Um suposto caso de importunação sexual dentro das dependências da Fundação Instituto de Pesca de Arraial do Cabo (Fipac), órgão ligado à Prefeitura de Arraial do Cabo, em 2025, foi registrado na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Cabo Frio por uma servidora de 20 anos. O inquérito policial segue sob sigilo. A jovem trabalhava havia menos de um ano como auxiliar administrativa na fundação. Segundo o registro policial, no dia 23 de dezembro daquele ano, após parte dos funcionários sair mais cedo por causa de uma confraternização de Natal, ela teria sido chamada pelo acusado para conversar.
Conforme o depoimento ao qual a Folha dos Lagos teve acesso, o homem teria segurado seu braço e insistido: “Vem aqui. Vem aqui”. Em seguida, ainda segundo a declaração, teria colocado a mão dela sobre o próprio órgão genital e dito: “Olha aqui”.
O documento descreve o relato nos seguintes termos: “Que imediatamente a vítima puxou sua mão de volta; que sua mão chegou a tocar o genital do autor, acreditando que ele estivesse com o pênis ereto; que, tão logo afastou-se, deixou o local em direção ao banheiro, não tendo sido seguida”.
De acordo com a ocorrência, no primeiro dia de expediente após o episódio, a servidora afirma que foi novamente chamada para uma sala, sob o pretexto de tratar de questões administrativas. Ela relata que o homem teria puxado sua cadeira, tocado suas pernas, colocado novamente as mãos dela sobre o próprio genital e feito comentários de cunho sexual.
Ainda conforme o depoimento, o servidor teria trancado a porta em determinado momento e tentado forçar contato físico. A mulher afirma que conseguiu deixar a sala após destravar o trinco e resistir às investidas.
Procurada pela Folha, a Fipac informou, em nota, que não havia recebido notificação formal sobre o caso. “A Fundação reafirma seu compromisso com os princípios da legalidade, da transparência e da responsabilidade institucional e está à disposição das autoridades competentes.”
Entretanto, a mãe da jovem, ouvida pela reportagem sob condição de reserva, apresentou documentos que indicam a abertura de procedimento administrativo, incluindo notificação encaminhada à servidora e protocolo de denúncia realizado na prefeitura.
— Então fizeram isso [abriram a sindicância] embasado em que, se não tomaram conhecimento oficial? Estão mentindo — diz.
A Folha também encaminhou perguntas formais à Prefeitura de Arraial do Cabo. A administração municipal informou que se manifestaria apenas por meio da nota já divulgada pela fundação.
Segundo a mãe, a filha está em tratamento psicológico e afastada das atividades presenciais, com autorização para exercer funções de forma remota. Ela também afirma que outras possíveis vítimas não teriam formalizado denúncia e questiona a condução do procedimento instaurado para apurar a conduta do servidor citado na ocorrência.
Ainda de acordo com a mãe, a notificação para comparecimento à comissão interna teria sido enviada por aplicativo de mensagens. Os advogados da família teriam informado, em reunião virtual com o setor jurídico da fundação, que a jovem não compareceria naquele momento.
— Ela já prestou depoimento em sede policial. Já realizamos denúncia na prefeitura, iremos aguardar e resolveremos pela Justiça — afirma.
A mãe afirma que não foi feito exame de corpo de delito porque não houve marcas físicas e que relatórios das terapias poderão ser anexados ao processo. Também critica supostas cobranças para que a filha volte ao serviço.
O caso segue sob investigação policial. Até o momento, não há decisão judicial sobre o mérito das acusações.





