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Prestação de contas vira desagravo a Meri Damaceno

Secretária poupa prefeito, mas detona influência política de vereadores: ‘abutres’ 

28 junho 2019 - 09h23
Prestação de contas vira desagravo a Meri Damaceno

O que seria apenas uma reunião de prestação de contas da gestão, tornou-se um grande ato de desagravo à secretária de Cultura, Meri Damaceno, após a articulação do governo para tirá-la do cargo, que será ocupado pelo cineasta Milton Alencar Junior, a partir desta segunda-feira. Representantes de diversos segmentos artísticos estiveram presentes em peso, na noite de ontem, no Charitas, para prestar solidariedade à Meri e sinalizar que haverá resistência dos artistas com relação à futura gestão.

A secretária fez um balanço das ações realizadas, como a aprovação do Plano Municipal de Cultura e o trabalho para garantir 1% do orçamento municipal para a pasta. Ao mesmo tempo, demonstrou preocupação com outras questões, como as obras do Teatro Municipal, atrasadas por conta do corte de energia elétrica no prédio e a continuidade dos cursos.

Meri disse que chegou a pensar em entregar o cargo outras vezes, mas que só sairia do cargo caso quisesse ou fosse exonerada. Ela refez a cronologia dos fatos ocorridos nos últimos dias, conforme a Folha já havia antecipado na própria quarta-feira. A secretária evitou críticas ao prefeito Adriano Moreno (Rede), mas reiterou que ficou magoada pela forma como a sua saída do cargo foi conduzida e comentou que ainda não se reuniu pessoalmente com ele após a sua exoneração. Uma reunião entre os dois chegou a ser marcada na própria quarta, mas foi cancelada.

As maiores críticas foram direcionadas aos vereadores. Meri acusou o governo de exonerá-la do cargo por não atender a indicações políticas vindas do Legislativo. A memorialista subiu o tom para falar dos parlamentares, a quem chamou de ‘abutres’.

– Por isso, meu pescoço foi para guilhotina, porque eu não aceitaria bilhetinho de vereador, um bando de vagabundo, que, em vez de trabalhar e honrar o dinheiro vindo de vocês, fica na jugular do prefeito – disparou.

O clima também ficou quente entre os artistas. Algumas opiniões divergentes resultaram em discussões bastante acaloradas. A temperatura permaneceu alta em alguns dos pronunciamentos feitos pela classe artística, como o do ex-secretário de Cultura, José Facury. O diretor teatral acusou o grupo político do novo secretário de tramar contra ele e outros nomes que passaram pelo cargo como Guilherme Guaral, José Correia e Ricardo Chopinho.

– Isso é um desrespeito. São os cupins da cultura. Os cupins não estão nas madeiras, estão na nossa área. É impressionante – ironizou.
Um dos mais indignados com as mudanças repentinas na pasta, o músico e cantor Azul Casu foi outro que criticou duramente a manobra feita pelo governo.  

– A questão é por que mexer numa secretaria que estava dando certo, que ouvia os artistas. E por que a classe artística não foi ouvida nessa mudança. Ele chamaram meia dúzia de artistas, numa convocação não oficial, fizeram transmissão ao vivo na internet e informaram que era classe artística apoiando aquilo. É importante frisar que aquilo não era a classe artística. Então a classe artística quer respostas dessa mudança – disparou. 

Pela manhã, bate-boca nas redes sociais com coordenador da Câmara 

Horas antes da reunião no Charitas, uma postagem no Facebook sobre a saída de Meri Damaceno da Secretaria de Cultura rendeu uma discussão entre ela e o coordenador de Cultura da Câmara Municipal, Ricardo Varella. A postagem foi feita pelo dançarino Allan Lobato. Varella entrou na história e disse que a troca na Secretaria de Cultura “não foi perseguição”. Meri rebateu, chamando o episódio de “traição”.

 A postagem de Allan Lobato foi feita às 7h41. No texto ele dizia:

 – A perseguição já começou, fui removido de dois grupos de cultura de Cabo Frio.

 Allan vinha recebendo a solidariedade de colegas quando, às 8h27, Ricardo Varella, que chamou membros selecionados da classe cultural, a pedido do secretário de Governo, Miguel Alencar, para a reunião de quarta no gabinete do prefeito em que o pai de Miguel, Milton Alencar, foi convidado para ocupar o lugar de Meri na Secretaria de Cultura, respondeu:

– Não foi perseguição. Foi escolha. Admiro a sua arte e o que você faz. Boa sorte – disse Varella, que completou no comentário seguinte:

– Cada um com sua visão da verdade. E a bem desta verdade aquela reunião só aconteceu dois dias depois que a Secretária havia sido comunicada que sairia agora no final do mês. Não participei de nenhuma articulação antes disto – justificou-se.

 Na sequência, às 10h06, Meri respondeu:

 – Foi traição. Especialmente sua, que vivia dando beijinho no meu rosto, me chamando de secretária querida, que me achava a melhor secretária do governo e blá blá blá. Tudo armado com seu protetor Miguel, o seu objetivo sempre foi me tirar da Secult, eu e toda a equipe. Você deve realmente me achar incompetente. Porém quero dizer que o povo da minha cidade não pensa como você. Pessoas que têm atitudes falsas como você e sua corja é que fu* minha terra durante todos esses anos, e você faz parte disso. Espero que sua filha faça bom proveito da portaria que ganhou. Até a acho bastante competente e uma menina merecedora, mas infelizmente ela está entrando na vida pública de maneira equivocada e apadrinhada. Beijos no seu tão generoso e sincero coração – ironizou.