Moradores do bairro Parque Burle, em Cabo Frio, foram pegos de surpresa com a notícia da instalação de uma unidade do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase), na localidade.
O anúncio foi feito na tribuna da Câmara Municipal pelo vereador Jefferson Vidal, e gerou protestos imediatos na comunidade. Por se tratar de um bairro residencial, a vizinhança teme pelos impactos na segurança, já que a área escolhida fica perto de uma creche e de três escolas. Localizado na Rua 16, o terreno possui 900m², foi desapropriado pelo governo do estado em 2024, e desde dezembro do ano passado passa por obras de reforma estrutural.
Durante a sessão, Jefferson Vidal manifestou preocupação com a escolha do endereço e explicou que o local receberá jovens que cumprem medidas em regime de semiliberdade, modelo no qual os internos saem durante o dia e retornam para dormir. O vereador Thiago Vasconcelos alertou para outros reflexos negativos na região, como a desvalorização imobiliária e a perda de qualidade de vida dos moradores do entorno. Já o presidente da Câmara Municipal, vereador Vaguinho, informou que vai atender aos pedidos dos parlamentares e dos moradores para acompanhar de perto e fiscalizar as condições da construção.
O debate continuou na sessão desta quinta-feira (18). O vereador Alfredo Gonçalves ponderou que, embora a recuperação e a ressocialização dos adolescentes sejam metas importantes, a localização definida pelo Estado não é adequada, motivo pelo qual pretende buscar alternativas para o debate.
O projeto executado no município faz parte de um plano de expansão anunciado pelo Governo do Estado no dia 19 de julho de 2025. Na ocasião, o Executivo estadual divulgou um investimento de aproximadamente R$ 53 milhões para abrir 219 vagas em oito novas unidades do Degase. O pacote original mencionava a construção de dois modelos em Cabo Frio: um Centro de Socioeducação (Cense), com 40 vagas para internação em regime fechado, e um Centro de Recursos Integrados de Atendimento ao Adolescente (Criaad), com 20 vagas destinadas ao regime de semiliberdade. No Criaad, o jovem estuda, trabalha e faz atividades externas, retornando apenas nos horários fixados.
A Folha teve acesso a documentos oficiais da Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de Janeiro (Emop), com data de janeiro de 2026. Eles confirmam que a obra em andamento na Rua 16, no Parque Burle, é para reforma e adaptação de uma residência unifamiliar para transformá-la em uma unidade de semiliberdade do Degase.
O endereço foi declarado de utilidade pública para fins de desapropriação pelo governador Cláudio Castro por meio do Decreto 49.055, assinado em 18 de abril de 2024. A obra está sendo executada pela Rivan Construtora Ltda. O contrato tem o valor de R$ 1.567.830,00. O início dos trabalhos ocorreu em 4 de dezembro de 2025 com prazo de finalização no último dia 6 de junho.
A reportagem da Folha entrou em contato com a direção do Degase e solicitou detalhes sobre o perfil dos jovens atendidos, a área de abrangência do atendimento e sobre a existência de um estudo de impacto de vizinhança, mas não houve resposta até o fechamento desta matéria




