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Pescadores

Pescadores de Iguaba comemoram boa fase na pescaria

Segundo eles, volume da pesca passou de 200 quilos para uma tonelada por dia

06 abril 2017 - 07h58
Pescadores de Iguaba comemoram boa fase na pescaria

O desassoreamento do Canal do Itajuru mudou a realidade da pesca na Lagoa de Araruama. Pelo menos é o que afirmam os pescadores de Iguaba Gran­de. Segundo eles, a pesca vive “dias de glória” com a medida, que começou a ser tomada há um ano. O projeto de desassore­amento e recuperação ambien­tal da lagoa de Araruama é uma parceria da Prefeitura de Iguaba Grande com a Agência Nacional das Águas (ANA) e conta com a anuência do Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e do Con­sórcio Intermunicipal Lagos São João. O objetivo foi melhorar a renovação das águas da lagoa, auxiliando na despoluição das praias de Iguaba Grande.

Diariamente, cerca de uma tonelada de peixe é pescada na Lagoa – fato até então desco­nhecido por eles. A Colônia de Pescadores Z29 mantém uma atividade pesqueira que gera emprego e renda para mais de 120 pescadores cadastrados na Secretaria Municipal de Agri­cultura e Pesca.

Os pescadores afirmam es­tar vivendo uma das melhores épocas da lagoa. Segundo eles, essa era uma realidade muito diferente antes da dragagem do canal do Itajurú, iniciada em março de 2016. De acordo com Cícero Vanderley Neto, presi­dente da colônia de pescadores, antes da dragagem a média diá­ria pescada na lagoa era de 200 quilos de peixe.

– Além da baixa quantidade, os peixes eram pequenos, não dava para o pescador se susten­tar, o que levou muitos abando­narem a pesca e procurar outros trabalhos – relatou o presidente.

Além da dragagem do Itajuru, a prefeitura de Iguaba Grande instituiu, no período do defeso, um auxílio no valor de um salá­rio mínimo para todos os pesca­dores cadastrados. Esse período, de 1 de agosto a 31 de outubro, é estabelecido de acordo com a época em que os peixes se re­produzem. Segundo Cícero, fornecer gelo aos pescadores foi outra iniciativa da prefeitura de importância para a atividade.

– Os pescadores tinham que comprar gelo para levarem nos barcos. Isso encarecia o pesca­do. E, se um barco sai sem gelo para armazenar os peixes, eles chegam aqui com uma qualida­de inferior ou, dependendo do calor, até estragados – disse.

Jaldir Batista de Araújo, que pesca na lagoa desde 1989, es­tava orgulhoso do resultado da pescaria.

– Trabalho aqui há 28 anos. Nunca havia pescado uma tai­nha de três quilos aqui na lagoa – confessou o pescador, mos­trando o peixe que costuma pe­sar entre 1 e 2 quilos.

Além da tainha e do carapeba, tradicionalmente pescados na la­goa, após a dragagem do canal e da proibição da pesca no pe­ríodo de defeso, os pescadores passaram a encontrar saúba, robalo e corvina.

A atividade pesqueira é a úni­ca fonte de renda para a maioria dos pescadores cadastrados. É o caso de Arnilo Gomes do Nas­cimento, o pescador mais antigo da colônia.

– Estou aqui há 42 anos. Pas­samos épocas bem difíceis, onde tive que trabalhar em obra, fu­rando poço, ou qualquer servi­ço que aparecesse. Eu e muitos outros pescadores tivemos que abandonar o barco. Agora, nós podemos voltar a viver de pesca – conta o pescador de 59 anos, também conhecido como “vovô”.

Os peixes da lagoa não abas­tecem apenas peixarias e super­mercados da região: qualquer pessoa pode ir à Casa do Pes­cador e comprar, em qualquer quantidade. É o caso de Dona Glória Pires, que costuma ca­minhar pela manhã e aproveitar para comprar o peixe que estará na mesa do almoço.

– Prefiro comprar aqui, o pei­xe é fresco, a qualidade é boa – afirmou a dona de casa, que prefere preparar a Tainha frita ou ensopada.

 

Outras atividades

na Colônia

Outras pessoas também vi­vem do que se pesca na Lagoa de Araruama, mas não necessa­riamente saem nos barcos para pescar, como José Inácio Perei­ra, o Zezinho, de 69 anos, que há 30 anos chega diariamente à Colônia de Pescadores por volta de 6h da manhã, e tem como ati­vidade limpar o peixe para quem compra em pouca quantidade.

– Tem muita gente que gosta de comer o peixe, mas não tem paciência de limpar. Eu chego a limpar 50 quilos por dia – con­tou Zezinho, que cobra R$ 2 por cada quilo de peixe limpado.

A Colônia Z29 fica junto à Casa do Pescador, na Avenida Amaral Peixoto, Km 97, próxi­mo ao BPRV, em Iguaba Gran­de. Para comprar o peixe direto do pescador, os interessados de­vem chegar à Colônia entre 6h e 8h. O preço do pescado pode variar entre R$8 e R$ 10 o quilo.