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Marquinho e Rafael Peçanha trocam desafios sobre caso dos supersalários

Prefeito cobrou provas do vereador, que prometeu elogios se governo for inocente

09 novembro 2017 - 09h35Por Texto e foto: Rodrigo Branco
Marquinho e Rafael Peçanha trocam desafios sobre caso dos supersalários

Vereador e sindicalistas protocolaram representação no Ministério Público

O caso da servidora municipal que acumulou indevidamente cargos e salários nos últimos cinco anos, chegando a receber R$ 130 mil em junho do ano passado, continua a repercutir na cidade. Nesta quarta-feira (8), o autor da denúncia, o vereador Rafael Peçanha (PDT), e o prefeito Marquinho Mendes (PMDB) trocaram farpas públicas e lançaram um desafio um ao outro.

Tudo começou depois que Marquinho negou para a reportagem da Folha que a atual administração tenha qualquer envolvimento com o pagamento de supersalários para a servidora. O prefeito chegou a dizer que faltou ‘responsabilidade’ ao vereador para fazer a denúncia na tribuna da Câmara, semana passada. Como resposta, o parlamentar disse que ‘irresponsável’ é o governo eximir-se de culpa sem apresentar provas.

O vereador cobrou novamente o acesso aos dados dos Recursos Humanos da prefeitura e aproveitou para lançar uma proposta para Marquinho: prometeu elogiar publicamente o prefeito, caso fique comprovada a inocência do atual governo no episódio. Ele já tinha feito um requerimento ao setor responsável na semana passada pedindo informações sobre o assunto.

– Já que o negócio está desse jeito, vou propor um desafio ao prefeito. Se ele abrir o acesso aos sistemas para fazer os cruzamento dos dados dessa servidora e de outros, da primeira gestão dele, em 2005, até hoje, e não houver nenhuma prova, dou parabéns a ele na tribuna por estar fora desse possível esquema. É só abrir os dados. Irresponsável é negar sem provar – desafia Peçanha. 

Procurado, o prefeito surpreendeu e, em vez de comentar as declarações de Peçanha, devolveu a provocação.

– Eu que desafio o vereador. Quero que ele mostre quando o governo fez algum crédito de R$ 120 mil (na verdade, Peçanha apontou que foram R$ 60 mil em janeiro deste ano) a essa funcionária, como ele falou. Se ele provar que isso foi feito, digo publicamente que ele é um bom vereador – emendou o prefeito. 

Fora do terreno da batalha verbal, o vereador esteve na tarde desta quarta na sede do Ministério Público, no Centro, para protocolar uma representação. Levando a documentação que conseguiu levantar sobre o caso, Peçanha foi acompanhado por representantes sindicais e líderes comunitários.  

– Todas as entidades têm que participar de uma iniciativa como essa porque é um absurdo o que parece que está acontecendo. Esse documento que Rafael conseguiu é um prova de que existem irregularidades e devem ser investigadas – disse José Renato Almeida, da diretoria da Associação Municipal de Fiscais Municipais (AFM).