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Dia dos Pais

No Dia dos Pais, a história de seu Maurício e Alex, pai e filho unidos pela música

Canto do Forte, em Cabo Frio, é o cenário escolhido para trocas musicais

13 agosto 2017 - 11h00Por Fernanda Carriço e Rodrigo Cabral
No Dia dos Pais, a história de seu Maurício e Alex, pai e filho unidos pela música

FERNANDA CARRIÇO E RODRIGO CABRAL

Sentado na cadeira de rodas, chapéu à cabeça, calça de linho e camisa de pano impecáveis,  Maurício de Lacerda Sotero, 86 anos, começa a dedilhar o cavaquinho suavemente. Quando encontra a melodia certa, convida o filho, Alex Sancher, 46, para se aproximar. Alex, violão a postos, segue o ritmo. É amor reverberado, diante do Forte São Mateus, em ondas como o mar: as visitas constantes ao canto da praia, ao menos duas vezes por semana, revelam que, para eles, o Dia dos Pais está marcado em todos os quadradinhos do calendário. Por lá, Maurício curte o que não vê. Mas sente.

– Perdi a visão há sete anos. Aceitei, né? – diz, baixinho, deixando escapar um sorrido no canto da boca. – Adoro vir aqui. Gosto de comer peixe, isso eu adoro. Muita coisa eu não posso falar porque não enxergo, mas cheguei a ter visão em Cabo Frio e vi muita coisa bonita. A imagem que guardo na memória é a queima de fogos que vimos aqui no Forte. 

Ex-maestro da Banda da Aeronáutica, Maurício teve quatro filhos no casamento de 54 anos com Maria Eugênia Satiro, 73 anos. E tem na ponta da língua o que é necessário para ser um bom pai.

– Tem que dar exemplo. Um bom filho é fruto do exemplo do bom pai – resume.

Maria acompanha os dois às visitas ao canto do Forte: enquanto ela pratica hidroginástica, pai e filho curtem o ar fresco e a afinidade musical. Aliás, Alex é o único dos filhos que seguiu os passos na música –   os demais optaram pela carreira militar. 

– Ele é um filho maravilhoso – dona Maria diz, orgulhosa. 

Maurício é só gratidão pelo cuidado que o filho tem com ele.

– Estamos muito bem relacionados. Ele me trata muito bem. Já tem um ano que estou agarrado aqui com ele e só fico bravo porque quero ir para Minas ver meus parentes – declara, arrancando gargalhadas de todos e ganhando, mais uma vez, um olhar afetuoso do filho.

A chamada hora de inversão de papéis, onde filho vira pai e pai vira filho, é vista com naturalidade pela família.

– Meu pai é uma pessoa que sempre dedicou a vida dele aos filhos. Sempre cuidou de mim e dos meus irmãos. Na verdade, eu me sinto mais irmão dele do que propriamente pai. Lógico que tenho que cuidar – ressalta Alex.

O presente do Dia dos Pais já foi comprado há um mês. Um novo cavaquinho, ainda visto com certa desconfiança por seu Maurício. “Prefiro o velho”, afirma. Mas Alex ri, pega o violão, afaga o pai e continua ouvindo suas histórias com admiração.

– Comandei 84 músicos banda . Tive três orquestras em Pirassununga, na época eu tocava trombone. Fiz muitos carnavais no Rio, tocava vários instrumentos. Mas o cavaquinho está comigo há 10 anos, não largo mais não – declara.

 Pai de três meninas, Alex diz que seu Maurício é um exemplo.

– Meu pai é um pai herói. Se eu conseguir chegar a 10% do que ele foi e é, estarei feliz. Ele é um exemplo – declara.

– Ele está sendo generoso, é bondade dele! – responde seu Maurício, sem largar o cavaquinho.

E, quando questionado sobre o melhor presente do Dia dos Pais que ganhou do filho, ele não pensa duas vezes:

– O melhor presente? Foi um beijo na testa – finaliza seu Maurício que, de bate-pronto, recebe um beijo na testa do filho.

O Dia dos Pais vai ser comemorado com música, como não poderia deixar de ser. Alex canta os maiores sucessos da MPB , música Pop e outros no Quiosque da Tia Maria, à tarde.