ele estaria na rua, abraçado com o filho, com os sobrinhos, pedindo votos. Mas não se sente em condições disso e a sociedade já provou que não quer vê-lo nesse processo esse ano.

Folha – Há uma foto sua no congresso, na sessão do impeachment da presidente Dilma, que repercutiu muito. Alguns o chamaram de oportunista. Como você rebate essa crítica?

Paulo Cesar – Não vejo como oportunismo a partir do momento que estou diplomado como suplente. Então, tenho acesso à Câmara. Tenho 56 anos de idade e não sei se eu teria outro momento tão importante desses para participar na política brasileira. Tivemos o impeachment em 92 e, agora, 24 anos depois, outro. Infelizmente, diga-se, pois é um momento ruim para um país tão novo. Mas como homem público, diplomado suplente deputado federal, eu quis participar. Além da questão do partido, de companheiros que temos na Câmara, colegas, amigos. Eu queria estar lá, influenciando e pedindo aos colegas para que pudéssemos votar ‘sim’ ao impeachment.

Folha  – No seu mandato, você era da base do governo. Não seria contraditório, agora, você defender o impeachment?

Paulo Cesar – Não vejo contradição, porque fui deputado nos dois mandatos do presidente Lula e no primeiro da presidente Dilma. Mas esse mandato eu enxerguei que eles conseguiram colocar o país no fundo do poço. Um país que já avistava ser a sexta economia mundial. O PT se encarregou de botar o Brasil lá pro fundo, de falir a Petrobras, de levar muito dinheiro do país para o exterior... Estavam compondo uma revolução bolivariana, uma ditadura civil na América do Sul. Composta por Bolívia, por Equador, por Venezuela...

O que quebrou, para que não levassem esse plano avante, foi a morte do Hugo Chávez. Perderam um braço ali, e essa fortuna que foi desviada para o exterior era justamente para isso. Para que acontecesse essa ditadura civil composta por quatro países da América do Sul, e era preciso muito dinheiro para isso. Queriam se eternizar no poder, para nunca mais saírem. Vi essa situação de perto e fiz questão de estar lá pelo impeachment. Pessoas dão sinônimos: oportunista, papagaio de pirata... Mas eu quero dizer o seguinte: somos mais de 200 milhões de brasileiros. Só 523 tinham oportunidade de estar ali naquele momento. Eu tive. E quis participar de perto

 

Folha – Se eleito, qual vai ser a sua primeira medida para cortar gastos em Cabo Frio?

Paulo Cesar – Um choque de ordem em seis meses. Vamos arrumar a casa, ajustar as contas e colocar Cabo Frio para funcionar. Não precisa fazer mágica, construir nada agora. Temos uma cidade que tem sete hospitais e 48 postos de saúde. Basta botá-los para funcionar direito. A UPA do Parque Burle, que vamos abrir imediatamente, é um ponto importante desse complexo. A mesma coisa são as escolas: vamos dar condições para os professores, com escolas reformadas, salário em dia e dando aula.

Folha – Mas do ponto de vista de gestão, como viabilizar isso? O prefeito diz que a cidade está falida...

Paulo Cesar – Cabo Frio hoje vem sendo mal administrada, deixando recursos escaparem. A torneira está muito aberta e o dinheiro está indo embora. Cabo Frio pode gastar 2 milhões de reais por dia. Seriam 730 milhões por ano. E Cabo Frio tem esse orçamento. Até mais. Não está pobre.

Folha – Não vai haver contenção de despesas?

Paulo Cesar – Logicamente que será feita uma avaliação. Se encontrarmos funcionários fantasmas, serão demitidos. Número de contratados, se em excesso, também será cortado. O PCCR [Plano de Cargos e Salários do servidor] será mantido, como direito adquirido do trabalhador. Eu que sempre fui sindicalista, presidente do Sindicato dos Médicos. Sei que em direito adquirido você não mexe. Mesmo que tenha algo que possa ser feito na Justiça, eu não farei. Pagarei as contas da Prefeitura, farei ajustes. Porque a dívida não é do prefeito. É da Prefeitura. Me comprometo a quitar todas as dívidas.

Folha – Sobre o PCCR, você falou sobre direito adquiridos. No entanto, na implatanção do plano, você foi a favor?

Paulo Cesar – Eu fui a favor. E digo mais, eu acho que o Marquinho não teve preocupação com o servidor. Foi um ato político. Oito anos de mandato e nos últimos dois meses é que teve preocupação? É um ato político. Mandou para a Câmara para ser aprovado. Fui favorável, mas acho que o ex-prefeito demorou a enxergar a importância. Não foi uma atitude ética. Quis na saída fazer isso.

Folha – Quando vemos na TV, você diz que em seis meses vai tirar a cidade do caos. É muito impressionante porque contrasta com o cenário nacional, de crise. Essa previsão não é ilusória?

Paulo Cesar – Não é ilusória. Eu acho que se, um candidato hoje disse que com um mês ou dois meses Cabo Frio estará com a sua vida estabilizada, estará mentindo. Mas tenho a certeza que estou preparado para isso e estou preparando equipe,  com metas de governabilidade para que em seis meses estejamos com a cidade funcionando: hospitais, a UPA reaberta, escolas funcionando, folha salarial em dia, cidade limpa, ruas consertadas, calçadas consertadas, lixo retirado. E a partir de julho iremos traçar as metas para o crescimento de Cabo Frio.

Folha – Você vê necessidade de pegar empréstimo?

Paulo Cesar – Não vejo necessidade do empréstimo. O orçamento deve chegar a R$850 milhões no ano que vem e eu vejo que não há necessidade de empréstimo. O ex-prefeito teve R$ 8 bilhões. O atual teve mais de R$ 2 bilhões. Foram R$ 10 bilhões em dez anos. E o que foi deixado?

Folha – Eles são incompetentes?

Paulo Cesar – São incompetentes e fizeram vista grossa ao desvio do dinheiro público.

Folha – Quais são seus planos para a Educação? Vai manter o ensino médio municipalizado?

Paulo César – Acho que o ensino médio, o Rui Barbosa, por exemplo, sempre foi um colégio que os alunos tiveram orgulho. Acho que ele tem de ser mantido. Acho que não vai ser uma escola de ensino médio que vai dar problemas nos cofres públicos. Sobre a Educação, o primeiro plano, que é uma agonia tanto para pais como alunos, é estender o ano letivo de 2016 até março de 2017. Faremos uma grande organização em torno disso, através do Conselho Municipal de Educação, Sepe, pais de alunos, para que possamos estender esse ano letivo e, em abril, iniciar o de 2017.

Folha – Saúde também é um ponto questionado, com inúmeros secretários em três anos. O que você pretende fazer para essa área?

Paulo Cesar – Essa é a nossa área. Com 33 anos formado em medicina, conheço de perto os pontos frágeis da nossa Saúde. Sabemos que é uma área que há necessidade de muitos recursos para fazer uma medicina de qualidade. Veja você, nunca fui convidado para ser secretário. Cheguei a ser cogitado pelo meio da medicina, mas nunca fui convidado. E pior. Nunca fui ouvido, sequer, sobre as diversas sucessões de secretários que passaram pelo cargo.

Folha – Você tem mágoa disso?

Paulo Cesar – A gente fica ressentido, pois sempre fui muito dedicado na minha profissão. Sou concursado de Cabo Frio. E estar dentro de um processo na sua cidade, onde você é visto como homem público e um excelente médico e vendo pessoas serem escolhidas que não têm capacidade de ocupar o cargo e você não ser nem ouvido, né? Não ser consultado.

Mesmo que não fosse eu, fosse outro médico a ser ouvido. Mas, não. Eram ouvidas pessoas que não tinham nada a ver com a saúde. Iam por amizade, cargo político, simpatia, nunca fui ouvido. Nós temos  que colocar os hospitais para funcionar, o que é urgente. Precisamos dos postos de saúde funcionando, o que é importantíssimo, que é medicina primária, pois prevenindo você evita que as pessoas cheguem até a internação. Temos de fazer uma medicina preventiva, de ponta, reabrir a UPA, colocar hospitais para funcionar, reabrir o Ibascaf.

 Acabou o negócio de ficar só um plano de saúde em Cabo Frio. Um hospital inclusive que não é da Unimed. A Unimed utiliza principalmente o Santa Izabel, que é uma Santa Casa filantrópica, e eles têm bastante benefícios por isso. A Santa Casa filantrópica tem um número imenso de isenções fiscais. A Unimed se utiliza do Santa Izabel, faz convênios com outras clínicas, mas terá de ter competência para se estabilizar na cidade. Cabo Frio não pode ficar só no SUS e na Unimed. Vamos abrir para que outros planos como a Amil, Golden Cross, Bradesco Saúde possam ter a sua rede própria de atendimento em Cabo Frio. E ampliar e fortalecer o maior plano de saúde do país, o SUS.

Temos que dignificar nosso atendimento dando condições de trabalho. É prioridade para mim resolver a questão de leitos de UTI em Cabo Frio. Não se pode ter pessoas morrendo à espera de leitos de UTI numa cidade com 60 leitos de UTI. Qual cidade tem 60 leitos de UTI do porte de Cabo Frio? Mas só tem 10 disponíveis para o SUS. Os outros 50 não têm disponibilidade para clientes do SUS. Eu vou chamar essas clínicas, como prefeito, porque não pode. Vamos juntar todos que têm leitos de UTI em suas clínicas e fazer parceria público-privada para que as pessoas não morram por falta de vaga.

Folha – E o que fazer em relação ao Ibascaf?

Paulo Cesar – Uma auditoria. Vou rever junto dos dependentes do Ibascaf a questão da Saúde. Alguns são atendidos pelo Ibascaf, mas a maioria dos exames que eles fazem é feita pelo SUS. Então, o que eu penso é que, se melhorarmos o SUS, os Ibascafianos, em vez de serem atendidos no Ibascaf, seriam atendidos na rede SUS. O Ibascaf seria apenas para cuidar da previdência. Da aposentadoria, benefícios, afastamento. Assistência de saúde do Ibascafiano seria feito por uma rede conveniada que daria essa assistência.

Folha – No secretariado, você se comprometeria a ter nomes majoritariamente técnicos ou faria indicações políticas?

Paulo Cesar – Não vou fazer indicações políticas. Todos já estão avisados. Serão totalmente técnicas. Político tem de cuidar da outra parte. Políticos vão fazer o seguinte: na área de Saúde, por exemplo, os políticos estão encarregados de fazer o lobby da cidade lá em Brasília. Têm habilidade para isso: fazer política. Agora os técnicos, com total capacidade, serão os nossos secretários.

Folha – Qual a sua ideia sobre a máquina pública municipal?

Paulo Cesar – Temos que ver. É uma secretaria super importante, a de Administração, e precisa de uma pessoa capacitada para comandá-la, que possa primeiramente fazer uma auditoria para termos conhecimento do que é que nós temos. Vai ajudar muito se Alair cumprir o que ele falou na rede social, que a partir de 15 de outubro, ganhe quem ganhe, ele irá começar a fazer a transição de governo. Se ele cumprir isso, em dois meses e meio de transição, você já chega bem amparado em janeiro. Onde terá que cortar na carne. Onde estão as feridas que não cicatrizaram.

Folha – Você acha que o grupo que está com você hoje é suficiente para compor o governo ou lá na frente você aceitaria trazer grupos que estão com seus adversários?

Paulo Cesar – Com certeza. Eu acho que a cidade se divide até 2 de outubro. Depois, ela se junta. Se você vir alguém capacitado no grupo de Marquinho ou de Janio, por que não? Se eu considerar que no meu quadro não existe ninguém para exercer determinada função, estarei buscando em outros quadros políticos.

Folha – E quanto a dezembro, alta temporada? Você investirá em shows e festas de fim de ano?

Paulo Cesar – Eu acho que para atrair os turistas para Cabo Frio a questão não é festa, e sim as belezas naturais. E durante muitos anos as belezas naturais foram deixadas ao abandono, devido à presença dos royalties. Cabo Frio há muito que não tem um secretário de Turismo que possa promover a cidade, levando o nome de Cabo Frio por todo o Brasil, internacionalmente, com feiras, congressos. Depois dos royalties, acho que a indústria do Turismo é que precisa ser explorada, com projetos que atraiam o turista de volta para Cabo Frio, para movimentar a nossa economia. Festa é consequência. Não pode deixar de fazer festa. A cidade tem de ser alegre, mas não pode ser como estava sendo feito. Festas atrás de festas. Sucessivas. Quanto se gastou com essas festas?

Folha – Como você pretende impulsionar geração de empregos nesse momento de crise?

Paulo Cesar – Eu vejo o Turismo como grande alavanca. A partir do momento que o turista vem pra Cabo Frio, ele movimenta todo o comércio, inclusive o de praia, dos vendedores, dos ambulantes, pousadas, hotéis. E trazer empresas, para que elas possam gerar empregos, pois precisamos principalmente gerar empregos para empregar os jovens, colocá-los para trabalhar. Nós já temos o que outras cidades não têm: as praias, a Lagoa de Araruama, nossas dunas, enfim, atrativos que são avocações naturais, e precisamos mostrar isso para o Brasil e para o mundo. Não fiquemos só no turismo que vem de automóvel, o turista que vem de avião.

Temos o aeroporto, o que vem de transatlântico e desembarca em Cabo Frio. Precisamos trazer competições náuticas. Trazer as feiras náuticas. Trazer a indústria naval para que Cabo Frio possa gerar empregos, pois a cidade tem know-how para isso e seria mais um fator de desenvolvimento. Assim como trazer fábricas de enlatados. Temos uma pesca forte. Podemos fazer uma público-privada com a refinaria Sal Ciesne, para que ela possa se capacitar, reestruturando, ampliando e abrindo mais empregos.