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Moradores do Manoel Corrêa temem surtos de dengue

Pneus abandonados e outros problemas foram encontrados em visita ao bairro

10 novembro 2016 - 07h35Por Texto e foto: Gabriel Tinoco
Moradores do Manoel Corrêa temem surtos de dengue

Na porta do verão, estação em que os casos de dengue se mul­tiplicam, os moradores do bairro Manoel Corrêa reclamam dos pneus espalhados à beira da es­trada que liga Cabo Frio a Arraial do Cabo. Eles sentem medo dos prováveis focos do mosquito Aedes aegypti em períodos de chuva. Um pouco mais à frente, um campo de futebol, também na beira da estrada, tem as marca­ções delimitadas por pneus. Qua­se todos tinham água no interior.

O porteiro de uma pousada próxima aos pneus, Jorge de Je­sus, 66, tem medo de contrair uma doença.

– É arriscado. Nós fazemos tratamento aqui na pousada. A Prefeitura vem sempre. Mas pode ser criado um foco de mos­quito da dengue lá e chegar até aqui. Não adianta nada o nosso cuidado – desabafa.

As chuvas são a maior preo­cupação da autônoma Zenilda de Oliveira, 67, que mora no Manoel Corrêa. Ela pediu socor­ro ao repórter para que os pneus fossem retirados.

– Você não pode fazer um apelo às autoridades? Isso é um absurdo. Estou muito preocupa­da com essas chuvas de janeiro. Tenho que pedir a Deus para não ficar doente – clama.

A autônoma Dilma Rosa, 67, teme pela saúde das crianças e dos idosos na comunidade. – A gente tem criança pequena em casa e fica com medo. Ouvi na rádio que Cabo Frio está sem médico. Sou idosa. Não posso pegar uma doença dessas. Mas a minha primeira preocupação é com as crianças – afirma.

A assessoria da Secretaria de Saúde informou que uma equi­pe de vigilância sanitária fará o tratamento com larvicida, mas não recolherá os pneus.

Da dengue à horta

Se a ameaça de larvas do mosquito deixa moradores as­sustados, um professor de judô resolveu transformar potenciais criadouros do Aedes aegypti em uma horta comunitária. Robson Ferraz, 72, recolhe os pneus espalhados, pinta e coloca ter­ra para a colheita. O resultado, além da prevenção, são alimen­tos e plantas nativas da região.

O dono da horta aproveita para fazer um alerta para os mo­radores do Manoel Corrêa.

– Faço minha parte. Mostro a diferença de quem faz coisa boa para quem faz coisa ruim. É um foco de uma doença que pode afetar uma população imen­sa, que se estende do Braga ao Manoel Corrêa. Todos vão fi­car contaminados nesse verão. A Saúde está precária ainda por cima – prevê.

Robson faz questão de ajudar quem precisa de alimentos e até doar mudas para a vizinhança.

– Criei a horta há oito anos. Quando comecei, não tinha nem pneu. Comprei sementes e fiz uma horta para beneficiar a co­munidade. Não vendo. O mo­rador, às vezes, quer comer um peixe e não tem um coentro para temperar – conta ele, que colhe tomates, pimentões, pimentas e outros alimentos na horta.