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Estado

Estado não paga salário de março e deixa aposentados a ver navios

Procuradoria recorreu de decisão judicial que obrigava pagamento para quem ganha acima de R$ 2 mil esta semana

22 abril 2016 - 10h00
Estado não paga salário de março e deixa aposentados a ver navios

Nem uma determinação da Justiça foi suficiente para que o Governo do Estado honrasse ontem com o pagamento do salário de março a mais de 137 mil servidores aposentados que ganham mais de R$ 2 mil. Alegando completa falta de recursos, o governo informou que a Procuradoria Geral do Estado vai recorrer da decisão a fim de liberar os benefícios apenas em 12 de maio, o que representa um intervalo de mais de 40 dias entre um pagamento e outro.
Mas se nos últimos tempos, o estado tem pedido ‘paciência’ e ‘compreensão’ dos servidores com a situação das finanças estaduais, é justamente isso que está falta. Aliás, sem dinheiro, outras coisas têm deixado de entrar na casa de quem depende do benefício religiosamente pago todo mês, caso da aposentada de Cabo Frio, Elizabeth Christina Peçanha de Moura, de 62 anos.

Depois de décadas dedicadas à Educação, Elizabeth tem feito malabarismos para pagar as contas, o que só acontece por causa de cortes no orçamento.

– Em primeiro lugar, não me conformo com essa palavra ‘inativo’ que o governo usa para nos definir. Inativo é quem não presta para mais nada. É asqueroso o que governo está fazendo. Já trabalhamos, cumprimos com a nossa parte e não representamos mais nada. Essa postura é ridícula e absurda – disse a ex-funcionária do Instituto de Educação, que fica no Rio, na Tijuca.

– Não tenho filhos e sou viúva. Se não fosse a pensão que recebo teria que voltar a morar com meu pai – completa ela, que mora no centro de Cabo Frio.

A professora aposentada Eliud Félix de Andrade, 68, não tem a mesma sorte. Com duas matrículas, sua renda depende exclusivamente do benefício pago pelo estado. Para comprar remédios e se manter, ela tem lançado mão do cartão da ajuda de amigos. Ainda assim, ela comenta que a situação já a fez passar por constrangimentos em estabelecimentos comerciais.

– Em alguns lugares quando digo que sou professora aposentada, passo por situações de desconfiança – comenta ela, que afirma ter contas atrasadas por causa da falta de pagamento (“O banco não perdoa”, diz).