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Cartão Dignidade

Fim do Cartão Dignidade causa insatisfação nas ruas de Cabo Frio

Dívida milionária da prefeitura com Salineira faz passagem subir de R$ 1,50 para R$ 3,70 no domingo (3)

30 junho 2016 - 09h00Por Gabriel Tinoco

A extinção do Cartão Dignidade representou um duro golpe nas finanças de alguns moradores de Cabo Frio. Os entrevistados pela Folha lamentaram ganhar mais uma despesa e revelaram que só poderão andar de ônibus para ‘obrigações’ como trabalho e estudo. A autônoma Vilma Soares, 59, não poderá mais vir ao centro da cidade com a mesma frequência.

– Estávamos acostumados com o antigo preço. Agora para nos readaptarmos vai ser um pouco mais difícil. Moro no Guriri. Portanto, vai ficar mais difícil para circular pela cidade. Minha casa é muito longe e não dá para chegar ao centro de Cabo Frio andando. O jeito é ficar em casa mesmo – explica.

Já a aposentada Celma Porto, 60, só poderá andar de Salineira em casos mais urgentes.

– Tenho um salário para viver. Não posso ter esses gastos enormes com passagens de ônibus. Recentemente, tinha que vir ao centro diariamente para ver minha irmã que passava mal. Se fosse hoje, estaria falida. Pior, imagina se eu que precisasse ir ao hospital diariamente? Estou vendo que ficarei sem dinheiro.

A secretária Alexsandra Araújo, 42, já pensa em outros meios de transporte.

– Se locomover à distância vai ficar tão caro que precisaremos usar outros meios de transporte como a bicicleta. O melhor aqui é andar a pé, pelo visto. O fim desse cartão é um absurdo para a população que precisa desse auxílio – desabafa.

A autônoma Edlaine Guimarães também reduzirá bastante as viagens.

– Não dá para ficar andando de ônibus por diversão mais. Precisarei diminuir e muito o número de viagens. Só andarei em caso de necessidade. Agora vou usar muita viação canela – finaliza, bem humorada.

Benefício com dias contados

A partir deste domingo (3), o passageiro que atualmente paga R$ 1,50 terá que arcar com o valor integral da tarifa, de R$ 3,70. A informação foi confirmada ontem pela Autoviação Salineira, depois de ser antecipada, na terça, pelo prefeito Alair Corrêa. Segundo ele, a dívida da prefeitura, que subsidiava o restante do valor da passagem, junto à empresa inviabilizou a continuidade do programa.

Por meio de nota, a Salineira informou que não recebe repasses da prefeitura desde novembro do ano passado e que, desde então, a dívida chega a quase R$ 7 milhões (R$ 6,89 milhões). A empresa confirmou ainda que notificou a prefeitura no dia 23.

“A Auto Viação Salineira compreende a crise econômica que o Estado do Rio de Janeiro e o município de Cabo Frio atravessam devido à queda dos royalties do petróleo (...) No entanto, a empresa não pode mais arcar com a falta dos repasses regulares que complementam o valor da tarifa, sem colocar em risco o pagamento de despesas essenciais que garantam a segurança da população em relação à manutenção da frota e, também, à continuidade dos serviços prestados”, diz o texto.

Ainda segundo a empresa, cerca de 7 mil pessoas usam o Cartão Dignidade por dia.

Questionada se existe alguma renegociação da dívida ou possibilidade de reversão do quadro, a prefeitura confirmou que o serviço será encerrado por causa da ‘baixa arrecadação financeira’ e porque a empresa “entendeu que não mais aguardará os pagamentos”. No entanto, a administração municipal não confirmou o valor da dívida nem se os ônibus gratuitos que circulam em Tamoios deixarão de rodar.

Crise, aumento e fim

Implantado em maio de 2013, o Cartão Dignidade sofreu o segundo baque, agora definitivo, em pouco mais de um ano. No início do programa, o passageiro pagava uma tarifa de apenas R$0,50, com o restante subsidiado pela prefeitura.

Em abril de 2015, com o agravamento da crise econômica, em uma das reformas administrativas promovidas pelo governo, o valor foi reajustado para R$1,50 e, agora, três anos depois, o programa chega ao fim.

O prefeito apostava as fichas pela manutenção do projeto no empréstimo de R$ 200 milhões junto ao Banco do Brasil. Com a possibilidade cada vez mais improvável de conseguir os recursos, uma das principais bandeiras da última campanha eleitoral do atual prefeito chega melancolicamente ao fim.