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IFF Cabo Frio só tem verba até outubro

Direção afirma que será impossível pagar as contas com o corte de verbas do Ministério da Educação

09 maio 2019 - 10h28
IFF Cabo Frio só tem verba até outubro

TOMÁS BAGGIO

O anúncio feito pelo Ministério da Educação de corte de verbas na casa dos 30% para as instituições de ensino federais vem provocando insegurança e tensão em universidades, institutos e escolas em todo o Brasil. No Instituto Federal Fluminense (IFF) Cabo Frio a previsão é muito ruim. Segundo a direção, com a diminuição de recursos as bolsas de pesquisas ficam prejudicadas desde já, e até mesmo o funcionamento da instituição fica ameaçado a partir de outubro.

O IFF Cabo Frio tem cerca de 1.500 alunos e verba anual de R$ 3,6 milhões. Segundo o diretor geral, professor Victor Saraiva, é o mesmo orçamento de quando a instituição tinha 800 alunos. Com o corte de verbas, a previsão é de que em cinco meses não seja possível pagar as contas.

– Com 30% a menos a gente simplesmente não funciona. Não tem como reverter isso. É impossível deixar de pagar pela limpeza, manutenção, água, luz. A parte de pesquisa e extensão já vinha com contingenciamento de 20%, com muita dificuldade de manter os projetos. Agora com esse novo corte a gente só tem recursos para funcionar até outubro – explica o diretor.

Segundo Victor, atualmente o IFF tem aproximadamente 50 projetos de pesquisa em andamento nas áreas engenharia, biologia e ciências humanas. Para os alunos bolsistas de formação integral, o valor da bolsa é de R$ 400 por mês, o que, para o diretor, é muito pouco porque “não paga nem a passagem do estudante”. 

– Temos pesquisas voltadas para o monitoramento de recursos hídricos como a Lagoa de Araruama, de despoluição em caso de contaminações ambientais, de geração de energia limpa, entre muitas outras. Uma característica importante dos institutos federais é que eles estimulam a realização de pesquisas voltadas para soluções relacionadas à comunidade em que está inserido. Tudo isso pode parar, mesmo porque, caso decidam repor o dinheiro depois, as coisas não voltam da noite para o dia – conta Victor Saraiva.

O IFF Cabo Frio tem cursos superiores de licenciatura em biologia, química e física, bacharelado em engenharia mecânica e tecnologia em hotelaria e gastronomia.

Para os alunos, a insegurança se tornou um pesadelo. O aluno Thomas Almeida, estudante de tecnólogo em gastronomia, é do Rio e resolveu morar em Búzios para estudar no IFF Cabo Frio. Ele está apreensivo com a situação.

– Está sendo assustador. Vim em busca de um sonho, pela oportunidade de entrar na área de gastronomia estudando em uma instituição respeitada e que tem o curso voltado para a valorização da culinária local. Ter essa insegurança de que posso não conseguir concluir meus estudos é muito difícil. É triste demais ver um instituto que tem uma estrutura de excelência ter essa possibilidade de encerrar atividades por falta de verba – lamenta Thomas, acrescentando que os alunos do IFF Cabo Frio estão programando para semana que vem um protesto em que irão mostrar, em praça pública, parte dos projetos desenvolvidos no instituto federal.

Para o diretor da instituição de ensino, a justificativa dada pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, de que os cortes estão sendo feitos porque existe “balbúrdia” nas universidades, demonstra que “questões ideológicas estão sendo colocadas acima da educação”.

– Infelizmente as questões ideológicas estão sendo colocadas acima da educação. É uma política de impor ideologias dentro das instituições de educação, e também uma chantagem em relação à reforma da Previdência. Não sou eu que digo, o próprio ministro disse que se os recursos só voltam se a reforma da Previdência for aprovada, mesmo sem qualquer ligação entre a reforma e a arrecadação do governo. Se o corte fosse, de fato, por falta de arrecadação, não seria com a aprovação com a reforma da Previdência que a arrecadação iria aumentar da noite pro dia. Então, na verdade, é uma chantagem – declara o diretor do IFF Cabo Frio.

Ele também acredita que existe a intenção de desviar o foco de temas centrais com falas que estariam enfraquecendo o meio acadêmico.

– Quando se fala em balbúrdia, em drogas, não passa de um desvio de atenção. É uma clara tentativa de imposição de uma ideologia. A droga, todos sabem, é uma mazela social, e as universidades, inclusive, buscam, através de pesquisas, ajudar a sociedade. Não se pode colocar o meio acadêmico como um meio de drogados, de pessoas que não são sérias, mesmo porque toda a produção científica brasileira vem das universidades – considera Victor.

Perguntado se acredita que o governo federal irá recuar da medida, ou se acha que as instituições irão parar, literalmente, no segundo semestre, Victor ficou na dúvida.

– É uma pergunta que eu realmente não sei responder. Porque o descompromisso com a comunidade escolar e acadêmica é tão grande que não dá para prever nada. Claro que se não houver uma mudança nesta medida, será o verdadeiro caos. Porque não são apenas os alunos e professores que serão prejudicados, mas todos os familiares dos prestadores de serviço, aqueles que iriam se beneficiar das pesquisas, enfim, a sociedade como um todo – conclui o diretor.