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Pescadores cobram a realização da dragagem da Lagoa de Araruama

Mortandade de peixes motivou o protesto na RJ-140 ontem, em São Pedro da Aldeia, que deixou o trânsito lento no local

02 março 2019 - 02h14
Pescadores cobram a realização da dragagem da Lagoa de Araruama

TOMÁS BAGGIO

Pescadores da Lagoa de Araruama fizeram uma manifestação ontem contra a mortandade de peixes que vem ocorrendo no ecossistema. Eles pedem providências emergenciais e cobram a realização de dragagens em pontos que estão assoreados, o que prejudica a renovação da água. Durante o protesto os manifestantes chegaram a interditar uma parte da RJ-140 com um barco, o que causou enorme lentidão no trânsito, que estava cheio com a chegada de turistas que seguiam no sentido Cabo Frio para o Carnaval.

A Secretaria Estadual do Ambiente foi procurada mas não respondeu até o fechamento desta edição. Segundo o Ministério Público Federal, em uma reunião realizada nesta semana na Prefeitura de Iguaba Grande, ficou acertado que a Prolagos vai fazer a limpeza e manutenção dos canais pluviais (o que ficava com os municípios, que não conseguiam fazer de forma eficiente).

A concessionária não respondeu especificamente sobre a dragagem, mas enviou uma nota informando que está fazendo análises da água para identificar as causas da mortandade de peixes. Disse ainda que “sempre esteve e estará ao lado de todos os interessados na recuperação da qualidade da Lagoa de Araruama. A empresa mantém todas as estações elevatórias e de tratamento de esgoto funcionando dentro dos padrões legais vigentes e apresenta projetos para a evolução contínua dos sistemas de esgoto, tanto no modelo atual, coleta em tempo seco, quanto rede separadora”.

Segundo a secretária executiva do Consórcio Intermunicipal Lagos São João, Adriana Saad, é muito provável que a mortandade esteja ligada à falta de renovação da água da lagoa.

– Essa cor amarronzada que se encontra na lagoa é por causa do aumento na quantidade de algas. As algas entram nas guelras dos peixes e eles acabam morrendo sufocados. O líquido proveniente do tratamento de esgoto que é lançado na lagoa é livre de bactérias, mas contém nutrientes que facilitam a proliferação das algas. Por isso existe a necessidade de renovação constante da água da lagoa, mesmo que ela não esteja recebendo esgoto in natura. A Lagoa de Araruama tem diversos canais de ligação com o mar e, atualmente, esses canais estão muito assoreados. A água da lagoa quase não se renova e isso ajuda a aumentar a quantidade de algas, o que colabora para a mortandade de peixes. Os estudos que estão sendo feitos vão mostrar melhor o que está acontecendo, mas essa é maior possibilidade pelo que conseguimos analisar até agora – disse Adriana Saad.

Segundo o procurador da República Leandro Mitidieri, o MPF tem algumas obrigações que já constam no contrato de concessão atual de água e esgoto da Região dos Lagos.

– A gente pretende provocar uma revisão visando o respeito à lagoa. Lagoas e praias devem ser preservadas do lançamento de esgoto – explica Mitidieri.

Já o procurador da República Leandro Botelho lembrou a importância do aperfeiçoamento do sistema de esgoto, que, atualmente, funciona em sua maior parte em tempo seco. Este tipo de sistema mistura o esgoto com a água da chuva nas tubulações. Quando não chove, o esgoto é levado normalmente até as estações de tratamento, mas, quando chove, as tubulações ficam sobrecarregadas e, muitas vezes, é preciso despejar esgoto in natura para que a água não volte para as residências pelas tubulações.

– Esse sistema atual, que hoje gera alguns problemas, respondeu a uma época específica de um quantitativo populacional que era outro. Hoje, com o aumento populacional, a gente tem outros problemas e isso demanda respostas mais efetivas – ressalta ele.

*Foto: Portal RC24H - Marcos Mala Trajano