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dia do professor

Parabéns para quem?

No Dia do Professor, nada a comemorar: Rui Barbosa fecha as portas a partir de segunda

15 outubro 2016 - 09h11
Parabéns para quem?

Por Fernanda Carriço e Rodrigo Branco

 

Na data dedicada àqueles cuja principal – e nobre – missão é educar a sociedade, não há qualquer motivo para celebrar em Cabo Frio. O mais novo e duro golpe para a Educação municipal é a notícia de que a partir desta segunda-feira o tradicional colégio Rui Barbosa, no Centro, será forçado a fechar as portas por falta de servidores suficientes para manter a unidade em funcionamento. Ao todo, já são 15 escolas no município na mesma situação.

No caso do Rui, além dos profissionais que estão em greve pelos mais de dois meses de salários atrasados, a escola ficou desfalcada de outros 13 funcionários, três deles da cozinha, demitidos pela Prefeitura. Com isso, apenas a secretaria passará a funcionar, das 13 às 17 horas. A diretora Márcia Marques desabafou por conta da situação.

– Que chegue dezembro. O desespero é gigantesco, sem pagamento há mais de 65 dias. Estou esperando o ano acabar, é só o que nos resta. E nem sabemos quem será o novo prefeito. Que cidade pobre. Depois de 24 anos de Prefeitura e Rui Barbosa, nunca imaginei passar necessidade como agora, nem em 92 na época do (ex-prefeito) Ivo (Saldanha). Muitas contas atrasadas, só pagando juros para poder comer. Triste – desaponta-se.

Na escola Antônio da Cunha Azevedo, na Passagem, há dois cartazes na entrada. Em um deles, o anúncio de que a unidade foi a que teve a maior nota no Ideb 2015 na rede municipal (6,3 para uma meta de 6,5) é motivo de orgulho, mas também de melancolia, pela impressão de que sem os problemas pelos quais a escola vem passando nos últimos tempos seria possível um desempenho melhor. A outra mensagem, que explica os motivos da escola estar fechada há mais de uma semana, traz incerteza não apenas quanto ao resultado da próxima avaliação nacional do MEC, no ano que vem, mas também sobre o futuro próximo, que significa o fim do atual ano letivo.

– A gente está com carência de funcionários. Este ano tivemos dez demissões dentro da escola e a ordem veio de cima para baixo. A gente não foi consultado de quais funcionários poderiam ser dispensados. Muitos deles eram auxiliares de classe, que lidavam diretamente com alunos com síndrome de Down – comenta a dirigente do turno da manhã, Elizabeth Guimarães.

As dispensas obrigaram os funcionários remanescentes a acumular funções. Para piorar, a qualidade da merenda e das refeições caiu progressivamente nos últimos tempos e, recentemente, até feijão tem faltado, por falta de licitação. Para a diretora de imprensa do Sindicato dos Profissionais da Educação (Sepe), Denise Teixeira, a situação tende a piorar nas próximas semanas.

– É uma questão de tempo para que todas as escolas estejam fechadas. Como a gente já vem anunciando, as escolas estão sem verba de manutenção desde setembro do ano passado. Já não tem mais merenda. São dois meses sem pagamento e o prefeito ainda diz que não tem dinheiro, enquanto sabemos claramente que a folha de pagamento está inchada – comenta a professora