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​Grampo em telefones provoca polêmica entre especialistasções

​Grampo em telefones provoca polêmica entre especialistas

Análises versam se há ilegalidade ou abuso de poder

18 março 2016 - 11h32


Pautas preferenciais nos últimos dias, o grampo telefônico autorizado e divulgado pelo juiz federal Sérgio Moro e a nomeação do ex-presidente Lula ao cargo de ministro-chefe da Casa Civil monopolizaram o debate nas ruas e redes sociais, ontem. A Folha dos Lagos resolveu ouvir especialistas para saber se, em ambos os casos, houve ilegalidade ou abuso de poder.

O ex-chefe do Estado Maior da PM e especialista em inteligência policial pela ONG Instituto Igarapé, o coronel reformado Róbson Rodrigues afirmou que vê com bons olhos o trabalho investigativo das instituitições, mas condenou a iniciativa do magistrado paranaense de vazar as conversas do ex-presidente Lula com a Dilma, o ministro Jaques Wagner e o prefeito do Rio, Eduardo Paes.

– Acho positivo a Justiça apurar como nunca se apurou antes, para todos os lados, independentemente da posição que ocupa o investigado, mas tecnicamente falando, sobre o vazamento, acho lamantével, primeiro porque essa não é a função do magistrado, pois é uma fase administrativa dentro do processo e nesse caso há a polícia. E o juiz deve se posicionar de forma isenta, como fiel da balança.

O advogado Carlos Magno de Cravalho concorda com Róbson quanto ao vazamento, mas rechaça a hipótese de ilegalidade no grampo, levantada por simpatizantes do PT.

– Os grampos determinados pelo juiz Sérgio Moro sobre o Lula foram legais porque ele não detém foro por prerrogativa de função, sendo que os detentores desse foro foram grampeados por extensão porque conversavam com o investigado – afirma.
Em sua página, o presidente estadual da OAB, Felipe Santa Cruz, repudiou a divulgação das conversas, por, segundo ele, ‘ferir o estado democrático de direito’.