As comunidades caiçaras de Armação dos Búzios podem passar a exercer um papel formal na proteção do patrimônio histórico, cultural e ambiental do município. Uma indicação apresentada pelo vereador Anderson Chaves (Republicanos) sugere ao Poder Executivo a criação de um programa de participação comunitária. O objetivo é valorizar o conhecimento tradicional e envolver diretamente os moradores nas ações de cuidado com o território.
A iniciativa toma como ponto de partida o Poço do Jorge, situado na região da Lagoa da Ferradura. A meta do plano, no entanto, é abranger o monitoramento ambiental, a educação patrimonial, a orientação a visitantes, a valorização da memória local e o fortalecimento da cultura caiçara em todo o município.
O texto defende que os povos tradicionais acumulam informações sobre os recursos naturais, a história da ocupação do território e os modos de vida locais. Por esse motivo, os moradores estariam aptos a colaborar com as políticas de conscientização e conservação ambiental.
De acordo com o parlamentar autor da indicação, a responsabilidade pela salvaguarda do patrimônio deve ser compartilhada entre a sociedade civil e a administração pública.
— Quem viveu a história do território precisa participar da sua preservação. Os caiçaras carregam conhecimentos, memórias e referências que ajudam a proteger não apenas os espaços físicos, mas também a identidade cultural da cidade – declarou Anderson Chaves.
Além da indicação do programa participativo, o vereador protocolou na Câmara Municipal um projeto de lei focado no tombamento do Poço do Jorge como Patrimônio Histórico, Cultural e Paisagístico de Búzios. O texto classifica a área como um bem de relevante interesse para a preservação da memória coletiva e das tradições locais.
O projeto de lei também prevê o reconhecimento dos saberes, narrativas, memórias e tradições associados ao Poço do Jorge e às populações tradicionais da região como patrimônio cultural imaterial do município. Os dois expedientes legislativos atuam de forma complementar: o tombamento visa dar garantias jurídicas de proteção ao espaço, enquanto o programa participativo busca estabelecer o protagonismo comunitário na defesa da cultura local.





