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Saúde

Longe da propaganda oficial, problemas na Saúde de Cabo Frio persistem

Aposta na inauguração da Unidade de Pacientes Graves não encobre problemas

02 setembro 2015 - 10h14

Se nesta terça-feira (1), no auditório da Prefeitu­ra, um clipe exibido tinha como objetivo mostrar os avanços na área da Saúde, durante a inter­venção de mais de 100 dias do prefeito-secretário Alair Corrêa, que deixava o cargo, denúncias que chegam à redação da Folha mostram uma realidade bem menos cor-de-rosa.

Apesar das melhorias no aten­dimento e da aposta na inaugu­ração da unidade de pacientes graves (UPG) – oito das vagas funcionarão a partir de hoje no HCE – os fatos mostram que ainda há um longo caminho a percorrer.

Na verdade, um desses leitos da nova unidade é a esperança do pedreiro e vigia Paulo César Santos Silva, 36. Após sofrer uma convulsão e depois um sur­to na madrugada da última sexta (28), seu irmão, Fábio Júnior, 24, sofreu uma queda e bateu a cabeça em frente à escola 31 de Março, no Guarani. A agonia começou ali. Na UPA do Parque Burle, sem conseguir uma vaga de UTI, Fábio sofreu três para­das cardíacas desde então. Paulo César corre contra o tempo para tentar salvar a vida do irmão.

– Mesmo que depois ele mor­ra, quero apenas que ele seja atendido com todos os cuidados – pede, aflito.

Já os problemas da família de João José da Silva começaram há cinco meses, quando sua filha se submeteu a uma cirurgia para retirada de um nódulo no útero no Hospital da Mulher. Depois de um período sem dores, elas retornaram com força total há poucos dias.

Dores que, segundo João, a impedem de dormir há quase uma semana, além de lhe tirar o apetite e a sede. De acordo com João, nas crises mais agu­das, a filha chega a desmaiar. Nas procuras freqüentes à UPA do Parque Burle, ele diz que são administrados apenas anal­gésicos. Ultrassom e radiogra­fias nada indicam, o que tem levado o pai de família, que perdeu a esposa de diabetes há pouco tempo, ao desespero. O diagnóstico foi ser buscado no Rio, no Hospital Salgado Fi­lho, para onde a moça foi leva­da ontem à tarde.

– Não quero culpar a cirurgia, mas não é possível que não con­sigam descobrir o que a minha filha tem. Dizem que ela não tem nada, mas como se ela está cheia de dor ? – questiona.

Mas, apesar dos esforços da Prefeitura para encontrar des­vios e de integrar eletronicamen­te o sistema de almoxarifado às unidades, o abastecimento de medicamentos e insumos segue sendo um gargalo a ser fechado. Que o diga o técnico em telefo­nia Fábio Santos, morador do Jardim Esperança.

Depois de sofrer uma cirur­gia no tornozelo, no Hospital de Traumatologia e Ortopedia Dona Lindu, em Paraíba do Sul, há dez meses, houve rejeição ao parafuso instalado. Após nova operação para sua retirada, veio a necessidade de refazer diaria­mente o curativo.

Encostado, o rapaz começou a fazê-los no Hospital do Jardim, mas há cerca de 20 dias, tem tido dificuldades (VEJA VÍDEO COM AS DENÚNCIAS NO TV FOLHA).

– É constrangedor não ter ál­cool 70º, gaze e atadura – diz.