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movimento gay

Exposição da Parada Gay é censurada no Charitas

Presidente de grupo LGBT vê homofobia na ação

12 setembro 2014 - 21h47
Exposição da Parada Gay é censurada no Charitas

A exposição dos 10 anos da Parada Gay em Cabo Frio foi censurada no Charitas, um dos principais centros culturais da cidade. As fotografias tiradas por Tatiana Grynberg, que contam a história do movimento LGBT na região, foram viradas para a parede, o que impediu a visualização dos visitantes. A direção do Charitas alega não ter sido a responsável pelo boicote. “Não censuramos. Se fôssemos contra, nem teríamos aberto espaço para a exposição”, afirmou a diretora da casa de cultura, Sonia Portugal.

Sônia conta que não foi trabalhar nesta sexta-feira (12), por isso não pode afirmar com certeza quem foi o responsável por virar as fotos para a parede. Ela diz ter sido informada pelo ocorrido por telefone, mas especula. "Qualquer um que passou por lá pode ter feito isso. A Casa recebeu crianças de pouca idade, e, pouco mais tarde, houve o lançamento de um livro, que, segundo meus funcionários, recebeu dezenas de pastores evangélicos. Qualquer um pode ter feito aquilo, mas acredito que não foram funcionários do Charitas", reafirmou ela.

O presidente do Grupo Iguais (organização LGBT atuante em Cabo Frio), Rodolpho Campbell, considerou a atitude de censurar a exposição como homofóbica. Para ele, o caso causa estranheza.

– A responsabilidade do que acontece lá é deles. Não é possível que logo após a saída dos visistantes, ninguém tenha viso que as fotos estavam viradas e só foram notar quando a imprensa foi apurar o que estava acontecendo – conta.

Rodolpho avança e diz que o Charitas deve se responsabilizar pela segurança da exposição. 

– Para gente não importa se o que aconteceu foi uma ação do Charitas ou de terceiro. O que importa é que a segurança do nosso material não foi garantida. Há diversas imagens religiosas, de santos, de outras coisas, que têm a segurança garantida. E o nosso, que foi considerado profano, não está sendo exibida de uma maneira segura. O que parece é que estão fazendo pouco caso. – avalia.

A exposição está desde o dia 3 de setembro no Charitas e está prevista para lá ficar até o dia 3 de outubro.

Polêmica – Desde a idealização do projeto, em junho, a mostra LGBT vem causando polêmica na cultura cabofriense. O principal motivo é que a exposição está alocada em uma sala do Charitas que ostenta a imagem de uma santa da Igreja Católica, Santa Isabel. Segundo Rodolpho Campbell, um dos funcionários do Charitas afirmou que "não se pode misturar o santo com o profano". A diretora da Casa afirma que esse comentário foi feito, mas que a questão foi resolvida entre a Secretaria de Cultura e o movimento LGBT e que a exposição foi aprovada sem ressalvas. "O Charitas não tem a postura de julgar ninguém. Aprovamos porque entendemos que o ser humano deve ser respeitado", defendeu Sonia.

– O que a gente quer é segurança da exposição e uma retratação do Charitas. A gente já relevou as comparações infelizes de santo com profano, mas queremos respeito à exposição e que o Charitas garanta a segurança dela. Por que que os funcionários da Casa não desviraram antes, só desviraram quando a imprensa chegou, e ainda começaram a se desculpar? Se não foi o Charitas que tomou a atitude, a instituição ao menos foi conivente.