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Jovem de Saquarema acusado de terrorismo está na mesma prisão que Fernandinho Beira-Mar e Chico

Unidade de segurança máxima no Mato Grosso do Sul recebe suspeitos de planejar ataques durante Olimpíada

23 julho 2016 - 14h00Por Rodrigo Branco

Alisson Luan de Oliveira poderia ser facilmente confundido com um típico jovem de sua idade, 19 anos, não fosse a inclinação para a ideologia dos extremistas radicais do grupo terrorista Estado Islâmico.

Morador de Saquarema, a milhares de quilômetros do Iraque, berço do EI, Alisson, que tem ascendência síria, sonhava entrar no país do Oriente Médio e se unir aos fundamentalistas. A identificação é tanta que nas suas contas nas redes sociais, descobertas pela Polícia Federal e depois apagadas, ele usava o codinome Alisson Mussab Al Baghdadi.

O sonho do rapaz foi abortado na quinta-feira, quando ele foi preso na Operação Hashtag, junto com outros nove acusados de fazer apologia ao terrorismo na internet e suspeitos de tramar ataques durante os Jogos Olímpicos do Rio, que começam em menos de duas semanas. Desde 2003, Saquarema sedia o Centro de Treinamento da Confederação Brasileira de Vôlei.

No ano passado, depois de ter sido deportado da Turquia tentando chegar à Síria, Luan chegou a trabalhar durante cinco meses como caixa de um supermercado. Segundo colegas, ele era chamado de ‘homem-bomba’ por causa da sua ascendência síria. Em algumas oportunidades, chegou a admitir que desempenharia a função se ‘ a cause fosse justa’, mas os companheiros de trabalho não o levavam a sério até que o Ministério Público começou a investigá-lo por envolvimento com extremistas.

– Alguém que perguntou pra ele se ele tinha coragem de ser homem-bomba, explodir alguma coisa assim. E ele respondeu simplesmente assim: ‘se for por uma boa causa, sim’. Essa foi a resposta dele. Ele não chegou a falar qual seria a causa. Não sei a religião dele. É bem assustador. Um garoto bom, novo – afirmou seu ex-colega de trabalho, Moisés Mesut à InterTV.

Presídio ‘de Chico’ – Luan e os outros nove suspeitos presos pela Polícia Federal na Operação Hashtag foram levados para o presídio de segurança máxima de Campo Grande (MS), onde estão o traficante Fernandinho Beira-Mar e o ex-presidente da Empresa Cabista de Desenvolvimento Urbano e Turismo de Arraial do Cabo, Francisco Eduardo Freire Barboza, o Chico, acusado de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas e desvio de dinheiro público.

De acordo com matéria publicada pela Folha na edição de 24 de junho, a vida de quem chega ao local não é nada fácil.

O presídio é monitorado por 200 câmeras de segurança, com imagens transmitidas em tempo real para centrais de segurança. As celas têm 14 metros quadrados, apenas com cama e armário, de onde não saem nem para tomar banho de sol.

Essas foram as primeiras prisões desde que a Lei Antiterrorismo foi sancionada pela presidente afastada Dilma Rousseff, em março.

O que é o Estado Islâmico?

Decapitação é prática comum (Reprodução)

O grupo terrorista sunita Estado Islâmico – que já foi denominado também como Estado Islâmico no Iraque e na Síria (EIIS) e Estado Islâmico no Iraque e no Levante (EIIL) surgiu como uma derivação da organização Al-Qaeda, de Osama bin Laden, responsável pelo atentado às Torres Gêmeas em setembro de 2001.

O principal objetivo do EI é expandir o seu califado por todo o Oriente Médio e para o Ocidente, pautado pela Sharia, a Lei Islâmica interpretada a partir do Alcorão.

O grupo é conhecido pelas suas ações de extrema violência até se comparadas as de outros grupos radicais como a própria Al-Qaeda e o Hamas.