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NA CAATINGA NORDESTINA

Estudante de Cabo Frio participa de experiência como astronauta análoga

Caroline Lanzieri, de 23 anos, é ex-aluna das escolas públicas Antônio da Cunha Azevedo e Márcia Francesconi

04 agosto 2021 - 11h21Por Redação

A cabo-friense Caroline Lanzieri, de 23 anos, retornou neste domingo (1) de uma experiência como astronauta análoga no Habitat Marte. A missão faz parte de um projeto simulador das possíveis condições do planeta vermelho, e teve início na última quinta-feira (29), na zona rural da cidade de Caiçara do Rio do Vento (RN), em meio à caatinga nordestina.

Caroline já foi aluna das escolas públicas municipais Antônio da Cunha Azevedo e Márcia Francesconi, e entrou na missão a partir de uma chamada pública da qual se inscreveu por, desde criança, ter fascinação pela área espacial. Atualmente ela é estudante do sexto período de Direito da Universidade Estácio de Sá, e buscou uma maneira de aliar suas duas áreas de interesse.

“Estou me formando em Direito e ainda não temos leis específicas de desenvolvimento nem projetos de apoio a pesquisadores deste ramo. Nisso entra o Direito, para fazer acontecer, por meio de projetos e leis, o apoio e incentivo aos nossos pesquisadores. Acredito que deveríamos ter mais incentivos, e é essa bandeira que eu quero levantar, ajudando nos investimentos em tecnologia brasileira, porque temos ótimos pesquisadores, centros de pesquisa, mas pouco apoio”, afirmou Caroline.

Durante a missão, houve a preparação física dos astronautas análogos, atividades nas formações rochosas, subida no vulcão extinto do Pico do Cabugi, manutenção e melhoria dos sistemas de aquaponia com testes de medidas de conforto térmico, além da realização de protocolos regulares operacionais de funcionamento da estação espacial análoga. O cultivo de plantas no local já foi iniciado em janeiro deste ano e pode revelar descobertas importantes.

Inspirada na estação espacial norte-americana Mars Desert Research Station (MDRS), coordenada pela Mars Society, a Habitat Marte possui todas as instalações necessárias para ser ocupada durante um tempo. Nela podem ser simulados estudos em laboratório sobre o solo, o clima e a atmosfera marciana. O local também está preparado para receber simulações de expedições ao planeta, utilizando-se trajes espaciais feitos especialmente para os cientistas.

“Foi uma experiência única e incrível. Realizamos atividades diárias, como observação astronômica, escalada, exploração de cavernas, e sempre tínhamos que fazer relatórios sobre nosso estado de saúde e nossa relação com a equipe. Também fizemos relatórios de observações e melhorias específicas para a continuidade do projeto, além de passarmos por uma descompressão e simulação da saída dos astronautas para as atividades intraveiculares e extraveiculares”, finalizou Caroline.

O trabalho é resultado da investigação desenvolvida durante o pós-doutorado do professor doutor Júlio Resende, e é financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Com a simulação, o cientista pretende fazer com que o local seja um núcleo de pesquisas para ser utilizado em Marte, no futuro das expedições espaciais. A primeira missão no Habitat Marte ocorreu em dezembro de 2017. Hoje a estação registra 65 missões completas realizadas.

Um dos aspectos mais significativos da estação espacial brasileira é o fato de que o Habitat Marte está disponível para ser utilizado por cientistas, pesquisadores, professores ou estudantes de qualquer área do conhecimento, já que o desafio humano, durante o futuro processo de colonização do planeta vermelho, exigirá o domínio de informações em todas as áreas do conhecimento.

Mais informações sobre as atividades de pesquisa do Habitat Marte podem ser encontradas nas redes sociais seguindo @HabitatMarte, ou acessando o canal www.youtube.com/HabitatMarte que já contém mais de 400 vídeos.

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