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Peróas espalhados no Forte teriam sido descartados por traineiras na madrugada

De acordo com presidente da colônia de pesca, peixe de pequeno porte não tem valor comercial

25 outubro 2016 - 19h43Por Texto: Fernanda Carriço | Foto: Juliano Medeiros
Peróas espalhados no Forte teriam sido descartados por traineiras na madrugada

Milhares de peixes da espécie peroá amanheceram mortos ao longo de mais ou menos dois quilômetros nas areias da Praia do Forte. Da Praça dos Quiosques até a altura do Braga, o que se via era um tapete de peixes mortos, urubus e gaivotas. E pessoas indignadas. Foi o caso do jornalista Juliano Medeiros. De férias em Cabo Frio, Juliano ficou impressionado com o que viu.

– Vi turistas se perguntando se não seria um problema na água. Muito triste ver isso na praia que é símbolo de Cabo Frio. Fiquei me perguntando o que teria causado tantos peixes mortos. Seja o que for, é preciso que as autoridades apurem e punam os responsáveis. Cabo Frio, que já sofre com a má administração atual, não merecia essa cena tão triste no seu cartão-postal – declarou o jornalista.

Segundo o secretário do Ambiente da cidade, Jailton Dias Nogueira, a mortandade é consequência de descarte por alguma traineira.

– Eles são uns bandidos, descartam à noite porque sabem que é crime. O Inea e o Ibama são omissos, a área é de responsabilidade deles – acusa Jailton.

O presidente da Colônia de Pescadores Z4, Alexandre Martins, credita o fato ao descarte de traineiras também. Mas para ele, não existe a intenção de pegar esses peixes de tamanho menor e sem valor comercial. As traineiras, que na sua maioria são de lugares como Santos, Itajaí e do próprio Rio e Janeiro, estão em busca das sardinhas, que nesta época aparecem em abundância.

– O descarte é feito sem escolher. Se tivéssemos uma cooperativa, poderíamos beneficiar esse peixe. O que me deixa muito triste é ver essas embarcações de 80 toneladas pescando na nossa costa. Os pescadores artesanais chegam desanimar de ir pro mar e encontrar essas traineiras já equipadas com sonares, é desigual – lamenta.

Alexandre Martins explica que o plano de manejo da Apa Pau Brasil prevê a proibição das traineiras nesta área. Mas a implantação da Apa estaria parada há oito meses. Segundo ele, a desculpa para tanta demora é a falta de recursos.

– Há oito meses não sentamos para conversar. A única parte que falta discutir é a do mergulho. Enquanto isso não for feito, enquanto a Apa não for aprovada, estas traineiras podem pescar ali. A pesca está esquecida por todos os governos: municipal, estadual e federal – concluiu.

A superintendente regional do Inea, Márcia Simões, nega que haja imobilidade. Ela informou que uma equipe foi até a praia para verificar a mortandade. Segundo Márcia, era uma faixa de 500 metros de peixes mortos e são todos provenientes de descarte, que aconteceu de madrugada. Quanto a implantação da Apa Pau Brasil e o plano de manejo, a superintendente informa que diversas etapas foram cumpridas e agora o mesmo está na Diretoria de Biodiversidade do Inea.

– O material colhido, as propostas foram enviadas para esta diretoria que vai dar o parecer técnico. Estamos fazendo um esforço para que resolva o quanto antes, mas o processo é moroso por si só, tem várias fases até chegar à final, que é quando será encaminhado ao para decisão do governador – finalizou Márcia Simões.

Nas redes sociais o fato causou indignação de moradores da cidade. Até o fechamento desta matéria, o assunto já havia sido compartilhado 272 vezes – todos em tom de lamentação.

Defeso da Sardinha – o defeso começa no próximo dia 1° de novembro e segue até 15 de fevereiro.