Assine Já
sábado, 05 de dezembro de 2020
Região dos Lagos
26ºmax
21ºmin
Mercado Tropical
Mercado Tropical Mobile
TEMPO REAL Confirmados: 13221 Óbitos: 567
Confirmados Óbitos
Araruama 2625 126
Armação dos Búzios 1500 22
Arraial do Cabo 427 21
Cabo Frio 3925 183
Iguaba Grande 1197 41
São Pedro da Aldeia 2010 79
Saquarema 1537 95
Últimas notícias sobre a COVID-19
movimento gay

Exposição da Parada Gay é censurada no Charitas

Presidente de grupo LGBT vê homofobia na ação

12 setembro 2014 - 21h47
Exposição da Parada Gay é censurada no Charitas

A exposição dos 10 anos da Parada Gay em Cabo Frio foi censurada no Charitas, um dos principais centros culturais da cidade. As fotografias tiradas por Tatiana Grynberg, que contam a história do movimento LGBT na região, foram viradas para a parede, o que impediu a visualização dos visitantes. A direção do Charitas alega não ter sido a responsável pelo boicote. “Não censuramos. Se fôssemos contra, nem teríamos aberto espaço para a exposição”, afirmou a diretora da casa de cultura, Sonia Portugal.

Sônia conta que não foi trabalhar nesta sexta-feira (12), por isso não pode afirmar com certeza quem foi o responsável por virar as fotos para a parede. Ela diz ter sido informada pelo ocorrido por telefone, mas especula. "Qualquer um que passou por lá pode ter feito isso. A Casa recebeu crianças de pouca idade, e, pouco mais tarde, houve o lançamento de um livro, que, segundo meus funcionários, recebeu dezenas de pastores evangélicos. Qualquer um pode ter feito aquilo, mas acredito que não foram funcionários do Charitas", reafirmou ela.

O presidente do Grupo Iguais (organização LGBT atuante em Cabo Frio), Rodolpho Campbell, considerou a atitude de censurar a exposição como homofóbica. Para ele, o caso causa estranheza.

– A responsabilidade do que acontece lá é deles. Não é possível que logo após a saída dos visistantes, ninguém tenha viso que as fotos estavam viradas e só foram notar quando a imprensa foi apurar o que estava acontecendo – conta.

Rodolpho avança e diz que o Charitas deve se responsabilizar pela segurança da exposição. 

– Para gente não importa se o que aconteceu foi uma ação do Charitas ou de terceiro. O que importa é que a segurança do nosso material não foi garantida. Há diversas imagens religiosas, de santos, de outras coisas, que têm a segurança garantida. E o nosso, que foi considerado profano, não está sendo exibida de uma maneira segura. O que parece é que estão fazendo pouco caso. – avalia.

A exposição está desde o dia 3 de setembro no Charitas e está prevista para lá ficar até o dia 3 de outubro.

Polêmica – Desde a idealização do projeto, em junho, a mostra LGBT vem causando polêmica na cultura cabofriense. O principal motivo é que a exposição está alocada em uma sala do Charitas que ostenta a imagem de uma santa da Igreja Católica, Santa Isabel. Segundo Rodolpho Campbell, um dos funcionários do Charitas afirmou que "não se pode misturar o santo com o profano". A diretora da Casa afirma que esse comentário foi feito, mas que a questão foi resolvida entre a Secretaria de Cultura e o movimento LGBT e que a exposição foi aprovada sem ressalvas. "O Charitas não tem a postura de julgar ninguém. Aprovamos porque entendemos que o ser humano deve ser respeitado", defendeu Sonia.

– O que a gente quer é segurança da exposição e uma retratação do Charitas. A gente já relevou as comparações infelizes de santo com profano, mas queremos respeito à exposição e que o Charitas garanta a segurança dela. Por que que os funcionários da Casa não desviraram antes, só desviraram quando a imprensa chegou, e ainda começaram a se desculpar? Se não foi o Charitas que tomou a atitude, a instituição ao menos foi conivente.