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Profissionais de serviços essenciais contam rotina em tempos de pandemia: 'tenho medo, mas não iremos parar', diz PM

Quem está na linha de frente redobra os cuidados e busca manter o controle para enfrentar os dias difíceis; psicólogo dá dicas 

26 março 2020 - 21h07Por Tomás Baggio

A rotina tem sido estressante. Em meio a uma pandemia mundial, alguns profissionais não podem se dar ao luxo da reclusão. São pessoas que trabalham em serviços essenciais e, mesmo com o risco, precisam estar nas ruas. Policiais, entregadores, agentes de saúde, atendentes de farmácias e supermercados, frentistas, garis e outros profissionais da linha de frente estão redobrando os cuidados e buscando manter o controle para enfrentar os dias difíceis.

O policial Sandro Nunes, subtenente da Polícia Militar lotado no 25º Batalhão (Cabo Frio), sente a pressão, mas cumpre firme o dever profissional. A diabetes e a pressão alta, ambas sob controle e acompanhamento médico constante, fazem o profissional de 50 anos de idade, 32 dedicados à corporação, ter ainda mais atenção.

– Normalmente eu trabalho no regime de expediente, de segunda a sexta. Porém, com o surgimento da pandemia e por determinação do comando da Polícia Militar, estamos agora no regime de dia sim, dia não. Sendo que no dia não trabalhamos em home office. Tenho feito, no local de trabalho, a limpeza com mais frequência e uso contínuo de álcool em gel. Em casa, minha esposa e meus filhos me chamam de louco. Mas gosto muito do meu trabalho – afirma ele, listando os cuidados que toma ao chegar em casa. 

– Quando chego em casa deixo a farda e todo equipamento no quintal. Embrulho e entro de cueca. Vou direto pro chuveiro. Acabo e coloco roupa limpa e, aí sim, beijo a esposa e filhos. Depois coloco tudo na máquina de lavar para o dia seguinte. No serviço e em casa evitamos o contato próximo – completa.

Sandro faz parte da equipe que deu início, nesta semana, à "Ronda Covid-19". O trabalho inclui orientar a população nas ruas, inclusive com equipamento de som instalado na viatura, além da distribuição de álcool em gel para os policiais que atuam na cidade e produtos para higienizar as viaturas.

– Os profissionais de segurança são essenciais neste momento de exceção. Me dedico ao máximo para atender a população. Saio e volto com todo gás, assim como muitos outros colegas que também se dedicam. Tenho medo? Tenho. Mas nós não iremos parar. Não é a primeira vez que a PMERJ é colocada à prova e dá conta do recado – orgulha-se o subtenente.

O chefe da Guarda Civil Municipal de Cabo Frio, Adson Lopes, afirma que a rotina tem sido cansativa para os agentes, mas não se queixa. Por apresentar sintomas de gripe nos últimos dias, ele diz tomar ainda mais cuidado para evitar contatos.

– Minha rotina foi alterada drasticamente, pois não tenho horário certo devido à correria do serviço e devido à desobediência de alguns. Temos que estar nas ruas o tempo todo, o que se torna bem cansativo para mim e para todo o efetivo da Guarda. Pessoalmente, as precauções são basicamente o que a OMS (Organização Mundial da Saúde) fala a respeito dos cuidados. Muito álcool em gel fora de casa, dentro de casa e da base da guarda o tempo todo lavando as mãos com água e sabão, e por estar gripado também faço uso da máscara, sem muitos contatos e respeitando sempre uma distância segura ao conversar com alguém – explica Adson.

A mudança na rotina acaba exigindo mais de algumas categorias do que nos períodos de normalidade, como é o caso dos entregadores. Felipe Cordeiro, que faz entregas para uma padaria tradicional da cidade, viu o número de viagens aumentar exponencialmente os últimos dias.

– A demanda aumentou muito com tudo isso. Acaba rendendo mais para a minha categoria porque as pessoas estão precisando de mais entregas, já que evitam sair de casa – confirma ele, apontando o que mudou na rotina das entregas.

– Na hora de fazer uma entrega eu passo álcool em gel nas mãos. Deixo a pessoa colocar e retirar o cartão da máquina e retirar a encomenda da bolsa. Sempre evitando proximidade no contato.

Psicólogo dá dicas para quem está sob estresse

O psicólogo Nathan Barbosa explica que este tipo de pressão pode provocar uma diminuição da capacidade de decisão, e que é preciso manter hábitos de lazer, cultura e vínculos afetivos para manter a saúde mental.

– Lidar com essas pressões pode acarretar uma série de sintomas que diminuem a capacidade de decisão, além de impactar na vida pessoal. As medidas para dirimir esse problema começam com hábitos terapêuticos de lazer, cultura e vínculos afetivos, aliados com um lugar formal e profissional de cuidado, isto é, um consultório de psicologia – ensina.

Segundo ele, não apenas estes profissionais, mas a população em geral precisa ter cuidado com o grande volume de informações sobre o tema, evitando o alarmismo.

– Se tratando de um problema em grande escala, o principal cuidado individual está no acesso e no repasse de informações oficiais e não sensacionalistas. Neste momento, é importante dosar a quantidade de informações para reconhecer a devida importância das prevenções sem se aterrorizar com elas – diz ainda, dando um importante recado a quem possa ter prejuízos financeiros com a alteração na rotina.

– Aos que foram atingidos financeiramente pelas medidas de restrição, a sensação de impotência pode aumentar a ansiedade e anular os recursos psicológicos que possibilitam adaptar o seu negócio a este momento. Para os que estão aguardando a quarentena passar, é preciso ressignificar a relação com o ócio. O ócio é um privilégio que está cada vez mais distante com o momento histórico de ocupação contínua. Por isso, a capacidade de inovação está diretamente ligada à possibilidade de transformar o tédio em um ócio criativo – aconselha o psicólogo.

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