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Imprensa

Pelo terceiro ano consecutivo, Prefeitura ‘esquece’ Prêmio de Comunicação

Mais água no chope da imprensa

30 novembro 2015 - 09h31

O Prêmio de Comunicação de Cabo Frio, objeto de valorização do trabalho e tradicional festa de confraternização da imprensa local, foi mais uma vez ‘esquecido’ pela Prefeitura. É o terceiro ano consecutivo, coincidência ou não, o terceiro ano da gestão Alair Corrêa (PP). O prêmio foi instituído pela lei municipal 1.739, de 2004, e deveria ser realizado anualmente, mas sua última edição foi a nona, em 2012.

Segundo a Secretaria de Comunicação, órgão da administração pública responsável pela organização do evento, a justificativa é “a queda na arrecadação por conta dos royalties do petróleo”, que cancelou não só o prêmio, mas também outras atividades programadas para o aniversário de 400 anos da cidade. No entanto, os motivos que levaram à não realização nos anos anteriores foram parcamente explicados.

– Em 2013 o projeto não ficou pronto a tempo de execução, e no ano passado havia a expectativa de fazer uma grande festa, só que em 2015, como parte dos 400 anos. Todos sabem o momento de dificuldade, então não só o prêmio como várias outras ações foram canceladas.

A explicação contradiz declaração do próprio secretário, publicada na Folha em 6 de novembro de 2013:

– Queremos contemplar jornalistas do Brasil inteiro. O prêmio volta em 2014, muito maior – prometeu, enquanto justificava o porquê de a décima edição não acontecer.

O Prêmio de Comunicação foi instituído por lei assinada pelo comunicador, à época vereador, Amaury Valério, em 2004, e promulgada por Alair, em mandato anterior. Questionado sobre o descumprimento da lei, Edinho disse que “no entendimento dele, a lei não gera obrigatoriedade, mas sim aval à Prefeitura a realizar a premiação”. Dois anos antes, no entanto, o entendimento era um pouco diferente:

– Caso não haja como adiar [a festa de 2013], faremos algo este ano só pelo cumprimento da lei, só pela legalidade – declarou, naquele ano.

Lamento – Jornalistas da cidade, muitos deles já agraciados com o prêmio, lamentaram nova ausência da confraternização.

– Acho uma vergonha. É lei. Não me venha com crise porque ele ainda não foi realizado desde que o atual prefeito assumiu. Não falta dinheiro, mas sim competência ou interesse – queixou-se Diogo Reis, vencedor em 2010.

Radialista e editora do portal RC24h, Renata Cristiane, que já arrebatou prêmios e apresentou a cerimônia, classificou a não continuidade do evento como “lamentável”.

– É não só uma confraternização, mas reconhecimento do nosso trabalho – sublinhou ela. Profissional dos mesmos setores, Eduander Silva criticou: – Acho estranho vereadores e imprensa não cobrarem. Seria até uma oportunidade de ter pautas positivas sobre a cidade.