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​Esperança move busca por militar desaparecido

Operação envolve centenas de profissionais; tempo limpo ajuda no processo

28 julho 2016 - 09h56Por Fernanda Carriço I Filipe Rangel
​Esperança move busca por militar desaparecido

O segundo dia de buscas pelo capitão de corveta Igor Bastos, acidentado e desaparecido desde a tarde de anteontem, terminou como o primeiro: sem sucesso. No entanto, centenas de profissionais da Marinha, do Exército, da Força Aérea e do Corpo de Bombeiros mantêm a esperança de encontrar o piloto, cuja aeronave colidiu com outra durante um treinamento entre Maricá e Saquarema, no litoral do estado.

Segundo fontes ouvidas pela Folha, esta é uma das maiores operações de busca já registradas pela Base Aérea Naval de São Pedro da Aldeia – onde o militar trabalha –, o que significa que as Forças Armadas estão lançando mão de seus melhores recursos para encontrá-lo. O tempo ensolarado e limpo colabora, mas, a essa altura, já há um nota de preocupação mais detectável na voz de militares entrevistados – que preferiram não se identificar.

A principal desconfiança é que, por conta de possíveis avarias na aeronave, Igor não tenha conseguido ejetar. Sendo assim, ele estaria preso dentro do avião, o que diminuiria drasticamente suas chances de sobrevivência.

Caso realmente tenha conseguido ejetar, as cores chamativas do paraquedas (branco e laranja) Brasilajudarão no reconhecimento em contraste com o mar azul.

O acidente – O capitão de corveta Igor estava pilotando uma das aeronaves que participavam de uma simulação de ataque a navio na Boca do Barra, no Rio de Janeiro. A outra estava sob comando do capitão de fragata Rogerdson Fabiano da Costa Pereira da Silva, que era imediato da unidade. Elas colidiram a 100 metros de altura, em uma velocidade de cerca de 700 km/h. Segundo informações, a causa do acidente só poderá ser averiguada quando – e se – a aeronave for encontrada.

O acidente aconteceu por volta das 14h20. Menos de dez minutos depois, o avião comandado por Rogerdson pousava na base de São Pedro. O militar está em boas condições de saúde, mas inicialmente estava em estado de choque. Ainda assim, Rogerdson revisitou o local do acidente para colher as informações de latitude e longitude.

Essas informações serviram como ponto de partida para que as equipes de resgate fizessem cálculos para identificar uma área aproximada de onde o avião pilotado por Igor poderia ter caído. A força militar chegou à conclusão que, se tudo correu como se estima, a aeronave está aproximadamente a três quilômetros a sudoeste da costa de Saquarema, para dentro do mar.

Tecnologia de ponta para encontrar piloto

As buscas se concentram na altura da Praia de Jaconé e estão sendo conduzidas por profissionais especializados. Além do Corpo de Bombeiros e de militares locais, soldados de outras partes do país – com longo treinamento em buscas – estão participando do procedimento.
O trabalho toma o dia e a noite. Para os períodos sem luz, são utilizados óculos de visão noturna e equipamentos com infravermelho. Além disso, na tarde de ontem, o Navio de Pesquisa Hidroceanográfico Vital de Oliveira – que possui sonar que facilita buscas no fundo do mar – rumou para o local do acidente.

A preocupação, no entanto, é que o ambiente em que Igor se encontra é hostil, por conta da chance de hipotermia (baixa da temperatura corporal), das correntes (que podem levá-lo para mais longe da zona de buscas) e da fauna predatória. Esses fatores constituem ameaças à sobrevivência do militar.
Os oficiais da Base de São Pedro ainda evitam comentar o assunto, mas a Marinha emitiu nota oficial limitando-se a dizer que “as buscas prosseguem de forma contínua”.