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Folha diária

O jornalismo de ontem: a Folha na época da mudança

Em 20 anos, jornal foi testemunha das transformações impostas à profissão

06 julho 2019 - 15h35Por Fernanda Carriço I Foto: Arquivo Folha
O jornalismo de ontem: a Folha na época da mudança

A época era de reinvenção do ofício do jornalismo nas redações. Aos poucos, as máquinas de datilografar davam lugar aos novos computadores; as máquinas de fotografar digitais começavam a se popularizar e, ao mesmo passo, profissionais se movimentavam para acompanhar as mudanças. Era o início dos anos 2000. E o jornalismo brasileiro se preparava para os novos tempos: o da tecnologia que não só acelerava o processo de ‘fabricação’ de notícias, como mudava os cenários e os próprios jornalistas. E na Folha não foi diferente. 

Na época que a Folha virou diário, a redação era formada por jornalistas como Cléber Lopes, Fausto Neto, Cristiane Zotich, Adriane Pereira ,  Danielle Carvalho e, claro, o fundador dessa história toda, Moacir Cabral. 

– Foi um pouco tenso, porque era algo novo pra todo mundo na redação. Não tinha mais aquele prazo longo pra apurar uma matéria: “ah, se eu não conseguir falar com a fonte hoje, tento amanhã”. Iso acabou. Ou falava com a fonte ou a matéria caía.  Sem contar com o prazo de fechamento, que passou a ser mega apertado. E sem contar que não tinha celular ou rede social para facilitar, né? Os primeiros dias foram tensos, mas, quando vimos a primeira edição, foi muito legal – relembra Cristiane Zotich.

Diretor de redação na época, o jornalista Cléber Lopes passou por vários momentos na Folha: foi também editor do suplemento que circulava aos sábados com matérias especiais de arte, cultura, gastronomia, teatro etc. 

– Os formatos dos jornais tinham acabado de mudar e Cabral aproveitou a mudança para tocar o projeto  e transformar a  Folha em diário. A estrutura já era grande demais para manter o jornal em circulação apenas duas vezes por semana. E foi legal porque na ocasião todo mundo estava pilhado querendo o jornal diário. Era todo mundo muito criativo, tanto que foi nesse período que surgiram os eventos “Show da Folha”, “Xô”, “Aplausos” – rememora Cléber, abrindo o baú de lembranças. 

–Eu tive algumas passagens pela Folha.... Eu trabalhei quando Lourdes Mano, com quem havia trabalhado no “Gol da Torcida”, era a chefe de reportagem e a sede do jornal era na galeria próxima a Caixa Econômica. Num período fui correspondente no Rio, cheguei a cobrir Assembleia, mas foi uma passagem rápida. Quando retornei do Rio para Cabo Frio, voltei à Folha. Cheguei a trabalhar no jornal quando a sede era na Teixeira  e Souza, esquina com João Pessoa. Eu me apresentei na redação depois de ver uma campanha do jornal que dizia: “Sabe o que está faltando na Folha? Você”.  Eu comecei ali fazendo matérias especiais, passei pra polícia, esporte...  – conta o jornalista. 

E, dos anos 2000 até os dias atuais, o jornalismo viveu mudanças intensas que foram acompanhadas pela linha editorial da Folha. Site, redes sociais e a luta para manter o impresso vivo e líder de vendas na região. Mas apesar de toda tecnologia que tornou o ofício mais ágil, para jornalistas como Cléber existe um lado bem negativo também.

– Em 20 anos mudou tudo no jornalismo e o próprio jornalismo mudou. Virou uma corrida de cavalos. Ganha quem chega na frente.  Me parece que essa rapidez em nome da instantaneidade que a tecnologia exige acabou com as boas histórias, com a matéria apurada e muito com a ética. Nada mais importa, apenas o alcance das páginas, as curtidas, a audiência. Eu considero ofício o trabalho que requer técnica e habilidade e não tô falando de diploma, mas pelo menos de talento.  E hoje qualquer um exerce a atividade – não o ofício –nas redes sociais, sem nem mesmo saber escrever. Eu me sinto um dinossauro: extinto. O problema é que não sei fazer outra coisa e vejo a profissão sendo exercida por uma monte de gente sem o menor  conhecimento e talento. Gente que é incapaz de escrever mais do que dez linhas, incapaz de contar uma história – alfineta Cleber.