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Crise do coronavírus

Prejuízo para hotelaria de Cabo Frio é de R$ 2,5 milhões em abril e maio, estima associação

Setor já contabiliza mil demissões no município, aponta entidade

14 maio 2020 - 10h05Por Redação

O novo coronavírus impõe um cenário desafiador para muitos segmentos. Um dos setores mais prejudicados pela necessidade de isolamento social é o turismo, com fortes impactos em toda a cadeia produtiva em torno da atividade.

Nas cidades turísticas, a rede hoteleira vem contabilizando prejuízos e buscando saídas para um futuro ainda muito incerto. Em Cabo Frio, o presidente da Associação de Hotéis, Carlos Cunha, estima um prejuízo de R$ 2,5 milhões para o setor nos feriados de abril e maio. 

Segundo Carlos Cunha, a estimativa é feita com base em uma ocupação média de 70% dos leitos cadastrados pela entidade, nos períodos de feriado que foram perdidos nestes dois meses em virtude do isolamento social.

–  Estamos com 97% das unidades fechadas desde o dia 20 de março. Os 3% que estão abertos são apenas com hospedagem de funcionários da indústria offshore. Já são mais de mil demissões em toda a rede. Os que ainda não demitiram, suspenderam os contratos de trabalho dos funcionários, mas, segundo a lei, a suspensão acaba no dia 31 de maio. Depois dessa data, se não houver ajuda, ocorrerá demissão em massa –  afirma.

O setor vem se mobilizando em diversas frentes para tentar amenizar os prejuízos, que serão inevitáveis. Dono do hotel Remmar, o empresário Renato Marins encaminhou à Câmara Municipal um pedido para que a Prefeitura realize o abatimento de impostos municipais, como o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e o ISS (Imposto Sobre Serviços) dos meios de hospedagem.

–  Estar com o prédio vazio e pagar IPTU do prédio todo não tem como sustentar. Isso ajudaria bastante –  considera Marins, que é representante da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH).

– Estou segurando o meu pessoal o máximo que posso. Capital humano é o mais importante, por isso ainda não fiz demissões. Mas não tem como aguentar por mais tempo –  completa ele.

Nesta semana, o perfil SOS Hotéis de Cabo Frio, criado por membros do setor nas redes sociais, publicou uma carta dizendo que não está "lutando para reabrir", que entende os riscos da volta às atividades neste momento, mas que a categoria precisa de ajuda para atravessar o momento.

"Os meios de hospedagem de Cabo Frio pedem socorro. Fomos os primeiros a fechar por conta da pandemia, e seremos os últimos a abrir. Não estamos lutando para reabrir. Sabemos que a liberação das estradas e das praias poderá atrair inúmeras pessoas, aumentando a probabilidade de infectados virem pra nossa cidade. Nós também temos família e estamos temerosos com a doença. Mas precisamos de um meio de sobreviver", afirma o documento.

A carta lista os problemas com contas atrasadas e afirma que o setor não recebe ajuda governamental e não consegue acesso a linhas de crédito.

"Precisamos de empréstimos de fácil acesso para todos, com juros baixos e carência, para podermos ao menos manter nossos colaboradores em casa com o mínimo de dignidade. No caminho que estamos, ao fim da pandemia, não teremos mais hotéis e pousadas com condições de reabrir", diz ainda o texto.

Segundo a Associação de Hotéis, Cabo Frio possui, atualmente, 150 estabelecimentos classificados como hotéis, hostels e pousadas, reunindo cerca de 6 mil leitos. Nos cálculos da Prefeitura, que também contabiliza as hospedarias residenciais cadastradas, são 315 meios de hospedagem, com cerca de 15 mil leitos no total.

O secretário de Turismo de Cabo Frio, Paulo Cotias, afirma ter a exata dimensão do momento dramático pelo qual passa a hotelaria. De acordo com ele, as projeções indicam que entre 60% a 80% do corpo de funcionários da rede hoteleira pode ser atingido com demissões.

–  Estamos falando de uma queda absoluta de arrecadação, na prática. Estamos plenamente conscientes do momento delicado e de grande dificuldade do segmento. Já estamos em alinhamento com a comissão de hotelaria do Convention & Visitors Bureau de Cabo Frio, que possui grande articulação e representatividade no segmento. Temos ouvido propostas e prognósticos bastante sensatos a respeito do cenário. Hoje estamos trabalhando em conjunto para a elaboração de um protocolo e manual de boas práticas para que possamos por em ação assim que o cenário epidemiológico permitir. Além disso estamos em linha com o Governo do Estado, através da Setur-RJ, as instâncias regionais de governança como o Condetur e consorciadas como o Conlestur para que possamos auxiliar na acessibilidade aos programas de crédito que vêm sendo postos em prática, como o recente Fungetur, que está em processo de liberação pelo Ministério do Turismo –  lista Cotias.

Um dos apelos de membros da hotelaria é para que a Prefeitura utilize recursos do Fundo Municipal de Turismo para criar linhas de crédito. 

Segundo o secretário de Turismo, o Fundo dispõe, atualmente, de R$ 116.062,55. Mas, de acordo com ele, a natureza jurídica do fundo determina que o uso deve ser feito em ações de promoção turística e qualificação profissional, e a legislação impede que o recurso seja transferido diretamente às empresas do setor.

–  Não há na prefeitura, atualmente, nem a estrutura administrativa, legal e nem recursos para uma operação dessa natureza. Por isso nossa preocupação em auxiliar para que as linhas de fomento disponíveis cheguem à região –  declara o secretário de Turismo de Cabo Frio.

Segundo as previsões de Paulo Cotias, pode ser possível flexibilizar o funcionamento da hotelaria a partir de julho, "mas dependerá do cenário epidemiológico, da nossa capacidade de atendimento hospitalar e do cumprimento das medidas sanitárias necessárias", informa ainda.

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