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Prefeituras investem em campanhas educativas sobre amamentação

Médico faz alerta sobre os mitos e verdades em torno do assunto: "a recomendação é de que ela seja feita até dois anos ou mais"

18 agosto 2021 - 11h17Por Redação
Prefeituras investem em campanhas educativas sobre amamentação

O artigo 396 da Consolidação das Leis Trabalhistas estabelece que “para amamentar seu filho, inclusive se advindo de adoção, até que este complete seis meses de idade, toda a mulher terá direito, durante a jornada de trabalho, a dois descansos especiais de meia hora cada um”. Esse direito independe de comprovação de necessidade. No entanto, no Brasil, muitas mulheres encontram dificuldade de continuar a amamentação, já que o período da licença maternidade é de cerca de quatro meses, e muitas vezes começa a contar ainda antes do bebê nascer.

Para reforçar a luta pelo incentivo à amamentação, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) criou, em 2017, a campanha Agosto Dourado em alusão à semana do aleitamento materno, que acontece de 1 a 7 deste mês. Na Região dos Lagos, vários municípios adotaram o conceito e estão promovendo campanhas que incentivam as mães a manter a amamentação exclusiva no peito até os seis meses de vida do bebê. Algumas das ações acontecem o ano inteiro, e são reforçadas em agosto.

Em São Pedro da Aldeia, a Secretaria de Saúde possui o Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher, Criança e Adolescente, que realiza o acompanhamento e incentivo ao aleitamento junto às mães que tenham filhos em idade de amamentação. O programa garante apoio ao aleitamento materno exclusivo até os seis meses e continuado até 2 anos ou mais.

Já a Secretaria de Saúde de Búzios preparou uma programação no Hospital Adolpho Perissé, alusiva ao Agosto Dourado, para incentivar o aleitamento materno. A atividade teve início nesta segunda (9) e segue até domingo (15). Nesta sexta tem mobilização no Centro Obstétrico com tema “As dez vantagens da Amamentação”. No sábado a ação acontece no setor de maternidade sobre “Amamentação e Covid-19”; e no domingo tem mobilização interna setor Centro Obstétrico com o tema “Amamentação uma responsabilidade de todos”.

A campanha de incentivo ao aleitamento materno em Iguaba Grande teve início na última semana com palestra sobre  "Proteger o aleitamento materno: uma responsabilidade compartilhada", realizada no espaço Materno Infantil. Ao longo do dia a Secretaria de Saúde debateu outros assuntos referentes ao tema, contando com a participação de uma nutricionista, uma advogada e até uma dentista, além da apresentação do Programa Criança Feliz, realizado pela Secretaria de Assistência Social. O objetivo foi oferecer suporte para as mães e gestantes. 

Além disso, o município também possui o Programa Assistência Integral à Saúde da Mulher, Crianças e Adolescentes, e a Rede Cegonha em conjunto com a Área Técnica Nutrição (ATAN). Juntos eles trabalham programas na Atenção Primária à Saúde, oferecendo assistência desde o planejamento familiar, passando pela gestação até o pós parto, orientando sobre os métodos contraceptivos, preventivo, IST/AIDS, acompanhamento do pré-natal e exames (inclusive do parceiro) durante todo o ano. Esses programas são realizados nas Unidades Básicas de Saúde de forma contínua, e fazem parte do Programa da Estratégia de Saúde da Família.

No Hospital Municipal da Mulher, em Cabo Frio, equipes de enfermagem e pediatria orientam todas as gestantes e parturientes sobre a importância da amamentação durante a gestação e no momento da alta hospitalar. Além disso, a unidade possui o selo “Hospital Amigo da Criança”, há 18 anos. O título foi idealizado em 1990 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo UNICEF para promover, proteger e apoiar o aleitamento materno. Por isso é concedido somente às unidades de saúde que incentivam o aleitamento materno exclusivo até, pelo menos, o sexto mês de vida do recém-nascido. Dentre as medidas para a promoção do aleitamento materno estão a capacitação de todos os profissionais do local. 

Existe, ainda, outro serviço ligado ao Centro de Saúde Oswaldo Cruz, que fica ao lado do Hospital da Mulher. Nele, quando as crianças recebem alta, vão para casa com uma revisão marcada e passam pela sala de amamentação. No período de puericultura, há o acompanhamento e orientação também no atendimento da Atenção Básica do município. O trabalho dos profissionais de saúde é realizado durante o ano todo em ambas as unidades.

No município de Arraial do Cabo o mês do aleitamento materno ganhou programação no Hospital Geral e nas unidades de Estratégia de Saúde da Família (ESF). O objetivo é incentivar a amamentação e esclarecer sobre seus benefícios. Além disso, durante todo o ano o tema é abordado pelas enfermeiras, técnicas de enfermagem, nutricionista e fonoaudióloga dos EFSs. Mães e bebês, quando recebem alta da maternidade, são encaminhados à consulta no posto de saúde com a pediatra. No local elas são aconselhadas sobre a importância da amamentação e incentivadas pelas enfermeiras a amamentar

MÉDICO ALERTA PARA OS MITOS E VERDADES DA AMAMENTAÇÃO.

Em entrevista à Folha, o obstetra Taylor da Costa Jasmim Júnior alertou para os mitos que costumam fazer as mães abandonarem a amamentação antes do tempo previsto. Um deles é o do leite fraco.

“Nenhum leite materno é fraco, nem de uma mulher desnutrida. Há também a concepção de que o leite industrializado é mais forte porque o bebê dorme e engorda mais. O bebê acorda mais rápido quando toma o leite materno porque a sua digestão é mais rápida do que a do leite de vaca, mas isso não quer dizer que o leite materno é mais fraco. Outro mito comum é que se a mãe não estiver com muito leite, pode deixar outra mulher amamentar o seu filho. Cada mãe tem que amamentar o seu bebê. O melhor leite para o filho é o da sua mãe. O leite carrega as características de quem amamenta. Assim a criança cria os anticorpos necessários para a sua saúde tomando o leite da mãe. Na amamentação cruzada há o risco de uma doença infecciosa ser transmitida pelo leite. A saída para a mãe que não consegue amamentar é procurar orientação no banco de leite humano”, orientou.

Outra informação errada, segundo o obstetra, é a de que as fórmulas atuais são quase como o leite materno. Ele alerta que o leite materno é singular, e que o colostro que sai na primeira mamada pode ser considerada a primeira vacina do bebê. A fórmula atual, de acordo com Taylor, tem suas qualidades, mas é feita com leite de vaca, que não traz os benefícios do leite materno, como o aumento da imunidade. 

“Tem, ainda, o mito de que mamadeira e chupeta não interferem no aleitamento. A mamadeira e a chupeta interferem, sim, na amamentação, pelo posicionamento da língua do bebê. A sucção do leite no peito requer um esforço maior do que a da mamadeira e da chupeta. Com isso, quando a mãe oferece o peito e os dois apetrechos, o bebê rapidamente descobre que a mamadeira é mais fácil do que o peito. Isso pode implicar na diminuição do estímulo da produção do leite. Outro mito é que a compressa de água quente ajuda na situação do leite empedrado. A indicação nesses casos é massagem e ordenha do leite. A compressão de água quente, na verdade, piora a situação, porque aumenta a quantidade de leite retido na mama. Consequentemente, a mãe terá mais leite empedrado”, esclareceu.

Folha: Existe uma idade máxima para a amamentação?
Taylor: A amamentação prolongada é indicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde. Pediatras e especialistas em amamentação recomendam a amamentação até dois anos de idade ou mais.

Folha: Até que idade a criança deve se alimentar exclusivamente com leite materno?
Taylor: Até os seis meses de idade. A partir dos seis meses pode iniciar introdução alimentar e manter a amamentação em livre demanda.

Folha: Quais os benefícios do leite materno para a criança?
Taylor: O leite materno dado ao bebê após o parto traz benefícios para a mãe e para o bebê. Em relação ao bebê, o aleitamento materno protege contra doenças, previne a formação incorreta dos dentes e problemas na fala, proporciona melhor desenvolvimento e crescimento, além de ser um alimento completo, dispensando água ou outras comidas até os seis primeiros meses de vida. Outros benefícios são o desenvolvimento de um vínculo afetivo maior com a mãe, redução de doenças alérgicas, estimulação e fortalecimento da arcada dentária, redução das chances de desenvolvimento da doença de Chron e linfomas e, também, redução da incidência de doenças contagiosas. O aleitamento materno exclusivo até os seis meses diminui o risco de morte das crianças, sendo 41% menor do que o de crianças em aleitamento materno predominante, que é quando, além do leite, o bebê é alimentado com água ou bebidas à base de água. Na amamentação, o bebê recebe os anticorpos da mãe para proteção contra diversas doenças como diarreia e infecções, principalmente as respiratórias. O risco de asma, diabetes e obesidade é menor em crianças amamentadas, mesmo depois que elas param de mamar. A amamentação é um excelente exercício para o desenvolvimento da face da criança, importante para o desenvolvimento dos dentes e da fala e auxilia para que a criança tenha uma boa respiração.

Folha: Existe uma posição correta para a mãe amamentar o bebê?
Taylor: Existe, sim. O bebê deve estar virado para a mãe, bem junto de seu corpo, completamente apoiado e com os braços livres; a cabeça do bebê deve ficar de frente para o peito e o nariz bem na frente do mamilo; só coloque o bebê para sugar quando ele abrir bem a boca; quando o bebê pega o peito, o queixo deve encostar na mama, os lábios ficam virados para fora e o nariz fica livre; ele deve abocanhar, além do mamilo, o máximo possível da parte escura da mama (aréola); cada bebê tem seu próprio ritmo de mamar, o que deve ser respeitado.

Folha: Quantas vezes ao dia a mãe deve amamentar o bebê?
Taylor: Recomenda-se que a criança seja amamentada sem restrições de horários e de tempo de permanência na mama. É o que se chama de amamentação em livre demanda. Nos primeiros meses, é normal que a criança mame com frequência e sem horários regulares. Em geral, um bebê em aleitamento materno exclusivo mama de oito a 12 vezes ao dia.

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