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Marquinho

‘Eu não sei nem a cor da peruca de Alair Corrêa’

Marquinho Mendes fala em entrevista exclusiva sobre as próximas eleições

13 setembro 2016 - 20h38
‘Eu não sei nem a cor da peruca de Alair Corrêa’

Com a língua afiada de sempre, Marquinho Mendes volta a concorrer ao cargo que ocupou entre 2005 e 2012. Além de falar de seus projetos, o deputado federal negou que ainda tenha qualquer relação com o antigo mentor, Alair Corrêa, e jogou essa pecha para cima de outros candidatos. Irônico, quando perguntado se ainda mantém contato com o atual prefeito, ele respondeu: “Não sei nem a cor da peruca de Alair Corrêa”. Esta é a segunda da série de entrevistas com os candidatos em Cabo Frio.


Folha – Por que você quer ser prefeito de Cabo Frio?
Marquinho – Eu não quero ser prefeito – quero ser prefeito de novo. Eu tive a oportunidade de em dois mandatos ter sido o prefeito que revolucionou na sua gestão, principalmente por ter sido uma gestão voltada para o cidadão. Fui prefeito de 2005 a 2012 e conseguimos em nosso mandato ganhos e benefícios para o cidadão jamais conseguidos. E eu poderia colocar aqui setores prioritários. Quando eu fui prefeito, o maior bolo orçamentário era para a Educação. Conseguimos colocar os professores dentro das salas de aulas, coisa que hoje não acontece, por falta de pagamento.


E quero deixar bem claro que a culpa não é do professor, que é um trabalhador como todos os outros, como nós, e merece no final do mês pagar as suas dívidas e, infelizmente, não está tendo a possibilidade por conta da irresponsabilidade deste governo. Então, nós tínhamos a valorização, cursos de capacitação, sala de leitura, dávamos o uniforme gratuitamente, o kit escolar. A nossa merenda, que nós juntamos com a Agricultura e absorvíamos a produção rural do nosso município na merenda escolar. Foi fabuloso esse projeto. Na saúde, a mesma coisa. Trouxemos duas UPAs para Cabo Frio, construímos o Hospital da Criança. A saúde de Cabo Frio era referência, hoje, infelizmente, a referência é São Pedro, Iguaba, Búzios. No social, eu fui o único prefeito na história de Cabo Frio que investiu no social.


Os grandes projetos sociais da história desta cidade foram criados por Marquinho. O subsídio da passagem a R$1, onde a Prefeitura subsidiava a parte do trabalhador, significava o ganho do trabalhador. Na nossa época, ele tinha um ganho de R$2,70 por passagem, que era revertido na qualidade de vida do trabalhador e da sua família. Café do Trabalhador, que distribuía 1.200 cafés todo dia, um projeto fenomenal. Mas aí você fala: ‘Marquinho, então você não cometeu erros?’. Lógico que cometi, não com a intenção de cometê-los, mas cometi. A vantagem de ter a oportunidade de voltar a ser prefeito é que irei corrigir os erros permitidos e permanecer com os acertos.


É importante falar que queremos voltar a ser prefeito porque, em primeiro lugar, temos experiência adquirida. Sou o único candidato que tem experiência no Executivo e no Legislativo, após ter sido vereador, deputado, e prefeito por oito anos. Sou um candidato experiente e preparado para este momento de crise. A partir de janeiro, com Marquinho prefeito, nós vamos governar com responsabilidade.


Folha – Você quando foi prefeito falou muito em grupo. O grupo decidia, o grupo fazia...
Marquinho – Eu sou democrático, eu sou um político moderno, que coloca as discussões não só com o grupo, mas também com a sociedade. Eu acho importantes estas caminhadas que venho fazendo diariamente como candidato, pois tenho escutado muito o que o povo quer que façamos a partir de janeiro. E eu falo com as pessoas que vamos fazer o que podemos fazer. Não vamos prometer o que não podemos fazer, não estamos aqui para fazer promessas que não podemos cumprir, ainda mais neste momento de crise.


Folha – Seu grupo já não está no poder desde o fim de 2012. Ele ainda está junto?
Marquinho – Não perdi ninguém. Quem chega para perto de Marquinho não abandona Marquinho, porque Marquinho é amigo, é amigo de todas as horas. Pelo contrário, nós estamos aqui, de braços abertos, para que todas as pessoas do bem, que queiram participar do futuro governo de Marquinho Mendes. Não são as que acabaram, que arrasaram com o município de Cabo Frio, que são as pessoas de primeiro escalão ligadas a Alair Corrêa.


Folha – As notícias dão conta de que você tem 60 processos na Justiça. Você não se sente constrangido de concorrer?
Marquinho – Alair colocou 500, não são 60, não (risos). Mas de jeito nenhum, eu sou ficha limpa. O processo é a arma dos incompetentes e dos adversários. Quando não têm capacidade de me vencer nas urnas, eles só têm uma arma: a Justiça.


Folha – Você está falando isso para Janio?
Marquinho – Não, estou generalizando os adversários que utilizam o processo judicial para tentar conquistar o poder. O poder tem de ser conquistado nas urnas pela vontade popular. E não pela vontade da Justiça. Sou ficha- limpa, elegível e não tenho dúvidas que vamos ganhar e assumir o mandato. Mais uma vez: para aqueles que apostavam que eu não seria candidato eu falo igual ao Zagallo: “Vão ter que me engolir”.


Folha – Como está a sua relação com Janio, que foi à justiça para tentar impedir a sua candidatura?
Marquinho – O Janio foi o meu candidato. Nós trabalhamos para o Janio. Vestimos a camisa do Janio. Demos, juntos, 41 mil votos ao Janio. Acabou a eleição, eu ainda prefeito, e o Janio me procurou, no meu gabinete, fazendo esta afirmação: “Estou aqui para agradecer tudo o que você fez por mim, e quero me colocar, agora, nesse momento, e afirmar que o meu candidato em 2016 para prefeito é você. Você é o único capaz de derrotar e vencer o grupo de Alair”. Palavras do Janio, que eu sei que ele é verdadeiro, e que ele vai confirmar isso que estou falando, que foi a verdade. Já existia a palavra do Janio em me apoiar.


Veio a eleição para deputado estadual, eu fiz a dobradinha com ele para federal, e, para minha surpresa, ele agora se lançou candidato e em nenhum momento ele me procurou para que pudesse falar que iria ser candidato, até para que nós pudéssemos apagar o compromisso que tínhamos no passado. A palavra do homem é uma só. Até hoje ele não me procurou, mas isso faz parte do processo democrático, e qualquer um pode ser candidato. Que ele toque a candidatura dele, nós vamos tocar a nossa, e o povo saberá escolher o que é melhor para Cabo Frio.


Folha – Tem mágoa nessa declaração?
Marquinho – Não é questão de mágoa, é questão de posição. Porque se eu estivesse no lugar dele eu teria procurado o Janio para dizer que “olha, não vou poder cumprir o que acordamos, porque o meu grupo quer que eu seja [candidato]”. Faz parte. Só não faz parte não ter me procurado para falar que seria candidato, e que não cumpriria o acordo firmado comigo. É questão de conduta, não de mágoa. Eu teria essa conduta, que ele não teve.


Folha – Entrevistamos o Janio e ele disse que, caso seja eleito, irá chamar todos para conversar, inclusive você. Caso seja eleito, você também irá chamá-lo para conversar?
Marquinho – Deixa eu te falar: primeiro que ele não vai ganhar a eleição. Quem vai ganhar a eleição é Marquinho Mendes. Mas, da mesma forma, ganhando a eleição, como vamos ganhar, pois o povo assim deseja, nós poderemos até ouvi-lo. Mas não participar do meu governo. Porque eu entendo que o nosso grupo é o grupo que está indo  e vestindo a camisa, um grupo competente. Hoje, Janio Mendes não faz parte do grupo.


Folha – Como é a sua relação com o Janio? Porque parece ser uma relação civilizada mas não muito próxima...
Marquinho – É de políticos que se respeitam, mas não existe afinidade, amizade. Janio nunca fez parte do meu grupo político. Ele foi escolhido pelo meu partido para que pudesse ser o nosso candidato. E provamos a ele lealdade, tanto para deputado estadual, que ele foi, como para prefeito. A parceria de 2012 foi um pedido, na época, de Sérgio Cabral e do Pezão, para que eu pudesse, como parceiro, como político de grupo que sou, apoiar a candidatura dele aqui em Cabo Frio. E, prontamente, nosso grupo foi e deu a ele a votação de 41 mil votos. Isso, se eu fosse ele,  teria de agradecer o resto da vida. Eu entrei para ganhar. Perdemos com ele? Perdemos. Mas tivemos uma votação expressiva com o grupo que esteve comigo e se juntou a ele.


Folha – Janio sozinho não teria 40 mil votos?
Marquinho – Mas nem que a vaca tussa.


Folha – E com Alair, como é a sua relação? Porque há pessoas que dizem que a briga de vocês é jogo de cena, que ainda se encontram...
Marquinho – Para falar a verdade, eu não sei nem a cor da peruca de Alair Corrêa (risos). Não tenho ligação nenhuma com Alair. Ele faz parte de um passado que foi importante para o município. O nosso grupo foi importante no passado, quando tivemos a possibilidade de governar juntos, mas acabou. Acabou. É igual a casamento. Casamento acaba, acabou. Lembra de cantores que tinham dupla e posteriormente começaram carreira solo? Então, é assim. Em 2008, Marquinho carreira solo, o que passou, passou. Pelo contrário. Eu acho que o nosso grupo contribuiu muito quando ele foi prefeito.

A prova é este governo de hoje, catastrófico. Isso significa que o grupo que o fez fazer uma boa gestão no passado era o grupo de Marquinho Mendes. Está provado isso. Então, eu não sei. Mas vamos analisar: tem um candidato a prefeito que tem como vice o aliado de Alair pela vida toda. Onde Alair estava, ele estava. Morria de amores, e morre de amores por Alair Corrêa


Além disso, tem como candidato a vereador o filho do vice de Alair. Tem o advogado de Alair, a esposa do advogado de Alair. O outro candidato, que é médico também, a mesma especialidade minha, tinha 108 portarias no governo de Alair. Isso falado por Alair Corrêa. O outro, que foi deputado federal, está lá, com as caminhadas, com a filha de Alair na bandeira na frente, falando que é candidato de papai. Você vê a coligação, todos os parentes de Alair estão com esse candidato que foi deputado federal. Quem tem que responder essa pergunta são esses outros candidatos.


Então, vamos analisar: eu não tenho ninguém, ninguém, ligado ao prefeito Alair Corrêa. Eu não tenho ninguém. Eles têm todo mundo. Todos estão comprometidos com Alair. Eu, não. Nós vamos fazer um governo livre, limpo, longe dessa turma de Alair Corrêa.


Folha – Muita gente vincula a sua imagem a Alair, ainda. E muitos falam que vocês dois representam “20 anos de atraso”. O que você tem a dizer?
Marquinho – Engraçado que eu não coloco nem o governo que eu participei com Alair como um atraso, nós avançamos. Meus oito anos de governo foram de avanço. Mas engraçado essas pessoas falarem de 20 anos, com esse candidato a vice e com o escritório de Mansur por trás. Com Silas Bento por trás. Engraçado, né? Há quatro anos, quando foi meu candidato, o governo sempre foi maravilhoso, não existia atraso. Só existe agora? Isso se chama incoerência. Eu só posso falar uma coisa a esse candidato: Eu vou dar um óleo de peroba para ele. Porque é cara de pau. Cara de pau. Para com isso, vamos falar sério.


Folha – Alair sempre culpou o PCCR por conta do aumento das despesas e dessa incapacidade de pagar as dívidas. Caso você seja eleito, como você vai lidar? Primeiro com o PCCR, segundo com as dívidas.
Marquinho – Eu quero deixar bem claro isso, porque o desespero dos meus adversários fez com que falassem que eu teria dito que não iria pagar. As grandes empresas, comprometidas, que Alair vai deixar aí, os prestadores de serviço. Eu não tenho compromisso de pagar esses prestadores de serviço. Não tenho e não vou fazer. Eu tenho compromisso de pagar o funcionalismo público, colocá-lo em dia. Pagar empresa prestadora de serviço eu não tenho e não vou fazer. Assumo esse compromisso.


Vamos pagar o funcionalismo, discutir com os sindicatos, com o Sepe, com o sindicato da Saúde, com as pessoas envolvidas, com o meu secretário de Fazenda, que será Clésio Guimarães, para que a gente possa, de uma forma muito transparente, resolver o pagamento que será deixado por esse atual prefeito.


Eu creio que ele vá deixar três pagamentos de folha e mais o 13º. Eu quero assumir o compromisso de chegar e pagar os salários atrasados dos funcionários, que não têm culpa da irresponsabilidade desse governo. O PCCR é um presente que eu dei ao funcionalismo público. Fui eu que criei, e eu que vou mantê-lo. Nós temos que nos adequar a uma nova realidade. Nova realidade administrativa e de gestão.


Folha – Cabo Frio precisa de um empréstimo?
Marquinho – Como que eu vou saber? Qual é a dívida que Alair vai deixar para mim? Eu não sei. Não existe transparência. Você não pode falar de empréstimo sem saber qual será a real situação a ser entregue por esse desgoverno, esse governo irresponsável.


Folha – Na educação, o governo Alair teve a polêmica do Ensino Médio ser estadualizado. Quais são os seus planos para a Educação?
Marquinho – Eu sou bem claro: a gente deve manter Marli Capp, Elsa Bernades e Rui Barbosa no município. Já existe a prestação de serviço do município para o Ensino Médio. Como que você vai tirar a história do Rui Barbosa? Não tem como.


Eu quero mantê-los comigo no município. Já os planos para a Educação, o primeiro é colocar os professores dentro da sala de aula, pagando os salários. Teremos que fazer uma reforma emergencial nas escolas, dentro das possibilidades. E vamos sentar com o Sepe, para que possamos, com a nossa equipe, ver o que vai ser viável ser feito.


Folha –  Qual o seu plano para revitalizar a Saúde?
Marquinho – Primeiro, eu vou fazer um raio-X da Saúde. Como médico, é o primeiro passo para que possamos tratar a doença de acordo com o diagnóstico. Em princípio, é colocar remédios nos postos de saúde, médicos atendendo, reabrir a UPA e nos adequar a uma nova realidade. A prioridade é continuar com a descentralização da Saúde, incentivando e aumentado as equipes de PSFs, levando aos bairros, criando a possibilidade do cidadão ter um atendimento, que hoje não tem, nos postos e hospitais com seus exames sendo feitos.


Folha – E quanto ao Ibascaf?
Marquinho – Infelizmente, nós não temos hoje a assistência. Porque o Ibascaf é um instituto de assistência e previdência. Hoje nós não temos mais a assistência médica.


Nós deixamos um prédio praticamente pronto, ali do lado do shopping, onde seria o PASM. Ele seria a parte de ambulatório, de assistência, do Ibascaf, para o servidor. Está lá, inacabado. Precisamos analisar o rombo e depois traçaremos planos.


Folha – Cabo Frio é uma das cidades com maior relação de funcionários públicos por habitante. O que você acha do tamanho da máquina pública?
Marquinho – Vamos fazer um estudo de viabilidade econômica para o setor pessoal, para que a gente possa ter a possibilidade de no final do mês pagar, e não fazer o erro desse governo, de inchar a folha para fazer política e depois não ter como pagar.
Mas uma coisa eu te garanto: no nosso governo vai ter que trabalhar. Quem não estiver trabalhando não fica comigo.


Folha – Assim que assumiu, Alair mudou o nome dos seus projetos e não prosseguiu algumas obras (ou até mesmo as refez, como a orla). A população se pergunta se essa relação de vingança com dinheiro público vai continuar...
Marquinho – Da minha parte não tem chance nenhuma, zero. Eu não estou aqui para me preocupar. O atual prefeito está morto politicamente. O que ele tem de fazer é sair pela porta dos fundos, porque tem de ter vergonha de sair pela frente. E vergonha de sair às ruas, porque ele destruiu a cidade. Ele faliu a cidade. Eu teria vergonha de morar numa cidade que eu destruí.


Folha – Você acha que Alair deve se mudar de Cabo Frio?
Marquinho – Eu, se fosse ele, não ficaria em Cabo Frio, não. Eu faria implante e colocaria peruca em outro lugar.


Folha – Como fazer para retomar a economia nesse momento com a realidade da queda dos royalties?
Marquinho – Parcerias. Eu hoje estou deputado federal. Estou abrindo portas nos ministérios, do Governo Federal, para que possam ser parceiros de Cabo Frio. Vou procurar trazer recursos do Governo Federal para que possamos por meio destas parcerias ter o aporte do Governo Federal, que é do meu partido. Hoje o Temer definitivamente assumiu a Presidência da República, após a aprovação do impeachment. É do PMDB. É do meu partido. E é nosso aliado nesse processo de reconstrução da cidade.