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Gilson da Costa

Gilson da Costa: "São dois anos de ruas largadas"

Futuro coordenador de Postura de Cabo Frio diz que não há dados sobre ambulantes da cidade

15 dezembro 2016 - 00h34Por Rodrigo Branco | foto: Arquivo Folha
Gilson da Costa: "São dois anos de ruas largadas"

 “Se fosse da estaca zero, es­tava bom, mas vamos pegar a situação na estaca ‘menos al­guma coisa’”. O desabafo mos­tra o tamanho do desafio que aguarda o futuro coordenador de Postura de Cabo Frio, Gil­son da Costa, a partir do ano que vem. A atual crise financei­ra e administrativa da Prefeitu­ra está dificultando o planeja­mento para a alta temporada. Segundo Gilson da Costa, não há sequer um levantamento de quantos ambulantes atuam hoje na cidade, uma vez que o últi­mo licenciamento anual foi fei­to no começo de 2015.

– A transição da parte ad­ministrativa está ocorrendo, o problema é a postura ética do governo. Nesta altura, já deve­ríamos estar preparados para o Réveillon e a alta temporada. Só vamos tomar pé em termos de licenciamentos e controle de mercadoria quando entrarmos. Toda hora surge uma barraqui­nha  e uma Kombi nova. São dois anos que as ruas estão lar­gadas – afirma.

Às portas do verão, Gilson afirma não saber qual estrutura poderá contar. Como as dificul­dades financeiras se estendem ao Governo do Estado, mesmo o trabalho de integração com a Polícia Militar e com os Bom­beiros está prejudicado e ele acredita que apenas a partir de 15 de janeiro haverá a exata no­ção do que terá à disposição.

– Acredito que até lá (mea­dos de janeiro) saberemos em termos mais sólidos sobre o que fazer, por causa da falta de dinheiro. Minha área depende de logística – explica.

Entretanto, tão delicada quanto a condição estrutural está a parte humana da coorde­nadoria. Com três meses de sa­lários atrasados, em média, os funcionários estão com braços cruzados e a motivação em bai­xa. Duas reuniões com a equi­pe estão previstas para hoje e amanhã. O objetivo é ouvir as queixas tanto da parte financei­ra como da técnica para traçar um diagnóstico das carências.

Apesar das dificuldades, a promessa é de que o prefeito eleito Marquinho Mendes dará apoio para o cumprimento da espinhosa tarefa de ‘dar um ar de organização’ à cidade, isso nas palavras do próprio Gil­son. Segundo ele, o objetivo é restabelecer a ordem pública por toda a cidade, inclusive no segundo distrito, onde são fre­quentes as queixas, sobretudo no período de Carnaval.

Ciente do caos social que se instalou por causa dos atrasos salariais aos servidores munici­pais, o que levou muitos deles a migrar para a informalidade, ele promete ser criterioso na concessão das licenças e na fis­calização das atividades.

– Não pensem que eu sou mágico porque em dez dias não vou resolver os problemas. Pode haver um clamor negati­vo ao nosso trabalho, no início, quando retirarmos algumas des­sas pessoas clandestinas e sem licença. Vamos estabelecer cri­térios sociais, legais e sempre observar, com sabedoria, o lado emocional. Quero estabelecer uma conversa aberta para que o maior número de pessoas possí­vel possa trabalhar – prometeu o futuro coordenador.