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Lei do Silêncio

Lei do Silêncio em estabelecimentos de Cabo Frio irrita músicos

Prefeitura ameaça multar e interditar as casas que descumprirem determinação

29 outubro 2016 - 19h48Por Redação | Foto: Arquivo Pessoal
Lei do Silêncio em estabelecimentos de Cabo Frio irrita músicos

Junior Dias (direita) sustenta a família com a música e diz que medida tirou 25% do seu orçamento mensal

Neste fim de semana frio e chuvoso em Cabo Frio, uma boa opção a ficar em casa assistindo filmes na TV seria curtir um bar e restaurante com música ao vivo. O verbo na condicional é por causa de uma determinação recente da Prefeitura para que casas de show e estabelecimentos do gênero não realizem apresentações musicais até a próxima terça-feira (1), sob pena de multa e interdição por parte da Secretária de Ordem Pública.

Segundo a Prefeitura, a medida vai ao encontro de uma ação civil que exige que  lei de ruídos sonoros seja obedecida e que o município coíba  “de forma imediata, permanente e eficiente, nos horários noturno e diurno, todas e quaisquer atividades que produzam ruídos sonoros acima dos níveis permitidos pela legislação vigente".

Uma reunião envolvendo autoridades (Prefeitura, polícia e Ministério Público), empresários e outros interessados está marcada para a próxima semana, mas o assunto já rende uma grande polêmica, sobretudo entre aqueles que estão entre os maiores prejudicados: os músicos. Para o cantor e tecladista Junior Dias, que se apresenta nos quiosques da orla do Forte e em outros lugares na cidade, a proibição de exercer sua atividade vai representar um baque de 25% no seu orçamento doméstico.

– Coíbam-se os excessos, cumpram-se as normas, mas o que é absurdo é não se punir apenas os transgressores e sim penalizar todos os comerciantes que se utilizam da música ao vivo em seus estabelecimentos para aumentar o faturamento, privar os clientes destas casas de uma tradição brasileira que é sair para comer alguma coisa com os amigos e curtir um som ao vivo e não permitir que a classe dos músicos possam exercer seu trabalho e ganhar o seu pão de cada dia – reclama o artista.

Embora não tenha sido prejudicado diretamente pela medida, o experiente guitarrista Leo Barreto se preocupa pelos colegas de profissão. Para ele, a falta de aviso prévio foi uma falta de consideração com os músicos.

– Não tiveram o mínimo de consideração com os profissionais que contam com o trabalho do fim de semana. Por que não fizeram essa determinação numa segunda feira após os profissionais, tanto músicos como outros que dependem do trabalho do fim de semana, trabalharem? As pessoas contam com esse trabalho. É preciso lembrar que a musica ao vivo, bares e casas noturnas movimentam receita na cidade. Foi uma total falta de respeito e de sensibilidade – criticou.