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Folha dos Lagos

Folha dos Lagos comemora 17 anos de circulação diária

Profissionais que passaram pelo jornal relembram suas experiências

12 julho 2016 - 20h05Por Redação
Folha dos Lagos comemora 17 anos de circulação diária

Para dar adeus à periodicidade semanal, há 17 anos, a Folha dos Lagos fez ampla divulgação. Isso fez com que o diário fosse aguardado com muita expectativa pelos leitores da região. Mas, infelizmente, aquela edição de 6 de julho de 1999 não foi tão festiva quanto a ousadia do jornal. A principal matéria noticiava crime ocorrido no Jardim Esperança, em Cabo Frio. "Homem encapuzado invadiu bar, matou dois e feriu dois". A principal motivação seria vingança. Outra manchete noticiava a telefonia fixa, quase inexistente na época, por isso estava em alta com a implantação de novo número para a utilização do DDD.

De lá para cá, mais de 4.000 edições foram às ruas. Um marco na imprensa regional. Agora, a Folha reafirma seu compromisso com o leitor, com a Região dos Lagos e com sua matéria-prima: a notícia. 

Confira a seguir relatos de profissionais que fizeram parte desta história. 

Casa de amigos e muito aprendizado

* Roberta Costa

Acabo de me dar conta que faz 10 anos que a Folha dos Lagos entrou na minha vida. Em janeiro de 2006, cerca de seis meses após receber o diploma, entrei na minha faculdade. Sim, a Folha me forjou e me ensinou muito da “arte de fazer um jornal diário”. O livro do Ricardo Noblat, que li muito antes de entrar na redação, defende o profissionalismo, o jornalismo ético, o cuidado com o leitor e isso eu vivi na prática.

Dentre tantas experiências pelas quais passei durante seis anos na Folha dos Lagos duas me marcaram verdadeiramente. Apesar de corriqueiras, essas passagens me ensinaram muito. 

Uma vez um repórter chegou na redação com a seguinte apuração: um bandido foi baleado na perna em troca de tiros com a polícia. Logo perguntei: qual perna? Ele me olhou incrédulo. Ele não sabia e não tinha se dado conta de que essa informação era importante. Ora, se eu quis saber, o leitor também tinha esse direito. 

Em outra passagem um repórter não ficou muito satisfeito quando pedi para fazer uma matéria sobre um buraco. Ninguém quer escrever sobre buracos na rua. Mas ela pode ser importante. Recebemos a informação de moradores de uma rua próxima ao jornal de que uma obra inacabada de um concessionária local estaria causando transtornos. 

A matéria foi publicada. 

No dia seguinte recebemos a informação de que um motociclista havia caído no buraco e que por pouco não foi atropelado por um caminhão.

 Ou seja, um simples buraco poderia ter causado uma tragédia. 

São dois casos extremamente simples, mas que me ensinaram que devemos sempre nos colocar no lugar do leitor e que nada deve ser ignorado, pois um simples buraco pode ser fatal. E é esse cuidado que a Folha tem, afinal, escrever a história enquanto ela acontece, definitivamente, não é para todo mundo e a Folha dos Lagos faz isso há 17 anos. E eu tenho o maior orgulho em dizer que desses, estive à frente da redação como editora por seis anos.

Esse tempo foi fundamental para determinar minha história e sou feliz por isso. Na Folha fiz grandes amigos, acompanhei histórias incríveis, sofri com algumas pautas, desesperei-me inúmeras vezes com o peso de ter A manchete e A foto da capa. 
Aprendi que podemos errar e que isso não é nenhum problema, basta reconhecer, corrigir e seguir em frente. E o melhor, a Folha me trouxe um amor e eu casei com minha fonte. 

Enquanto pensava sobre o que escreveria pelos 17 anos de circulação diária, só me vinha à mente que a Folha é um dos meus lugares no mundo.
 A referência, a casa, os amigos, a alegria, os desafios, a superação. A Folha é tudo isso. 

É uma família. E é por isso que eu sempre digo: saí da Folha, mas a Folha jamais sairá de mim. 

Um diário em mim

*Thiago Freitas

Era 6 de abril. Ano de 2006. Desembarcava eu na terra do sal, das águas cristalinas e praias de areia fina, de belezas naturais mais rica do estado fluminense. Até então, só havia experimentado escrever notícias do mundo cultural, entrevistando poetas, escritores, atores e artistas plásticos para Folha da Manhã, em Campos dos Goytacazes, onde iniciei minha carreira no jornalismo. Cabo Frio, portanto, se apresentava para mim como novidade, uma futura escola — profissional e de vida — e um surpreendente desafio.

Nesta época, a equipe era enxuta. Estavam lá Roberta Costa e Danielle Carvalho, além, claro, do próprio Moacir Cabral. Eu chagava como peça de reforço para a missão de produzir o jornal diário com oito páginas — nos fins de semana eram 12. Já nos primeiros dias, meus tropeços me fizeram pensar: “então é isso fazer jornalismo?”. Foram dois anos de descobertas intensas.

Eu ainda não tinha a compreensão do que era correr atrás da notícia, buscar o fato no ato, no calor dos acontecimentos. Não tinha ainda sujado os sapatos, literalmente. Aprendi o que era suar por uma boa história. Não entendia o que era correr contra o tempo, a adrenalina de um fechamento, toda aquela agitação de fim de expediente. Descobri como era bom relaxar no fim do dia, tomado pelo sentimento de que na manhã seguinte uma boa edição estaria nas ruas, ganhando o olhar dos leitores. 

A Folha dos Lagos tem esta característica particular. Diferente de qualquer outro jornal em que trabalhei, além de ser empresa, ela é escola. Além de escola, é um lar. Não tem quem viva um tempo na Folha sem se sentir parte de uma família. E não há quem saia dela sem a sensação de carregar no coração um diploma: a Folha me formou jornalista! Nela aprendi, já naquele tempo, que jornalista escreve de tudo. E faz de tudo. Escrevi, fotografei, diagramei, revisei, fiz flash para o rádio. Política, polícia, meio ambiente, esporte, cidade, cultura, economia, todos os temas da sociedade preencheram as páginas da Folha pelas minhas mãos de aprendiz. Um aluno na redação, que desbravava a essência do jornalismo: traduzir o cotidiano. É isto ser jornalista. Alguém que traduz diariamente para o leitor tudo o que acontece no dia a dia da vida social de uma cidade, do país, do mundo, de forma simples, clara, objetiva.   

Do dia em que assumiu o posto de único jornal diário da Região dos Lagos até hoje, a Folha cumpre uma máxima que ficou famosa nas palavras de Claudio Abramo: “o jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter”. E é por essas e outras que costumo falar com orgulho e alegria de toda experiência que tive em cada dia trabalhado neste jornal que vive diariamente em mim.

De loucura ao passe de mágica

*Márcia Conceição

Fechar uma edição diária há 17 anos era uma loucura. Não existiam os recursos de hoje. 

Todo dia era uma correria, verdadeiro trabalho de formiguinha, onde cada um tinha uma função – e cada função, sua própria complexidade.  

Depois de prontas, as matérias seguiam para o diagramador, que tinha a incumbência de arrumá-las na página do jornal usando editores de textos. Após revisadas, as páginas eram impressas em partes que deveriam ser cortadas e coladas, sem esquecer de abrir as janelas para o encaixe das fotos. 

Aliás, fotos eram um problema. Para que elas se encaixassem no tamanho exato da janela aberta nas páginas, na maioria das vezes tínhamos que fazer um cálculo para cortá-las. Cálculo errado, lá se ia uma foto ou a diagramação de uma página inteira. 

Fechada a edição, o motorista ia às pressas para a gráfica, em Niterói, onde esperava o jornal ser impresso para trazê-lo de volta para ser levado às bancas. 

Bom, mas isso é passado. Hoje, com os recursos que a informática oferece e a internet, a diagramação é feita num passe de mágica. As fotos são dispostas diretamente na página, podendo ser aumentadas ou diminuídas de acordo com a necessidade da diagramação. 

Quanto ao motorista, este foi remanejado para outra função, porque agora a edição, depois de pronta, segue para a gráfica em programa específico via Internet.

Não faz tanto tempo, mas nestes 17 anos o avanço tecnológico foi imenso. Do mesmo tamanho é hoje a nossa satisfação em celebrar este desafio de fazer jornal diário. 

*Ingressou na Folha dos lagos em  junho. Só em em junho 2012 que se desligou. Mas, nesse período, houve muitas idas e vindas (nunca ficando mais que 6 meses fora do jornal). Atualmente, Márcia Conceição é  Auxiliar de Cartório.

Eu e a Folha: uma história de amor

*Danielle Carvalho

“Olá, meu nome é Danielle e meu sonho é ser jornalista”. 

Foi assim, com essa frase, que começou minha relação de 10 anos com a Folha dos Lagos. Eu tinha 19 anos e, por essas coisas do destino, conheci Juliano Alcoforado, que na época era o chargista do jornal e me apresentou ao então editor Cléber Lopez. Ele me mirou atentamente por vários segundos, me fez algumas perguntas e disse: “Amanhã, às 9h, na redação”. Não podia acreditar e tampouco imaginava que era o início de uma exitosa carreira profissional e totalmente autodidata.

Minha primeira entrevista foi com Waldemir Mendes, presidente da Cabofriense. Por influência do meu pai, esporte sempre foi a minha paixão, então não poderia estar mais feliz em começar nesta editoria. Waldemir me recebeu no antigo prédio da Secaf, na Avenida América Central. Lembro-me perfeitamente desse momento, principalmente do nervosismo. Junto com o Cléber, havíamos elaborado 10 perguntas e, em algum momento, pensei que não lograria completá-las. 

Quando fazemos parte do principal jornal da Região dos Lagos, há uma pressão em sempre escrever o melhor texto, fazer as melhores fotos e, principalmente, ter sempre um “furo” de reportagem. Aterrisei na Folha sem noção de nada. E meus primeiros coleguinhas de redação foram incríveis comigo.Cristiane de Oliveira, Cristiane Zotich, Adriana Pereira, o saudoso Fausto Neto, ajudaram bastante no meu crescimento profissional. Em especial, Moacir Cabral, então diretor-executivo da Folha.

Foram 10 anos de muito trabalho, mas também de muita diversão e muitas histórias. Depois de um certo tempo entrei para as editorias de Polícia e Comércio. Paralelamente, colaborava com o Caderno Cultural. Depois, tive a responsabilidade de assumir o cargo de secretária de redação, até que chegou o momento de fechar um ciclo e começar outro. Hoje moro em Santiago, no Chile, estou casada, mãe de um meninão maravilhoso, Thiago, de cinco anos, e sigo colhendo frutos dessa oportunidade de 20 anos atrás. 

Ano passado, trabalhei na área de Comunicação da Copa América, pela Conmebol e, posteriormente, fiz parte da equipe Fifa, durante o Mundial Sub-17 de Futebol, ambos disputados em Chile. Atualmente, estou dedicada 100% à maternidade.

Apesar da distância, minha relação com a Folha sempre foi e será de muito amor, carinho e respeito. Não ganhei apenas no lado profissional, mas, através do jornal, ganhei minhas melhores amigas e conheci pessoas maravilhosas! 

Quando o jornal me contatou para escrever um artigo pelos 17 anos do diário, não pensei duas vezes em homenagear aquela que foi minha segunda casa por uma década com um texto de agradecimento e reconhecimento. Obrigada. Obrigada, Folha dos Lagos, por ter acreditado no meu sonho!
Felices 17 años!