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Hospital da Mulher: ‘Isso parece uma coisa orquestrada’, diz prefeito na rádio

​Adriano critica iniciativa de CPI na Alerj e minimiza crise na unidade

06 fevereiro 2019 - 09h40
Hospital da Mulher: ‘Isso parece uma coisa orquestrada’, diz prefeito na rádio

O prefeito Adriano Moreno (Rede) criticou ontem, durante entrevista ao comunicador Amaury Valério, na Rádio Ondas, a iniciativa da deputada estadual Renata Souza (PSOL) de instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa (Alerj) para apurar a crise no Hospital da Mulher. Aliás, Adriano também minimizou os problemas da unidade, que disse ter índices de mortalidade de bebês abaixo da média. De acordo com o Ministério da Saúde, entre 2000 e 2011, no Brasil, o índice caiu de 21,3 para 12,7 óbitos a cada 1 mil nascidos vivos. O prefeito afirmou ainda que vê as iniciativas como ‘ações orquestradas’ para desestabilizar sua gestão e disse que a situação está causando problemas para a equipe do hospital.

– O que está sendo divulgado na rede social e na mídia é que o hospital é um açougue. É uma atitude leviana, que está desmoralizando o hospital. As pessoas já chegam lá revoltadas e querem agredir os funcionários. Daqui a pouco não vamos ter mais funcionários parta trabalhar no hospital, por medo de ser agredidos – reclamou, durante a entrevista para Amaury.

De acordo com que a reportagem apurou, Renata Souza já obteve a quantidade de assinaturas necessárias para pedir a CPI – pelo Regimento da Alerj, é preciso a adesão de um terço dos deputados, no caso, 24 assinaturas – mas a instalação ainda depende da aprovação da Mesa Diretora. 

Enquanto a investigação externa não tem início, Adriano aposta na auditoria que está sendo feita pela Secretaria de Saúde para apurar as recentes mortes de bebês no Hospital da Mulher. Sem fazer menção direta aos casos que vieram à público, o prefeito posicionou-se de forma semelhante à polêmica nota da direção da unidade, que atribuiu as mortes de crianças a problemas no pré-natal ou doenças preexistentes das gestantes. Por outro lado, ele admitiu problemas na estrutura da saúde pública municipal. A auditoria começou no último dia 24 e tem prazo de 30 dias para a conclusão. 

– Estamos levando toda a documentação ao Ministério Público. As comissões estão montadas, temos respostas a todos esses casos. O problema está na saúde básica, pré-natais que não estão sendo feitos, alguma doença que pode afetar a formação do feto. Durante 22 anos, a saúde básica não foi priorizada. Os nossos postos estão caindo aos pedaços, o atendimento não está sendo feito a contento – disse Adriano.

As declarações irritaram a ativista Carolina Werkheizer, do Setorial de Mulheres do PSOL, que está fazendo a articulação junto à deputada Renata Souza para a instalação da CPI na Alerj. Carolina defendeu o direito do Legislativo estadual apurar as denúncias e as acusações de negligência contra o hospital. 

– A fiscalização é um direito democrático. Se há indícios (de problemas), há de ser investigado e não há nada de leviano isso. Leviano é quando a direção de um hospital vai a público para expor os pacientes e o prefeito se mostra conivente com essa ação, também transferindo a responsabilidade para as mães. Se o problema também está no acompanhamento do pré-natal, isso também é um problema da gestão de Cabo Frio – defendeu a ativista.

UPAs na mira – Durante o papo na rádio, que durou cerca de uma hora, Adriano criticou duramente a estrutura das UPAs de Cabo Frio e a opção dos ex-governadores Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão de construírem as estruturas em contêineres. À época, o programa de implantação das unidades pertencia ao governo do estado, mas depois a gestão foi municipalizada. A empresa que fez as instalações já encerrou as atividades, de acordo com o prefeito.
– Herdei duas UPAs sucateadas, consegui recursos para reforma, temos R$ 3,6 milhões. Elas foram construídas de contêineres, feitas de modo criminoso. Estamos junto à secretaria estadual de saúde se podemos fazer de alvenaria. Uma obra de ferro perto de praia é pedir para apodrecer – disparou.