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Nova pirâmide financeira populariza-se na região

Modalidade mais recente do golpe alastra-se por grupos de WhatsApp e Facebook: entenda como funciona e os riscos

25 julho 2017 - 08h22Por Rodrigo Branco | Reprodução
Nova pirâmide financeira populariza-se na região

Para quem tem WhatsApp, é difícil que a proposta ainda não tenha chegado em forma de cor­rente. A princípio, ela é sedutora, pois permite, com alguma lábia, conseguir lucro de até oito vezes com um ‘investimento inicial’ re­lativamente modesto. Nada mal para tempos de crise. Por outro lado, sem qualquer garantia, a mais nova modalidade de pirâ­mide financeira que circula por grupos de internet na região pode lesar o bolso de quem não conse­gue atingir as metas estipuladas.

Apelidada de ‘mandala’, a prática tem quatro níveis, sendo oito no primeiro; quatro no se­gundo, dois no terceiro e uma no ‘centro’. Funciona assim: a pes­soa cooptada precisa depositar R$ 125 na conta da quem hoje está no ‘centro’. A roda começa a girar quando as outras sete pes­soas do primeiro nível depositam a quantia. A partir daí, o grupo se desmembra e, com a adesão de outras pessoas, os ‘investidores’ vão subindo de nível até chegar ao ‘centro’ e receber R$ 1 mil. Ao chegar no objetivo final, é possível reiniciar o ciclo e au­mentar a rede.

No entanto, nada garante que a conta feche. Há risco de calote quando a base, ou seja, o primei­ro nível não é fechado e a pirâ­mide acaba por ruir. Nem sempre o dinheiro aplicado na estrutura mal sucedida é devolvido. Isso depende do grau de confiança entre os participantes, uma vez que não há contratos ou quais­quer outro tipo de documentos.

Embora não tenha se envolvi­do exatamente na ‘mandala’, a contadora Karoline Andrade, 22, participou recentemente de uma das formas de pirâmide. No caso, ela recebeu uma espécie de co­missão de R$ 10 a cada indicação bem-sucedida para que a pessoa convidada baixasse um aplica­tivo de celular. Apesar de dizer que não ficou receosa ao ceder o número da conta bancária para o administrador, Karoline admite que saiu do grupo assim que re­cebeu R$ 100 de comissão. Pelo seu raciocínio, caso algo desse errado, o prejuízo seria menor.

– Sempre me mandavam, mas não fazia por ter medo do cadastro. Você coloca o número do CPF e a conta. Até que uma prima minha fez e disse que dava certo. Fiz todo o procedimento e, como teste, baixei para o celular do meu marido. Realmente, en­traram os R$ 10 na minha con­ta. Aí eu falei: o dinheiro entra mesmo, se depois não sai eu não sei. Então falei com meu marido que faria só até ganhar R$ 100, porque se perdesse depois, seria menos complicado do que perder R$ 1 mil, por exemplo – comenta a jovem.

A Polícia Civil realiza uma investigação sob sigilo da nova modalidade da pirâmide. Mas o delegado-titular da 126ª DP (Cabo Frio), Renato Mariano dos Santos, pede que as pessoas que se sentirem lesadas ou que conheçam pessoas que acaba­ram prejudicadas, que façam um boletim de ocorrência para de­nunciar a possível fraude ou, ao menos, deem informações que ajudem a desarticular o esquema. O delegado salienta que a prática da pirâmide é um crime contra a economia popular (Lei Nº 1.521, de 26 de dezembro de 1951).

– Toda operação financeira que não seja por instituição re­gulada pelo Banco Central soa como irregular. E nessa irregula­ridade pode vir a ser constatado um crime – afirma o delegado.

Para garantir, as autoridades recomendam que o participante arquive documentos como depó­sitos bancários, e-mails, mensa­gens de WhatsApp e gravação de conversas.