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"ESTRELAS ALÉM DO TEMPO"

Estudantes da rede pública da região participam de competição da Nasa

Equipe será composta por alunos de escolas municipais de Saquarema e do IFF de Cabo Frio

19 fevereiro 2020 - 14h25Por Rodrigo Branco

Até onde podem alcançar os sonhos? No caso de um grupo de estudantes da Região dos Lagos, o desejo de contribuir com a ciência ultrapassa a estratosfera terrestre e atinge o espaço sideral. Entre os dias 16 e 18 de abril, uma equipe composta por alunos da rede municipal de Saquarema e do Instituto Federal Fluminense, de Cabo Frio participarão do desafio Rover Challenge, competição organizada pelo Marshall Space Flight Center da Nasa, em Huntsville, no estado do Alabama (EUA).

Embora composta em sua maioria por alunos de instituições brasileiras, a equipe se chama Brazil Monaco Global Institute (BMGIS), por contar com o apoio financeiro do governo e de empresas do principado europeu, que faz fronteira com a França. O time brasileiro-monegasco é composto por Felipe Valeriote, Marcus Alexandre, Maycon Quites, Vinicius Donato, Daniel Martins, Rafaella Knauft e João Felipe, além do estudante norte-americano Andrew Vila e do professor e orientador Lourival Zacharias dos Santos.

Os brasileiros competirão com mais de cem equipes, em sua maioria dos Estados Unidos, do Canadá e da Europa, de países como Alemanha, Reino Unido e França. A tarefa dos futuros cientistas é projetar, construir e testar um veículo conhecido como ‘rover’, movido pela força humana, e que é usado pelos astronautas para recolher amostras e se locomover em expedições fora da Terra, além de mantê-los ativos e sem complicações físicas por causa da falta de gravidade. Na competição, os veículos desenvolvidos pelas equipes circulam por um circuito que simula as condições encontradas em viagens espaciais.

 – A responsabilidade grande este ano porque lidero um time maior do que o do ano passado. Eu e minha equipe esperamos nos dedicar ao máximo por que paixão pela tecnologia espacial é o que nos move. E o que nos difere é a nossa união, a soma de esforços para solucionar os problemas por meio dessa área. Estamos felizes em participar da competição – contou Felipe Valeriote, líder da equipe que, ano passado, pela Alpha Brazil Team, ficou em 13º lugar no ranking mundial.

O projeto deste ano está sendo desenvolvido por engenheiros e por membros da equipe em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF), que apoia o projeto. A versão 2020 será sustentável, mais veloz e com alusões às mudanças climáticas e temas afins. 


O 'rover' é usado em explorações de solo fora da Terra

A construção do veículo é inspirada ainda em várias características do Principado de Mônaco e a peça, inclusive, levará o nome do príncipe Albert. A homenagem se deve ao fato de o país ter apoiado a equipe na competição do ano passado e continuar com o incentivo em 2020. O apoio foi oferecido por meio da Associação Brazil Monaco Project, da consulesa Luciana de Montigny e da empresa Mônaco Sat. 

A ajuda externa ajuda a viabilizar a participação do time brazuca na competição, mas ainda não éo suficiente, como explica o orientador Lourival Santos. Segundo ele, à exceção da Coordenadoria de Ciência e Tecnologia de Cabo Frio, não há qualquer apoio governamental por parte das prefeituras de ambos os municípios, nem dos governos estadual e federal, sendo que este tem o ex-astronauta Marcos Pontes como ministro da Ciência e Tecnologia. Para conseguir os recursos necessários para a construção do ‘rover’ e custear as despesas da viagem para os Estados Unidos, o grupo busca a ajuda de empresários e comerciantes locais, assim como lançou mão da reciclagem de materiais e até de uma vaquinha virtual (https://www.vakinha.com.br/vaquinha/jovens-na-nasa). O professor lamenta a situação, mas não deixa de incentivar os alunos da equipe, que considera exemplos para a juventude.

– Pelo fato de o nosso país ser subdesenvolvido, a gente acaba conseguindo feitos que normalmente não se espera; e são alunos de escola pública. Tem um pensamento de que a escola pública é um local que não tem muita capacidade, onde não se encontra pessoas com capacidade ou talento para tais feitos. Mas isso é um erro muito grande, e estamos provando isso com esse projeto. Encontramos na escola pública muita gente boa, talentosa, criativa e capaz. Isso que a gente traz para a realidade – enaltece Lourival, da área de Letras e que estudou Mecânica para entrar no projeto. 

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