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​‘O ano letivo pode ficar comprometido’, diz coordenadora do Sepe

Cíntia Machado endurece discurso contra o governo e diz que a categoria não vai recuar

13 julho 2019 - 09h48
​‘O ano letivo pode ficar comprometido’, diz coordenadora do Sepe

TOMÁS BAGGIO

Os profissionais da educação de Cabo Frio decidiram ontem, em assembleia, manter a greve da categoria por tempo indeterminado. O motivo principal é o atraso no pagamento dos salários dos servidores. A assembleia foi realizada no Charitas, onde também ocorre uma ocupação de artistas que protestam contra a troca no comando da Secretaria de Cultura. Isso significou uma união entre a pauta da classe artística e a dos profissionais da educação. Os dois grupos decidiram fazer um protesto unificado na próxima segunda-feira em frente à Prefeitura.

Para a coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe Lagos), Cíntia Machado, os argumentos usados pelo governo para escalonar o pagamento dos salários não convence. Ela faz críticas à gestão municipal e espera que o governo faça concessões na reunião marcada para a próxima quarta.

– Não aceitamos o fracionamento dos salários porque sabemos que o governo tem dinheiro suficiente para pagar todos os funcionários da Educação ao mesmo tempo, já que a verba do Fundeb contempla cerca de 70% da folha salarial – afirma ela.

Veja a entrevista completa:

Folha dos Lagos – Quais foram as deliberações da assembleia de hoje (ontem)?

Cintia Machado – Continuidade da greve por tempo indeterminado, realização de nova assembleia no próximo dia 18 e a realização de um protesto na próxima segunda-feira que será um “casamento em sucupira”, uma quadrilha com decoração típica que será um ato unificado com o pessoal da Cultura.

Folha – O governo enviou para a Câmara nesta semana um projeto de lei para atender à reivindicação de isonomia salarial dos inspetores de alunos e auxiliares de classe. No entanto, na última sessão legislativa antes do recesso parlamentar, o projeto não foi votado por falta de quórum. Acredita que a ausência dos vereadores foi uma manobra do governo para adiar a votação desta matéria?

Cintia – Acredito que sim. A gente teve uma audiência na quarta-feira e o governo se comprometeu em mandar o projeto até o meio-dia. E mandou de fato. Estávamos na dúvida se iriam cumprir a palavra dessa vez, por causa do hábito de sempre descumprirem o que é acordado com o sindicato. Mas à tarde já começaram os boatos de que a plenária seria esvaziada, e foi o que aconteceu. Foi um golpe na categoria.

Folha – Existe uma reunião marcada entre o sindicato e o governo para a próxima quarta-feira. Quais serão as reivindicações e qual é a sua expectativa para esse encontro?

Cintia – Temos a esperança de que o governo se sensibilize e demonstre preocupação com o aluno que pode ficar sem aula. O ano letivo pode ficar comprometido por causa do desconto de greve que eles estão fazendo. Quando o servidor que faz greve tem a falta por greve descontada, ele não tem a obrigatoriedade de fazer a reposição dos dias em que faltou na greve. E foi uma greve legítima. Ou seja, o governo está passando pra gente e para a população que ele não quer que o aluno tenha essa aula. Está tirando do aluno o direito de ter o ano letivo concluído.

Folha – Como foi o processo de ocupação da Prefeitura pelos funcionários da Educação? Houve momentos de tensão...

Cintia – Realmente foi muito tenso. A energia chegou a ser cortada, o acesso aos banheiros foi negado por um tempo. Foi preciso ter a intervenção da OAB para liberar os banheiros. Teve gente que passou mal.

Folha – Que avaliação vocês fazem do governo Adriano?

Cíntia – Pessoalmente eu nunca confiei na figura de Adriano. Mas nos últimos tempos ele tem decepcionado muito a todos. Parte da categoria votou nele achando que seria diferente de Marquinho e de Alair, mas o que ele está mostrando pra gente é que ele reúne o pior de Alair e o pior de Marquinho numa figura só.

Folha – Como o sindicato está acompanhando a denúncia feita pelo exsecretário de Educação, Cláudio Leitão, sobre um suposto desvio de finali- dade de R$ 40 milhões de verbas da educação que teriam sido usadas em outras áreas do governo de forma irregular?

Cintia – Foi uma denuncia importante porque, sem ela, a população e nós que estamos cobrando não teríamos tomado conhecimento neste momento. Demoraria mais para termos a noção de que houve esse desvio de finalidade.

Folha – O sindicato aceita os argumentos do governo para escalonar o pagamento de salários?

Cintia – São argumentos totalmente falsos. Não aceitamos o fracionamento dos salários porque sabemos que o governo tem dinheiro suficiente para pagar todos os funcionários da Educação ao mesmo tempo, já que a verba do Fundeb contempla cerca de 70% da folha salarial. O que a Prefeitura precisa complementar é pouco, entre três a quatro milhões, e sabemos também que a arrecadação vem aumentando.

Folha – O atual secretário de Fazenda, Antônio Carlos Vieira, o Cati, confirmou nesta semana que a partir do mês que vem ele deixará o cargo e que o novo secretário será o Clésio Guimarães. Acredita que mude alguma coisa na relação com a Secretaria de Fazenda?

Cintia – Eu tenho a esperança de que seja uma interlocução melhor. O Clésio, nas outras oportunidades em que esteve à frente da Fazenda, sempre atendia o sindicato, nos recebia e tinha o diálogo, era mais fácil. Mas não sei como será o Clésio no governo Adriano, pois só conhecemos o Clésio com o Marquinho. Mas temos alguma expectativa de que pelo menos o diálogo e a troca de informações sejam melhores.

Folha – Vocês estiveram hoje (ontem) no Ministério Público buscando diálogo com a promotoria. O que estão pedindo ao MP?

Cintia – Queremos falar sobre a realização de um novo concurso público e a concretização da chamada do concurso de 2009, que já foi acordada e estamos sem saber o que vai acontecer. E também que o MP possa intervir junto ao prefeito para que esses atrasos de salário não sejam tão constantes.