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Márcio Mureb pede desculpas e promete dar informações à CPI do Hospital da Mulher na Alerj

Secretário de Saúde é ouvido em CPI e deputados reclamam de falta de informações

17 abril 2019 - 09h23
Márcio Mureb pede desculpas e promete dar informações à CPI do Hospital da Mulher na Alerj

TOMÁS BAGGIO

O secretário de Saúde de Cabo Frio, Márcio Mureb, passou por uma verdadeira sabatina ontem durante o depoimento prestado na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Hospital da Mulher na Assembleia Legislativa (Alerj). Mureb disse que é preciso oferecer aumento salarial aos médicos para haver uma melhora no serviço de saúde. Também voltou a dizer que a ausência de pré-natal das pacientes está entre os problemas que causaram as mortes. Mas, ao ser colocado na parede com a cobrança de informações não prestadas desde o início da CPI, recuou: pediu desculpas, afirmou ter humildade suficiente para rever seus próprios erros e garantiu que todas as informações serão prestadas a partir de agora.

– O nosso problema, hoje, é que uma melhora na saúde depende de salário. Hoje nossos salários são baixos. A gente não tem salário atrativo para competir com o entorno. É muito baixo – disse o secretário para justificar os problemas na saúde pública municipal.

A deputada Renata Souza (PSOL), que preside a CPI, criticou a fala dele.

– Dizer que o valor salarial dos médicos não está a contento, e usar isso como justificativa para a morte de bebes, é lamentável – afirmou Renata.
Mureb disse que, apesar de colocar a ausência de pré-natal como um dos fatores responsáveis para as mortes dos bebês, não está culpando as mães pelos problemas ocorridos desde o início deste ano.

– A principal motivação para as mortes, segundo os relatos que temos, está na deficiência do pré-natal. Mas não se pode de forma alguma atribuir a responsabilidade a quem nos procura. O atributo de quem atende é acolher. Tem que estar extremamente claro que não somos julgadores. Trabalhei muito tempo em emergência, pegava muita gente baleada e não perguntava se era bandido ou mocinho. Não tem que fazer juízo de valor. Não podemos dizer que a morte aconteceu por um fato só, ela é multifatorial. Havia na gestão anterior (do Hospital da Mulher) um discurso de que a gestante era a causadora daquele problema diretamente. E não é isso, ela é uma vítima. Por isso, nosso principal objetivo hoje é humanizar o protocolo de atendimento – declarou Mureb, que então passou a listar providências que, segundo ele, estão sendo tomadas.

– Instauramos uma sindicância interna. Estamos fazendo uma análise parametrizada com outro período para ter uma referência. Pegamos todos os prontuários e nossa equipe está analisando um a um para ver, dentro dessa parametrização de um tempo para trás, o que foi que houve. Só teremos essa resposta ao fim da sindicância – disse ainda Mureb.

Além da presidente da CPI, outros deputados fizeram perguntas, entre eles dois de Cabo Frio. Serginho (PSL) perguntou se o prefeito Adriano Moreno estava ciente de todas as situações ocorridas no Hospital da Mulher, e Mureb respondeu que sim. Depois, perguntou se o prefeito adotou algum mecanismo de manejamento da dotação orçamentária para fortalecer os cofres da Secretaria de Saúde. Mureb respondeu que não tinha conhecimento. 

Já o deputado Mauro Bernardo (PROS) perguntou se a mulher do prefeito Adriano Moreno, a médica Alice Nassif, possui cargo no Hospital da Mulher. Mureb disse “ter a informação” de que Alice seria servidora concursada. Posteriormente, a deputada Renata Souza relatou ter sido comunicada de que a primeira dama não seria concursada.

A Folha entrou em contato com a Prefeitura de Cabo Frio para esclarecer a dúvida, mas não houve resposta.

Mea culpa

A última deputada a fazer questionamentos foi Enfermeira Rejane (PC do B), que é relatora da CPI. Ela criticou a falta de informações prestadas e pediu que Mureb “assuma, de fato, suas responsabilidades”. 

– O secretário afirma desconhecer o protocolo de atendimento na própria maternidade e afirma não conhecer o fluxo de atendimento. Ainda não recebemos os prontuários médicos que solicitamos, bem como os demais documentos. O secretário deveria ter essas informações em mãos, não para nos repassar, mas para conhecer a sua rede, conhecer o fluxo de atendimento. Isso se faz visitando as unidades. Me surpreende que o secretário não tenha essas e várias outras informações. São questões que fazem parte da administração de uma Secretaria – disse a deputada Enfermeira Rejane (PC do B), completando:

– É importante que o secretário conheça suas unidades de saúde, seus funcionários, seus diretores... que assuma, de fato, a sua responsabilidade enquanto secretário. Não podemos chegar numa CPI onde o secretário não traga informações. Não se preocupou nem em trazer informações, em saber o funcionamento da sua maternidade, de saber o que esta ocorrendo para, semana que vem, não ter mais uma morte. É óbvio que ninguém quer, e que o secretário de Saúde não tem interesse que morra mais ninguém, mas quando (a gente) pergunta qual (será o) procedimento daqui para frente, nem isso o secretário traz – afirmou ainda Rejane.

Foi então que Marcio Mureb mudou de tom e fez um mea culpa.

– Gostaria de convidá-los para uma nova visita ao hospital. Quero pedir desculpas se não atendi todas as informações. Temos uma rede muito grande. A Enfermeira Rejane foi muito contundente, e eu concordo que a gente precisa dialogar mais com as nossas lideranças, é uma coisa que vamos fazer daqui pra diante. Estamos aceitando a recomendação dela. Eu não tenho experiencia, é a primeira vez que sou secretario. Muita coisa eu não tenho conhecimento mesmo. Tem que ter humildade, saber que precisa de ajuda. Vamos nos reunir periodicamente para traçar metas. Não acho que terei todas as soluções para tudo. mas a motivação tem que ser diferente. Vou aceitar várias recomendações que foram pertinentes. O que não se pode é demostrar arrogância ou prepotência em querer achar que o que a gente está fazendo é o que está certo, e pessoas estão morrendo. Então tem que aceitar ouvir mesmo, nossa orelha tem que ser puxada, sim. Acho que ainda há tempo para mudar, evitar que pessoas morram. Concordo quando afirma que eu deveria ter trazido mais dados. Vamos fazer isso a partir de agora – disse Márcio Mureb, já no fim da sessão da CPI.