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OITO REAIS EM MÉDIA

Preço do coco na praia é alvo de reclamações em Cabo Frio

Valor foi reajustado por distribuidores recentemente; vendedores dizem que custos impedem que produto saia mais barato

16 outubro 2021 - 10h48Por Rodrigo Branco

Vem chegando o verão, como diz a letra da música, e com o típico calor que já dá as caras em outubro, são recorrentes as cenas de gente saboreando um coco gelado nas praias de Cabo Frio. Contudo, na opinião dos banhistas, a nutritiva água do fruto ‘desce salgada’ pela garganta por causa do preço cobrado à beira-mar, que é de cerca de R$ 8 a unidade, em média, na Praia do Forte, com possibilidade de acréscimo no valor para a alta temporada.

Para entender como funciona a cadeia comercial que eleva o preço do coco ao patamar cobrado atualmente, a reportagem da Folha meteu os pés na areia, onde vendedores relatam que, recentemente, passaram a comprar o produto dos distribuidores por R$ 3, valor que tem oscilado nos últimos dois anos. Até algumas semanas atrás, o produto saía por R$ 2,50. Não há garantia de que haja novo reajuste nos próximos meses, mas os trabalhadores tratam de se adaptar à diminuição das vendas, também em função da pandemia de Covid-19.  

– Antigamente no verão, lá pra 2019, estava vendendo bastante. A gente pegava uns 80, 90 cocos por dia. Agora pega uns 20, 30. Está meio fraquinho ainda [o movimento]. Não está a mesma coisa que antes, com a pandemia deu uma ‘baixadinha’ [no movimento] – explica o vendedor Gabriel Andrade.

Acossado por uma inflação galopante, que acaba de chegar à marca de dois dígitos dentro de um período de 12 meses (10,25%), o consumidor reclama. E fecha um pouco mais a mão, caso da comerciante Rosária Ribeiro, que veio de Contagem (MG) para uma visita á cidade junto com a família.

– Acho absurdo, o turista está sendo bem explorado. Costumo viajar pra outros lugares e a média que a gente paga em outros lugares pelo coco é R$ 2,50; R$ 3,50. Aqui realmente está puxado. Você tem que maneirar, controlar, não vai tomar o tanto que costuma tomar em outros lugares – comenta.

Aproveitando para se hidratar enquanto caminha no calçadão, o empresário Márcio Barcelos relativiza a situação, mas no geral, também criticou o valor cobrado.

– Em Porto Seguro, você bebe o coco a R$ 2, mas a plantação do coco é lá. Agora imagina ter que transportar de lá para cá. Com certeza, tem um custo. Mas pelo preço que eles compram, às vezes em passo num depósito e pago R$ 2 o coco. E os caras na praia botam 300% em cima, então é caro. Poderia ser mais barato. Aqui eles não têm despesas de água e luz. Não é como um empresário que tem uma loja no Centro e que tem todos os encargos – dispara.

A narrativa é rebatida pelos vendedores e barraqueiros. Embora reconheçam que o coco poderia ser vendido mais barato, alegam que isso não é possível em função do preço pelo qual compram o fruto dos fornecedores e os gastos envolvidos para operar na praia.

Isso sem falar no ‘custo-trabalho’, como explica Valdemir dos Santos, conhecido como Pelé da Praia, e que atualmente preside a Associação dos Barraqueiros da Praia do Forte.

– Hoje o coco sai por R$3. Aí nos perguntam: “Vocês compram por R$ 3 por que vendem pelo preço que estão vendendo”? Devido ao trabalho que nós temos. Às vezes as coisas aumentam devido ao trabalho de cada um. Por exemplo, quando a gente monta uma barraca, a gente tem uma despesa alta com nossos funcionários, tem uma despesa de cozinha, tem despesa com carro de carga e descarga e com isso, o produto acaba aumentando – justifica.

A barraqueira Núbia Herculano faz coro com o colega e lembra da necessidade de conservação de um produto que é bastante perecível e , portanto, precisa ser consumido rapidamente para não perder a qualidade, ocasionando a perda do estoque. A solução do problema, ela comenta, sai do bolso dos próprios trabalhadores da praia.

– Acho que poderia ser mais barato pra todo mundo e aí a gente poderia vender mais barato também. O que fica mais caro é com relação ao gelo porque a gente não tem energia elétrica aqui. Então se gastar dez caixas de gelo, são gastos R$ 100 por dia. Não é igual à energia elétrica que você pode gastar R$ 400 [por mês] e usar o dia inteiro. Aqui, todo dia, tem que jogar fora, tem que carregar tudo. Por isso sai mais caro – afirma. 

Produto vem da Bahia e do Espírito Santo – Até chegar fresquinho na mão do banhista, o coco consumido nas praias de Cabo Frio cumpre um longo trajeto, geralmente com origem em propriedades que ficam no sul da Bahia e no norte do Espírito Santo. Parte da produção também vem do município de Quissamã, no Norte do estado do Rio de Janeiro.

O distribuidor Sérgio Daniel Galván, conhecido como ‘Argentino do Coco’, é um dos três que operam atualmente junto aos barraqueiros da Praia do Forte. Com anos de atuação no ramo, ele explicou para a Folha como ocorrem as flutuações no preço do fruto, principalmente no período de entressafra da produção. 
Segundo Sérgio, incidem no preço vendido aos barraqueiros não apenas o valor pelo qual o coco é comprado junto ao produtor rural, mas também o custo do frete e da logística de entrega. 

– O produtor me disse que o mínimo que ele consegue vender o coco na roça é R$ 1 e R$ 1,20, por causa do preço dos adubos e pesticidas, e do dólar que vem aumentando. Depois que chega na entressafra, compro R$1,40 e R$1,50 na roça. O frete oscila entre 40 e 60 centavos a unidade, dependendo da quantidade. Então o coco chega para mim a R$1,60 e R$ 1,70; e R$ 2 a R$  2,10 no verão, isso aí a carga mais o frete. Aí nós vendemos a R$ 2,50 e já estamos colocando a R$ 3 que achamos justo. Estamos tentando equilibrar a balança. Esse é o preço de entrega. O custo está no produto, no frete. Mas acho o que o coco poderia estar sendo vendido na praia a R$ 6 tranquilamente – acredita Sérgio.

Contra a maré das reclamações, o consumidor Osvaldo Góes considera justo o preço cobrado pelas barracas. 

– É razoável pela disponibilidade da barraca em nos atender. Acho justíssimo o preço que eles cobram. É muito trabalho o deles – afirma.

Prefeitura verifica documentos – Para evitar que haja pessoas trabalhando na clandestinidade, a Prefeitura fez um recadastramento de ambulantes. Em nota, o governo municipal informou que a Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos já encerrou o processo de recadastramento dos ambulantes no município. Atualmente, 54 processos para a atividade de coco estão na fase de verificação de documentos.

Segundo a secretária adjunta de Licenciamento e Fiscalização, Anne Kellen Apicelo, a licença será expedida após a análise documental, para os processos que estiverem em conformidade com o Edital SEMOSP/ADLIF Nº 03/2021. A previsão para a entrega da autorização é 18 de outubro.

A Prefeitura destaca ainda que para receberem a autorização, todos os interessados participaram do processo de recadastramento e apresentaram a documentação exigida no edital.

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