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DIÁLOGO LUIZ CÉSIO CAETANO

"O pós-Covid passa pela transformação digital", afirma presidente da Firjan Leste Fluminense

Executivo diz que inclusão no mercado virtual não é mais diferencial, mas questão de sobrevivência para empresas

05 junho 2021 - 12h13Por Redação

Antes considerada um diferencial, a inserção das empresas no mercado digital é considerada uma questão de sobrevivência para o presidente da seção Leste Fluminense da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Luiz Césio Caetano.

O executivo acompanha com atenção as consequências econômicas do prolongamento da pandemia de Covid-19 que, se causou retração na atividade industrial, registrou aumento nas contratações em outros setores, especialmente no segmento de serviços.

Nesta entrevista à Folha, ao mesmo tempo em que frisa a necessidade de as empresas mergulharem na tecnologia, Luiz Césio Caetano aponta o olhar para o campo, com a produção de cana e de combustível, como o etanol.

– O ano de 2021 é de expectativa positiva para a agroindústria canavieira fluminense.

Folha dos Lagos – Cabo Frio luta o tempo inteiro pelo turismo, mas não há foco na produção de açúcar e etanol pela Agrisa, no segundo distrito. Qual o desempenho da unidade na presente safra e qual é a performance no quadro produtivo do parque industrial fluminense?

Luiz Caetano – Após o auge da cana-de-açúcar no estado do Rio no último século, quando chegamos a ser o maior produtor do país, o setor volta a se revitalizar aos poucos no território fluminense. Na Região dos Lagos, apenas a Agrisa está em funcionamento. Os dados mais recentes de acompanhamento da produção agrícola da Emater-Rio apontam a cana de açúcar como o principal cultivo de Cabo Frio. Em 2019, por exemplo, foram quase 120 mil toneladas de produção colhida. O ano de 2021 é de expectativa positiva para a agroindústria canavieira fluminense. A nova administração da Agrisa, por exemplo, tem planos de investimentos para melhoria do desempenho com ganho de escala. A depender dos movimentos dos mercados nacional e internacional, o setor opta por concentrar sua produção no açúcar ou no etanol. No caso da usina de Cabo Frio é importante destacar que ela produz etanol carburante, ou seja, biocombustível, e não produz açúcar.

Folha – Os mercados interno e internacional, no momento, favorecem novos investimentos nos parques de produção de açúcar e etanol?

Caetano – Entendo que incentivar a cadeia agroindustrial do Rio de Janeiro é uma medida prioritária para a retomada do desenvolvimento do estado. Com esse propósito, a Firjan criou, em dezembro do ano passado, um conselho empresarial dedicado ao agronegócio e aos produtos alimentares. No caso específico da Agrisa, a Polimix Energia, controladora da usina desde 2017, tem um plano para ganho de escala na produção, o que é fundamental para o crescimento desta atividade. Segundo a empresa, está previsto um investimento de R$ 50 milhões num horizonte de cinco anos, para expansão agrícola, industrial e equipamentos moveis e fixos.

Folha – A Firjan conhece os números da produção de biodiesel e seu processo na Agrisa?

Caetano – A Agrisa não produz biodiesel. Produz etanol, combustível renovável e biodegradável, extraído da cana-de-açúcar, e energia através de biomassa. Tem capacidade de moagem de 600 mil toneladas de cana por safra, e produção de 50 mil metros cúbicos de etanol. O processo para produzir etanol é o clássico do setor sucroalcooleiro no Brasil, ou seja, através da destilação a partir da cana de açúcar.

Folha – O que representou a pandemia para a retração na atividade econômica? Qual o tamanho desta retração e quais os setores mais afetados, especialmente no interior?

Caetano – Todos os setores produtivos foram afetados em alguma escala. A atividade industrial fluminense, por exemplo, recuou em todos os meses do primeiro trimestre do ano, ainda que de forma menos intensa em março, segundo um estudo da Firjan. Em janeiro e fevereiro, as indústrias de todos os portes apresentaram queda na produção. Já em março, as grandes empresas registraram crescimento. Agora em abril, os industriais fluminenses já registraram expectativa de crescimento na produção nos próximos seis meses. Os empresários também estão otimistas em relação à compra de matéria-prima e à exportação. Na cadeia de valor, o setor de transformação pela sua extensão e complexidade, talvez tenha sido aquele com menor impacto. O interior talvez tenha tido um impacto menor em face de múltiplas atividades e áreas demograficamente menos densas.

Folha – Na Baixada Litorânea, onde está a Região dos Lagos, quais os setores que já dão sinais de superação da crise?

Caetano – Uma análise feita pela Firjan, com base nos dados divulgados pelo Caged no final de abril, aponta que estes municípios criaram mais de 4 mil vagas de empregos entre janeiro e março deste ano. O mês de março, inclusive, foi o terceiro mês consecutivo de saldo positivo de contratações no ano, considerando todos os setores econômicos: indústria, comércio, serviços e agropecuária. Ainda com a análise do Caged, observamos que Arraial do Cabo registou o segundo melhor desempenho do estado do Rio, no período janeiro a março de 2021, nos quatros setores. Mas o que explica esse desempenho tão positivo da cidade? Esse movimento do emprego de Arraial do Cabo em 2021 foi direcionado principalmente pelas contratações na administração pública. Ao longo do primeiro trimestre, 2.036 das 2.127 novas vagas abertas na cidade foram nesse grande segmento, a maior parte delas em janeiro. Falando especificamente da indústria, foram quase 300 novos postos de trabalho formais no acumulado deste ano na região. O setor da construção civil, por exemplo, já se recupera com lançamentos imobiliários.

Folha – Efetivamente, o sucesso da imunização começará a mostrar números positivos a partir de que momento? Qual é a expectativa?

Caetano – Acredito que a imunização de, no mínimo, 70% da população poderá dar uma segurança na retomada plena das atividades. Isso é imprescindível para que o país consiga superar a crise gerada pela pandemia. Com esse avanço da vacinação e as empresas mais adaptadas ao ‘novo normal’, o setor produtivo foi menos afetado nesse começo do ano do que durante a eclosão da primeira onda da Covid-19. Mesmo ainda não tendo alcançado esses índices de vacinação, a Baixada Litorânea encerrou o primeiro trimestre com o mercado de trabalho no azul, impulsionada pelo segmento de serviços. Os mesmos dados do Caged, demonstrados pela Firjan na plataforma Retratos Regionais, mostram que os municípios da região já recuperaram as vagas perdidas durante a eclosão da pandemia no país: entre junho de 2020 e março de 2021, a região abriu 8,6 mil novos postos de trabalho, frente aos 7,3 mil que haviam sido perdidos entre março e maio de 2020.

Folha – O perfil do empreendedor está mudando com a pandemia? Como será o pós-Covid?

Caetano – O empreendedor está mais ágil e criativo para sobreviver. É inegável que a Covid-19 impactou trabalhadores e empresários. Acredito, sem a menor dúvida, que o pós-Covid passa necessariamente pela transformação digital. Dados da consultoria IDC Brasil [International Data Corporation] revelam que menos da metade das empresas no país estava desenvolvendo transformações digitais até 2019. Com a pandemia deflagrou uma presença digital mais consistente das marcas, a expectativa é de que essa realidade permaneça e se aperfeiçoe. Em síntese, antes da pandemia, acreditava-se que a transformação digital em uma empresa seria um diferencial. Hoje diversos especialistas defendem que é questão de sobrevivência e concordo plenamente com eles.

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