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Passado de luta do Rui remonta passe livre e ação contra Collor

Escola ficou conhecida não apenas por excelente ensino mas também por formação de pensadores críticos

22 março 2017 - 02h15
Passado de luta do Rui remonta passe livre e ação contra Collor

Geração após geração, os alunos do tradicional colégio Rui Barbosa não apenas com­provam a excelência do seu ensino como precisam tomar o caminho das ruas para asse­gurar seus direitos mais bási­cos, como o de ir e vir. Muni­cipalizada em 1980, durante a primeira gestão de José Boni­fácio, a unidade é considerada uma referência na formação do pensamento crítico em Cabo Frio, fator que para muitos re­presenta o motivo pelo qual a escola está sob constante ame­aça de fechamento.

No início da década de 90, na administração de Ivo Salda­nha, entrou para história a ba­talha estudantil para a obten­ção do passe livre nos ônibus e pela melhoria na qualidade do ensino. Dois anos antes do sur­gimento dos ‘caras-pintadas’, que ajudaram a derrubar o go­verno de Fernando Collor, em 1992, os alunos cabofrienses já davam uma aula de cidadania. Hoje com 43 anos, o professor de História do colégio Pedro II de Niterói, Alex Côrtes, era o presidente do grêmio do Rui na ocasião. Indignado com a atual situação, o professor se recorda com satisfação daque­la época.

– Ocupamos Câmara e Se­cretaria de Educação. Havia 10 mil alunos em toda rede e mais da metade se envolvia. A gente fazia arrastões, ia pas­sando de escola em escola e o pessoal descia para participar. Eu tenho um orgulho imen­so de ter participado daquilo tudo. Tenho amigos e amigas que estão lutando pelo que é justo. O Rui Barbosa é um pa­trimônio de Cabo Frio e da so­ciedade brasileira – inflama-se Côrtes, que observa que o Pe­dro II, mesmo federal, oferece Ensino Médio de qualidade.

Contemporâneo de Côrtes na escola e no grêmio estudan­til, o engenheiro civil Luciano Silveira também participou das conquistas estudantis da época. Com toda a formação profissional feita em institui­ções públicas como Uerj e UFRJ, Luciano defende o en­tendimento entre o governo e as escolas por meio do Minis­tério Público para que o Ensi­no Médio permaneça no mu­nicípio. Segundo ele, o gasto com o segmento não é signifi­cativo a ponto de impedir que a Prefeitura permaneça com ele, além do Ensino Fundamental e da Educação Infantil.

– É todo um conjunto. O Rui é o único que vai fechar, mas o Nilo Batista atende a zona ru­ral com a questão dos técnicos agrícolas. Acabar com Ensino Médio no Marli Capp é tirar a opção de quem mora na região que mais cresce na cidade, que é o segundo distrito. Fechar o Ensino Médio no Elza Ber­nardo é tirar a opção no gran­de Jardim e o EJA do Edilson Duarte, para os jovens e adul­tos. E tirar o Ensino Médio do Arlete Castanho é acabar com uma referência para os defi­cientes auditivos – lamenta.