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Igreja de São Benedito, na Passagem, em Cabo Frio, será restaurada

Orçada em R$ 2,5 milhões, obra seguirá projeto aprovado em 2015

17 junho 2024 - 10h52Por Redação
Igreja de São Benedito, na Passagem, em Cabo Frio, será restaurada

A reforma da Igreja de São Benedito, na Passagem, em Cabo Frio, finalmente saiu do papel. Estimado em cerca de R$ 2,5 milhões, o projeto será realizado com verba liberada pela Câmara Municipal através de emendas impositivas, e também pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). A execução será feita pela empresa Sarasá, mas o prazo de duração da obra não foi informado pela paróquia.

O projeto de restauração da igreja histórica cabo-friense é apenas um dos cinco contemplados pelo Programa de Apoio a Estudos para a Recuperação e Reestruturação de Edificações Históricas do Período Colonial (1500-1807), Tombadas por Instituições de Patrimônio Histórico, Sediadas no Estado do Rio de Janeiro (Edital Faperj nº 01/2024). O investimento total para os cinco projetos de R$ 4,9 milhões, destinados à infraestrutura e recuperação de bens culturais e históricos relevantes do período colonial.

Segundo o presidente da Faperj, Jerson Lima, “apoiar projetos de restauração de estruturas de grande valor arquitetônico, histórico, cultural e social, relativos aos primórdios da colonização do país e do estado do Rio de Janeiro, implica também, além da preservação de patrimônio inestimável, na formação de mão de obra especializada, na descoberta de técnicas e métodos de conservação, inovadores e sustentáveis e no fortalecimento dos laços entre a produção de conhecimento científico e a recuperação de bens de uso cotidiano da sociedade”.

O projeto de reforma da igreja de São Benedito está pronto desde 2015, quando houve o desabamento do forro do teto devido à invasão de morcegos e ao peso das fezes desses animais. Em entrevista à Folha em janeiro de 2019, o padre Marcelo Chelles chegou a falar sobre a vontade de criar um roteiro de turismo histórico e religioso em Cabo Frio, mas via como grande empecilho a reforma necessária da Igreja de São Benedito.

– Está na minha pauta também a recuperação da Capela de São Benedito, mas essa é uma obra de um vulto financeiro muito alto, e não sei se tenho fôlego pra fazer uma obra dessa. Em 2015 havia um acordo em que a Prefeitura faria a reforma da Capela para os 400 anos da cidade (data comemorada em novembro de 2015), e eu faria a reforma da Matriz. Aqui (na Matriz Histórica) nós conseguimos fazer, mas lá não andou - explicou na época.

A única ação que o governo municipal chegou a fazer no prédio da igreja foi renovar o visual externo em outubro de 2023 com limpeza e capina em volta da construção histórica, na área conhecida como Largo São Benedito, e pintura da fachada.
Segundo o acervo do historiador Márcio Werneck, a história da Igreja data de 9 de abril de 1761, quando o morador João Botelho da Ponte foi autorizado a erguer a construção na Passagem. Ele doou o patrimônio de uma “morada de casas e os foros de outras que se fizeram em terreno pertencente à mesma capela para sua conservação”. Outros historiadores contam que após erguido, o prédio passou a ser utilizado para abrigar os escravizados que se associavam em irmandades. Com a morte de João Botelho, moradores do bairro começaram a pagar um Reverendo Capelão “para lhes dizer missa nos dias de preceito”.

No livro História de Cabo Frio – dos sambaquieiros aos cabo-frienses (c. 3.720 a. C. – 2020), os historiadores Luiz Guilherme Scaldaferri e José Francisco de Moura contam que, entre 1778 e 1797, o zelador do templo foi Carlos Nogueira Lopes. “A Capela estava bem conservada, e seu oratório, em uso. Também temos notícias de que em 1799 se encontrava bem conservada. Em 1894, os moiradores ficaram responsáveis por pagar a um reverendo capelão para que rezasse as missas nos dias de preceito. No bairro, além de irmãos da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, também havia os da de São Benedito. Ao que parece, esta era composta por marítimos vizinhos da Passagem e por pessoas livres e escravizadas”, contam os pesquisadores.