Assine Já
terça, 07 de dezembro de 2021
Região dos Lagos
25ºmax
19ºmin
TEMPO REAL Confirmados: 53859 Óbitos: 2198
Confirmados Óbitos
Araruama 12575 449
Armação dos Búzios 6589 73
Arraial do Cabo 1755 93
Cabo Frio 15647 903
Iguaba Grande 5581 147
São Pedro da Aldeia 7057 290
Saquarema 4655 243
Últimas notícias sobre a COVID-19
Geral

​‘O ano letivo pode ficar comprometido’, diz coordenadora do Sepe

Cíntia Machado endurece discurso contra o governo e diz que a categoria não vai recuar

13 julho 2019 - 09h48
​‘O ano letivo pode ficar comprometido’, diz coordenadora do Sepe

TOMÁS BAGGIO

Os profissionais da educação de Cabo Frio decidiram ontem, em assembleia, manter a greve da categoria por tempo indeterminado. O motivo principal é o atraso no pagamento dos salários dos servidores. A assembleia foi realizada no Charitas, onde também ocorre uma ocupação de artistas que protestam contra a troca no comando da Secretaria de Cultura. Isso significou uma união entre a pauta da classe artística e a dos profissionais da educação. Os dois grupos decidiram fazer um protesto unificado na próxima segunda-feira em frente à Prefeitura.

Para a coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe Lagos), Cíntia Machado, os argumentos usados pelo governo para escalonar o pagamento dos salários não convence. Ela faz críticas à gestão municipal e espera que o governo faça concessões na reunião marcada para a próxima quarta.

– Não aceitamos o fracionamento dos salários porque sabemos que o governo tem dinheiro suficiente para pagar todos os funcionários da Educação ao mesmo tempo, já que a verba do Fundeb contempla cerca de 70% da folha salarial – afirma ela.

Veja a entrevista completa:

Folha dos Lagos – Quais foram as deliberações da assembleia de hoje (ontem)?

Cintia Machado – Continuidade da greve por tempo indeterminado, realização de nova assembleia no próximo dia 18 e a realização de um protesto na próxima segunda-feira que será um “casamento em sucupira”, uma quadrilha com decoração típica que será um ato unificado com o pessoal da Cultura.

Folha – O governo enviou para a Câmara nesta semana um projeto de lei para atender à reivindicação de isonomia salarial dos inspetores de alunos e auxiliares de classe. No entanto, na última sessão legislativa antes do recesso parlamentar, o projeto não foi votado por falta de quórum. Acredita que a ausência dos vereadores foi uma manobra do governo para adiar a votação desta matéria?

Cintia – Acredito que sim. A gente teve uma audiência na quarta-feira e o governo se comprometeu em mandar o projeto até o meio-dia. E mandou de fato. Estávamos na dúvida se iriam cumprir a palavra dessa vez, por causa do hábito de sempre descumprirem o que é acordado com o sindicato. Mas à tarde já começaram os boatos de que a plenária seria esvaziada, e foi o que aconteceu. Foi um golpe na categoria.

Folha – Existe uma reunião marcada entre o sindicato e o governo para a próxima quarta-feira. Quais serão as reivindicações e qual é a sua expectativa para esse encontro?

Cintia – Temos a esperança de que o governo se sensibilize e demonstre preocupação com o aluno que pode ficar sem aula. O ano letivo pode ficar comprometido por causa do desconto de greve que eles estão fazendo. Quando o servidor que faz greve tem a falta por greve descontada, ele não tem a obrigatoriedade de fazer a reposição dos dias em que faltou na greve. E foi uma greve legítima. Ou seja, o governo está passando pra gente e para a população que ele não quer que o aluno tenha essa aula. Está tirando do aluno o direito de ter o ano letivo concluído.

Folha – Como foi o processo de ocupação da Prefeitura pelos funcionários da Educação? Houve momentos de tensão...

Cintia – Realmente foi muito tenso. A energia chegou a ser cortada, o acesso aos banheiros foi negado por um tempo. Foi preciso ter a intervenção da OAB para liberar os banheiros. Teve gente que passou mal.

Folha – Que avaliação vocês fazem do governo Adriano?

Cíntia – Pessoalmente eu nunca confiei na figura de Adriano. Mas nos últimos tempos ele tem decepcionado muito a todos. Parte da categoria votou nele achando que seria diferente de Marquinho e de Alair, mas o que ele está mostrando pra gente é que ele reúne o pior de Alair e o pior de Marquinho numa figura só.

Folha – Como o sindicato está acompanhando a denúncia feita pelo exsecretário de Educação, Cláudio Leitão, sobre um suposto desvio de finali- dade de R$ 40 milhões de verbas da educação que teriam sido usadas em outras áreas do governo de forma irregular?

Cintia – Foi uma denuncia importante porque, sem ela, a população e nós que estamos cobrando não teríamos tomado conhecimento neste momento. Demoraria mais para termos a noção de que houve esse desvio de finalidade.

Folha – O sindicato aceita os argumentos do governo para escalonar o pagamento de salários?

Cintia – São argumentos totalmente falsos. Não aceitamos o fracionamento dos salários porque sabemos que o governo tem dinheiro suficiente para pagar todos os funcionários da Educação ao mesmo tempo, já que a verba do Fundeb contempla cerca de 70% da folha salarial. O que a Prefeitura precisa complementar é pouco, entre três a quatro milhões, e sabemos também que a arrecadação vem aumentando.

Folha – O atual secretário de Fazenda, Antônio Carlos Vieira, o Cati, confirmou nesta semana que a partir do mês que vem ele deixará o cargo e que o novo secretário será o Clésio Guimarães. Acredita que mude alguma coisa na relação com a Secretaria de Fazenda?

Cintia – Eu tenho a esperança de que seja uma interlocução melhor. O Clésio, nas outras oportunidades em que esteve à frente da Fazenda, sempre atendia o sindicato, nos recebia e tinha o diálogo, era mais fácil. Mas não sei como será o Clésio no governo Adriano, pois só conhecemos o Clésio com o Marquinho. Mas temos alguma expectativa de que pelo menos o diálogo e a troca de informações sejam melhores.

Folha – Vocês estiveram hoje (ontem) no Ministério Público buscando diálogo com a promotoria. O que estão pedindo ao MP?

Cintia – Queremos falar sobre a realização de um novo concurso público e a concretização da chamada do concurso de 2009, que já foi acordada e estamos sem saber o que vai acontecer. E também que o MP possa intervir junto ao prefeito para que esses atrasos de salário não sejam tão constantes.