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Folha diária

O jornal que você lê: os caminhos para a informação chegar ao leitor

Ao longo de 20 anos, o processo de levar a notícia ao público modernizou-se bastante

06 julho 2019 - 15h29Por Texto e foto: Rodrigo Branco
O jornal que você lê: os caminhos para a informação chegar ao leitor

Os leitores talvez não imaginem, mas até que a edição chegue ‘quentinha’ de manhã cedo nas bancas, existe um trabalho que começa quase 24 horas antes, na definição das pautas, que resultam na apuração, redação e edição das matérias. Ao longo desses últimos 20 anos, em que o veículo circula diariamente, esse processo passou de um estágio quase artesanal para a era moderna, embora não menos trabalhosa.

No começo da circulação diária da Folha, tal qual um trabalho escolar, a edição era montada em tiras: textos, fotos, manchetes e linhas eram coladas nos devidos lugares e acondicionadas em uma caixa. À época, o jornal era impresso em uma gráfica terceirizada em Niterói, o que tornava a tarefa de imprimir os exemplares uma verdadeira corrida contra o tempo.

O motorista Ernandes Joaquim completa 20 anos de jornal em setembro e acompanhou toda a fase de transição. Ele conta que saía de Cabo Frio por volta das 16 horas e voltava da gráfica cerca de 12 horas depois, em cima da hora para vencer os 180 Km de distância e não perder o ‘horário de banca’, ou seja, o horário limite que as distribuidoras entregam os exemplares para os jornaleiros.

– Teve época de sair de Niterói 4 horas da manhã e chegar aqui 5 horas da manhã, toda noite. Faça sol, faça chuva, tem 20 anos aí. É uma responsabilidade, tem hora para chegar com a mercadoria, senão perde a venda. Se perdeu a banca, mesmo colocando de banca em banca perde 70% da venda. Todos os dias tem esse compromisso. Gosto de trabalhar aqui, conheci muita gente. Vida de jornal é assim mesmo, enquanto uns dormem, outros trabalham – diz Ernandes.

A partir do começo dos anos 2000, o jornal começou a aperfeiçoar a produção, de acordo que tomava contato com novas tecnologias. O jornalista e fundador Moacir Cabral comenta as dificuldades nos primeiros tempos em que a internet ainda engatinhava. Ainda assim, houve um grande ganho de agilidade e a extensão do horário de fechamento, antes mais cedo.

– O carro diariamente levava o jornal por volta de 3 horas da tarde. Mas durou pouco tempo, logo o jornal se aperfeiçoou tecnologicamente para atender isso aí. Passou a se levar uma, duas horas para enviar cada página. Mesmo assim, o processo era muito lento, porque a internet era via rádio. Com a modernidade, o jornal está lá em segundos. Hoje chega em tempo real – relembra Cabral, que ainda mantém a aposentada antiga máquina de escrever Remington na sede do jornal, onde hoje funcionam modernos computadores.

De fato, os novos processos de edição tornaram o fechamento do jornal muito mais dinâmico na atualidade. Não é raro mudar boa parte do conteúdo produzido momentos antes de enviar as páginas por e-mail para gráfica que atualmente presta o serviço, que fica em Iguaba Grande.

Os exemplares são rodados até as duas horas da madrugada e de lá são levados para as prefeituras da região e para a distribuidora que fica no bairro de São Cristóvão. E de lá para a Rasa, Geribá, Balneário ou Jardim Esperança. Dentro do ‘pequeno milagre’ que é fechar um jornal diário, a tarefa de informar a região há décadas é cumprida com muito trabalho, suor e horas de estrada.