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Folha

Folha Debate: Para salvar o Carnaval

Entidades acham que parceria com empresas é melhor alternativa

10 fevereiro 2017 - 01h28
Folha Debate: Para salvar o Carnaval

Nada de confetes, serpentinas e muito menos fantasia. A re­ceita para salvar o Carnaval, se­gundo as entidades que o organi­zam, é pragmática: organização e parcerias. Representantes de blocos, escolas de samba, da Se­cretaria de Cultura e da iniciati­va privada estiveram, na manhã de ontem, na sede da Folha de­batendo os rumos do Carnaval em Cabo Frio. O encontro pode ser resumido – apesar de sua ri­queza de ideias – na fala do se­cretário Ricardo Choppinho:

– Todos sabem que a Prefeitu­ra não vai mais bancar a festa so­zinha. Os blocos têm a recomen­dação de buscar dinheiro junto à iniciativa privada. Vamos dar todo o suporte para eles conse­guirem fazer o Carnaval – disse.

Praticamente todas as ques­tões levantadas durante as duas horas de conversa – que fazem parte da programação do Folha Debate – tinham um denomina­dor comum: de onde virá o di­nheiro para o Carnaval?

Há dois anos, por exemplo, o desfile das escolas de samba não acontece porque a subvenção da Prefeitura é a grande fonte de receita das agremiações; já os blocos foram proibidos de des­filar por questões de logística e, consequentemente, minguados.

Para Radamés Muniz, que é vice-presidente do Convention & Visitors Bureau de Cabo Frio, a resposta reside em parcerias mais sólidas entre os promotores da folia e o empresariado.

– O que há muitos anos vejo em Cabo Frio é que precisa de vontade para querer mudar. É sempre mais do mesmo. Preci­samos entrar com o empresaria­do. O Carnaval de Friburgo tem penetração do empresariado. Aqui todos contribuem com as escolas. Hoje, estamos indo ao privado, o que deveríamos ter feito há 15 anos – afirma.

Radamés pontuou que, por outro lado, deve haver contra­partida do poder público, para o empresariado “não ficar so­brecarregado”. O representante das escolas, Felício Batista, no entanto, diz compreender o mo­mento financeiro do município.

– Fazemos reuniões sema­nalmente e entendemos perfei­tamente o momento financeiro que vive o município. Atende­mos prontamente o pedido do prefeito e do secretário. O sam­ba é parceiro do poder público e da classe de empresários. Nós (escolas de samba de Cabo Frio) chegamos num patamar muito bacana sem onerar o governo. E é para lá que pretendemos voltar da mesma maneira – comenta.

Saindo das escolas de samba e indo para os blocos, a proibi­ção de trios elétricos e da mon­tagem da Arena na Praia do Forte transfigurou o Carnaval de rua da cidade. Antes realiza­do na área central, nas avenidas, agora a folia mudou-se para o Costa Azul Iate Clube, na Arena dos Blocos, que reunirá nomes pirotécnicos como Thiaguinho, Ludmilla e Tuca Fernandes. Pa­rao presidente do Sindicato dos Hotéis e Restaurantes, Carlos Cunha, uma boa iniciativa.

– O que nós queremos é o or­denamento da cidade. Parabeni­zo o secretário por não ter mais trio na orla e por não ter mais dinheiro público envolvido. Não faz sentido alguém criar um blo­co, em que você vende ingressos e abadá, e pedir subvenção à Pre­feitura. O dono recebe duas ve­zes. Tem que buscar patrocínio. Só que não podemos associar nossa marca a um produto de má qualidade. Não digo isso dos blocos, mas da maneira como o Carnaval é feito – explica.

Um dos organizadores da Are­na dos Blocos, Marcelo Agualu­sa aposta que os problemas desse ano podem servir de trampolim para um novo moderlo de Carna­val – mais moderno, mais orde­nado e sem dinheiro público.

– Esse é o segundo ano sem desfile e o primeiro sem trio na praia. Estamos num momento novo. Havia uma ação cível de moradores, a Prefeitura proibiu montar a Arena dos Blocos na Praia do Forte e então nós pro­curamos outro lugar. Alugamos o Costa Azul. Nossa expectativa é ajudar, nunca atrapalhar. Não queremos que a cidade sofra. Mas temos que ter o mínimo de apoio logístico para que a coisa funcione. Não adianta chegar na Gamboa e ver duzentos ambu­lantes na porta – analisa.