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polemica

PME é votado em regime de urgência

Religiosos pedem exclusão da questão de gênero do Plano de Educação

23 junho 2015 - 09h06

A Câmara de Vereadores de Cabo Frio vota hoje, em regime de urgência, a reformulação do Plano Municipal de Educação, que é lei na cidade desde 2009. A medida foi acordada ontem, durante reunião na Casa Legislativa entre os parlamentares e segmentos religiosos, representado pelo Conselho de Pastores e por membros da Igreja Católica, que pediram a exclusão de medidas que visam a uma educação combativa na discriminação de gênero e outras – como as de cor e religião –, a qual trataram como “ideologia de gênero”.
A data final para votação da matéria pelos estados e municípios seria até amanhã, mas foi prorrogado até o dia 30 pelo Governo Federal. No entanto, a preocupação dos religiosos de que o documento fosse aprovado com as metas e estratégias referentes à questão de gênero (vide quadro ao lado) era infundada. 
Os vereadores presentes ao encontro –  que, segundo Eduardo Kita (PT), foi marcado de última hora pelo WhatsApp – foram unânimes em considerar o tema indevido para constar no plano municipal de educação. O vereador Luis Geraldo (PPS) sugeriu  que os vereadores se reunissem ontem para propor emendas supressivas, ou seja, para retirada do tópico do documento afirmando que “a Câmara está preparada para derrubar este absurdo”.   
O deputado estadual Janio Mendes (PDT) se posicionou contrário à medida.
– Defendo que o município acompanhe o Plano Nacional, que retirou estes princípios, também porque a fonte financiadora não prevê recursos, o que seria mais um dificultador. O debate deve ser maduro – argumentou. 
O pastor evangélico Fabrício Valadares, presidente do Conselho de Pastores, classificou a proposta de ‘piada’.
– A representatividade da cidade está aqui. Meu pedido é para que os vereadores não cedam à pressão por esta aprovação – defendeu.
O líder LGBT Rodolpho Campbell, do Grupo Iguais, usou a tribuna para defender o texto atual do plano.
Já o diácono Arildo José Aguiar e o irmão Arley Rangel da Silva, ambos católicos, e o secretário de Turismo, Dirlei Pereira (que é evangélico), defenderam a exclusão da questão de gênero do PME para defender “preservação da família brasileira”.