Assine Já
sábado, 27 de fevereiro de 2021
Região dos Lagos
27ºmax
21ºmin
Tropical
Tropical mobile
TEMPO REAL Confirmados: 26413 Óbitos: 912
Confirmados Óbitos
Araruama 6711 182
Armação dos Búzios 3191 32
Arraial do Cabo 855 37
Cabo Frio 7283 352
Iguaba Grande 2510 55
São Pedro da Aldeia 3488 126
Saquarema 2375 128
Últimas notícias sobre a COVID-19
EMPODERAMENTO FEMININO

Projeto ensina arte da cerâmica a mulheres do Quilombo Baía Formosa

Desenvolvida pelo Instituto Carlos Scliar e Prolagos, a iniciativa estimula a geração de renda

24 setembro 2020 - 16h07Por Redação

Fomentar a representatividade, a liberdade e a independência das mulheres moradoras das comunidades quilombolas; estimular o potencial criativo; capacitá-las à pesquisa, criação e venda das peças e apoiar na complementação da renda. Estes são alguns objetivos do projeto “Somos divas na luz do candeeiro”, desenvolvido pelo Instituto Carlos Scliar, em parceria com a Prolagos, que oferece oficina de cerâmica a mulheres do Quilombo Baía Formosa, em Armação dos Búzios.

Cumprindo as novas regras de convivência para evitar a propagação do novo coronavírus, com distanciamento, uso de máscaras e álcool em gel, elas se reúnem no jardim da Casa Scliar, em Cabo Frio, onde aprendem modelar a argila, pintar, queimar e inserir ilustrações que tratam sobre a cultura afro-brasileira. “Com a pandemia, precisamos nos adaptar para continuar próximos das comunidades, afinal, esta é uma das funções de um espaço cultural. O principal objetivo deste projeto é auxiliar na geração de renda neste período que mudou a realidade de muitas famílias, em especial, as chefiadas por mulheres”, explica Cristina Ventura, coordenadora da Casa Scliar e idealizadora do “Somos divas na luz do candeeiro”.

Além de colocar literalmente a mão na massa de argila, as alunas fazem uma imersão no universo da cultura, participam de discussões sobre patrimônio histórico nacional, arte e têm acesso ao curso Exercitando a Mentalidade Financeira, oferecido pela Academia Aegea, plataforma de educação corporativa da Aegea, grupo do qual a Prolagos faz parte. “A Prolagos tem como propósito melhorar a qualidade de vida da população onde atua, e, através dos programas de Responsabilidade Social, desenvolve ações voltadas a impactar positivamente o índice de desenvolvimento humano (IDH) dos municípios, em três frentes: saúde, educação e geração de renda. O que nos surpreende é ver em tão pouco tempo como um pequeno estímulo traz às participantes a eclosão de habilidades e atitudes criativas, sustentáveis e empreendedoras”, comenta Francine Melo, coordenadora e Responsabilidade Social da Prolagos.

Logo no primeiro encontro, as alunas vislumbraram a possibilidade de gerarem mais valor para as atividades que desenvolvem no quilombo por meio do turismo étnico ecológico, que atrai visitantes de diversos lugares do mundo. A associação promove um circuito de atividades de resgate da história e da cultura tradicional com trilhas e passeios em pontos turísticos de Búzios, como Mangue de Pedra, Ponta do Pai Vitório, Praia da Gorda, apresentações de música, de danças folclóricas e exposição do artesanato produzido pela comunidade. Para finalizar, os visitantes saboreiam um almoço e participam de uma experiência sobre a cozinha quilombola, degustando pratos típicos da culinária local.

A possibilidade de produzir os próprios utensílios foi muito comemorada pelas participantes. “Este projeto reforça a nossa própria história, pois quando criança usávamos lamparina em casa. Além disso, a oficina de cerâmica veio ao encontro aos nossos anseios, pois já queríamos trabalhar com a argila para produzir pratos, travessas e panelas para usarmos na nossa cozinha e agregar mais valor ao trabalho. Em breve, poderemos produzir os pratos onde serviremos a comida que fazemos e os visitantes ainda poderão leva-los como lembrança”, idealiza Elizabeth Fernandes, presidente da Associação dos Remanescentes do Quilombo de Baía Formosa.

O projeto “Somos Divas na Luz do Candeeiro” faz parte das comemorações do centenário de nascimento do pintor Carlos Scliar, patrono da casa museu, que representou a luminária rudimentar em diversas peças. As divas, nesta edição, são Cássia da Conceição, Eliza Fernandes, Elizete Antunes, Esília Pereira, Elizabeth Fernandes e Valquíria da Conceição. “São heroínas anônimas cujo superpoder consiste numa força imensurável para enfrentar inúmeros desafios diários, mesmo tendo sido privadas de muitos dos direitos e garantias fundamentais”, acrescenta Francine Melo.

A ação afirmativa visa dar projeção à história e cultura quilombola e está alinhada ao programa de diversidade e igualdade racial Respeito Dá o Tom, desenvolvido pela Prolagos e todas as empresas do grupo Aegea. Ao final das oficinas, as participantes receberão equipamentos e ferramentas para darem continuidade à fabricação das peças em suas casas e poderão utilizar o forno da instituição para finalizar a produção.

 

Descubra por que a Folha dos Lagos escreveu com credibilidade seus 30 anos de história. Assine o jornal e receba nossas edições em casa.

Assine Já*Com a assinatura, você também tem acesso à área restrita no site.