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Enterro

O adeus de um grande promotor

Sebastião Fador é enterrado diante da comoção de amigos e parentes em Cabo Frio

10 fevereiro 2017 - 01h26
O adeus de um grande promotor

Sob o caixão, bandeiras da Or­dem dos Advogados do Brasil e do Rio de Janeiro, instituições pelas quais o promotor de Justiça Sebastião Fador Sampaio lutou em toda carreira. Na tarde de on­tem, quando seu corpo foi sepul­tado, parentes, colegas de traba­lho e amigos seguiram da capela em direção ao Cemitério Santa Izabel cantando um hino religio­so e não faltaram elogios ao cará­ter e à trajetória do advogado.

– Quando ele veio para cá, foi a segunda promotoria dele. Veio para Cabo Frio recém-formado, mas era um advogado criminal de primeira. Ficou mais de vinte anos aqui. Antes, ele tinha um cliente em Rio Bonito. Quando assumiu a Promotoria, ele prendeu o de­legado e o ex-cliente – lembra o amigo e também advogado Paulo Badhu, fazendo alusão ao caráter implacável de Fador, que não re­sistiu a um câncer, aos 73.

Fador Sampaio era um dos profissionais de Direito mais con­ceituados na cidade. Sua fama no município era de um promotor li­nha-dura que desmantelava casas de prostituição e jogo do bicho.

Mas, sem sombra de dúvidas, o caso de mais relevância da carreira do promotor foi o Doca Street. O processo, que correu no fim dos anos 70, resultou na pri­são de Raul Fernando do Amaral Street, que matou a tiros a atriz Ângela Diniz na Praia dos Os­sos, em Búzios, então distrito de Cabo Frio.  O assassinato aconte­ceu em 30 de dezembro de 1976.

– Esse caso teve repercussão no mundo inteiro. A imprensa in­ternacional veio para Cabo Frio: jornalistas da Inglaterra, da Ale­manha estavam aqui para cobrir os dois julgamentos. Fomos ad­versários nesse caso, mas tam­bém fomos amigos desde que ele chegou aqui. Nos conhecíamos como bons advogados que éra­mos – rememora Paulo Badhu.

O subtenente da Polícia Mi­litar Mauro Bernardo trabalhou como segurança dos filhos do promotor. O policial ressalta a coragem de Fador.

– Conheci Fador quando eu era soldado. Ele combatia muito o jogo de bicho, casa de prosti­tuição, carteado, esses negócios. Ameaçavam muito ele e a famí­lia. Eu também combatia muito essas coisas. O Fador viu meu serviço e começamos nossa ami­zade. Ele pediu para que fizesse a segurança dos filhos dele, que hoje estão com 40 anos. Quando ele descobria um ponto de bicho, uma casa de prostituição, me chamava e íamos nós. Prendía­mos todo mundo, fechávamos as casas. Ele era conhecido como o promotor operacional, porque era o único que saía para pren­der. Era corajoso e incorruptível – relembra Bernardo.

A lembrança do advogado Carlos Magno de Carvalho é a de um homem que recusou be­nefícios em prol do seu trabalho.

– Era uma pessoa correta e que, como Promotor de Justiça, con­tribuiu muito para o município. Gostava tanto da cidade que abriu mão de promoções para aqui con­tinuar exercendo seu serviço.