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Índice de abstenções aumenta 30% na eleição deste ano

Em Búzios, o maior salto: o percentual passou de ​11,43% para 17,44%.

09 outubro 2016 - 06h50Por Rodrigo Branco | Foto: Evandro Mureb
Índice de abstenções aumenta 30% na eleição deste ano

Em Cabo Frio, número de votantes foi menor este ano (Evandro Mureb)

Fosse um candidato, o índice de votos em branco, nulos e abstenções somados na eleição municipal do último domingo iria para as cabeças. Em quatro municípios da região (Cabo Frio, Arraial, São Pedro e Búzios), o percentual médio de eleitores que não foram às urnas foi de 20,41% contra 15,82% em 2012 (aumento de 30%). Nas quatro cidades, o índice de abstenções cresceu: em Cabo Frio, de 17,28% para 22,21%; em Arraial de 15,65% para 20,20%; em São Pedro, de 18,94%para 21,82% e em Búzios, o maior salto, de 11,43% para 17,44%. Já em relação aos votos em branco, o desinteresse nos candidatos, embora em menor proporção, também aumentou: de 1,54% para 3,05% em Cabo Frio; 1,20% para 1,53% em Arraial; 1,69% para 1,91% em Búzios; e 3,04% para 3,27% em São Pedro.

O quadro se repete para os votos nulos, sem levar em conta as impugnações do TRE. Em Cabo Frio, o número saltou de 3,44% para 5,37%; em Arraial de 3,49% para 3,66%; em Búzios de 2,84% para 3,34% e em São Pedro de 5,61% para 6,64%. 

Especialistas não chegam a uma conclusão sobre as causas do fenômeno, mas levantam uma série de hipóteses que ajudam a desnudá-lo e na raiz de todas elas está o desencanto com a classe política em todas as esferas de representação pública. Para o historiador Paulo Cotias, a divulgação dos casos de corrupção tem influência na decisão de abrir mão da escolha.

– É uma rejeição ao atual modelo político. Creio que o grosso desse número de abstenções e votos nulos se dê em especial na classe média em geral, em virtude de uma maior politização – diz ele, que prossegue – As reformas não aconteceram de todo e, apesar do financiamento de campanha ter sido proibido, a quantidade de pessoas arregimentadas por candidatos mostra o poder de fogo do caixa dois. As massas ainda, apesar de reclamarem, são participantes porque são contratadas e diretamente beneficiadas por esse tipo de campanha – conclui.

Para o professor Wellington Trotta, além dos escândalos, contribui para a descrença do eleitorado o fato de não enxergar capacidade para resolver os problemas mais básicos do cotidiano, como o problema do posto de saúde ou o preço do aluguel. Para o estudioso, o quadro nacional também afetou a decisão de muitos de passar longe das seções.

– A Lava-Jato denunciou as maracutaias dos grandes empresários, dos grandes políticos, e o PT causou uma grande desilusão por vir com aquele discurso moralista – acredita.

O também historiador e colunista da Folha Paulo Roberto Araújo ressalta que o cenário se repete pelo país, mas que no município a crise acentua o desejo de mudança.

– No caso de Cabo Frio, a coisa ainda fica pior por conta da crise sem precedentes por que passa a cidade. Na prática, é como se o eleitor não quisesse mais saber deste tipo de política e nem destes políticos. Existe um desejo muito grande que novos personagens assumam a política
e é isso, na minha opinião que explica por quê a maioria dos vereadores não se reelegeu.