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ESPECIAL ELEIÇÕES 2020

Futuro em debate: arte pede passagem nos próximos anos

Cultura é o primeiro tema da série da Folha sobre reivindicações feitas pelos segmentos sociais

24 setembro 2020 - 10h11Por Julian Viana
Futuro em debate: arte pede passagem nos próximos anos

Quais são as expectativas para o próximo mandato de prefeito de Cabo Frio? Enquanto as eleições se aproximam, a Folha vai ouvir representantes de diversos segmentos sobre as demandas e perspectivas para os próximos quatro anos na cidade. Para iniciar a série de reportagens ‘Futuro em debate’, o primeiro assunto a ser debatido será a Cultura no município cabo-friense.

Presidente da Academia de Letras e Artes de Cabo Frio (Alacaf), a escritora Jaqueline Brum Casañas Mota garante que as políticas públicas mais importantes estão ligadas à Saúde e Educação.

Ela relembra que o município teve o pior Ideb da Região dos Lagos e que durante todo o período de pandemia, a educação ficou paralisada. As aulas remotas começaram a ser organizadas no início do mês de agosto.

A escritora acredita que o Plano Municipal de Cultura, que vem sendo elaborado há anos em vários fóruns, é o que precisa de fato ser tirado do papel. 

– A gente espera que essas leis orçamentárias municipais sejam respeitadas e que a parte da Cultura não seja tirada. A gente precisa alimentar o nosso corpo, mas também precisamos alimentar a nossa alma. E a cultura vem com este alimento substancial  – ressalta.

Jaqueline também atua como conselheira municipal representante da literatura da sociedade civil e conta que existem várias demandas no segmento da literatura cabo-friense. Ela enfatiza a necessidade do município ter uma biblioteca funcional e atualizada em alguns pontos da cidade, além de uma atenção ao segundo distrito e bairros de periferia.

Para o músico, produtor cultural e compositor Marcelo Santa Rosa, qualquer política pública relacionada à Cultura é de extrema importância. 

– Precisamos de festivais de música e jazz, por exemplo, porque uma cidade turística, como  Cabo Frio, tem que ter um festival marcante no calendário anual. O município é um celeiro musical, e a gente tem músicos excelentes – afirma o músico.

Segundo Marcelo, as principais demandas são reabrir o Teatro Municipal e a realização de um festival de música com uma premiação para estimular os artistas. 

– Acredito também que deveriam prestar atenção no currículo da escola pública para voltar a ter a música como uma matéria obrigatória, com o intuito de fomentar as bandas marciais, que são importantes para a formação musical de qualquer população – comenta. 

Produtora cultural e idealizadora do projeto Santo Samba, Luciana Branco promove há anos o choro e o samba por meio de intercâmbios entre os músicos da cidade com outros artistas da região. Luciana acredita na música como um instrumento artístico e transformador, pelo fato de poder ser levada para qualquer lugar e atingir todos os públicos. 

Para ela, as políticas públicas mais urgentes se baseiam em um Conselho de Cultura forte e atuante; em projetos culturais em conjunto com a educação usando os espaços escolares em dias não úteis; identificar, estruturar e valorizar os saberes locais; e uma Secretaria de Cultura livre e aberta aos artistas. 

Assim como os outros representantes, Luciana afirma que a obra do Teatro Municipal precisa ser concluída. Ela também espera pela restauração e estruturação dos espaços como o Charitas, Biblioteca, Forte São Mateus e a Fonte do Itajuru, que servem como espaços para os artistas atuarem.

Artista multimídia, Filipe Guimarães Campos, mais conhecido como Azul Sempre Azul, enfatiza que para ter uma política pública de qualidade, é necessário ter um diálogo entre as secretarias.

– Cabo Frio é uma cidade turística e tem tudo para vender a cultura, mas acaba não vendendo. Infelizmente, o turismo histórico e cultural não são vendidos. O município é riquíssimo em cultura. Temos artistas das artes plásticas, da música e cinema com artes singulares e que representam e narram a história do cabo-friense – diz Azul, afirmando ser necessária uma infraestrutura que dê suporte para que a arte seja vendida nas praças e eventos da cidade. 

Ele finaliza dizendo que “enxergar a cultura como o turismo gera renda para a cidade e para os próprios artistas” e que uma Secretaria de Cultura precisa representar aquilo que toda a classe pede.

Para a produtora cultural Ludmila Guerra, a pandemia do novo coronavírus representa uma oportunidade de mudanças de modelo de gestão. Para ela, as políticas públicas podem e devem ser feitas independente de verbas e recursos. A produtora ressalta que para fazer uma política pública é necessário seguir três passos primordiais: organizar, respeitar e fazer. 

Mesmo no meio cultural, Ludmilla aponta a importância do Turismo para a cidade.

– Somos uma cidade turística e vivemos do turismo, mas precisamos pensar no povo cabo-friense. Acredito que antes de qualquer decreto e qualquer lei, os gestores precisam praticar o hino de Cabo Frio, que diz “forasteiro não há forasteiro, pois nesta terra todos são iguais”. Uma população bem acolhida e bem preparada estará pronta para receber todo o tipo de turismo – afirma.

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